BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

assédio sexual

Terça-feira , 31 de Agosto de 2010

eu nem sei dizer o que quero dizer...

 

 

Tem um ditado que diz que onde se ganha o pão não se come a carne...

E é melhor nunca me esquecer disso...

 

Há tempos compreendi que tudo pode ser permitido contanto que seja feito no lugar e hora certos, que respeito tem um significado tão amplo que permite variações a seu gosto, que é circunstancial mesmo, que não importa o que você diga a seu respeito, ao final das contas as pessoas pensam o que querem sobre você e tudo bem, canalhas também envelhecem, nada como um dia atrás do outro, ao final das contas tudo dá certo e se ainda não deu é porque o final ainda não chegou.

 

Bobagens? Concordo. Ou melhor, discordo.

Não tenho mais idade e nem interesses para argumentar contigo se você pensar diferente.

Mas eu falava sobre assédio...

 

Antes vou falar um pouco sobre a curiosidade alheia. Eu não comento em meu trabalho sobre a minha Vida pessoal, ou quando o faço é sobre assuntos banais. Não conto quando estou apaixonado, prefiro guardar comigo as minhas tristezas, falar com quem eu durmo ou transo nem pensar. E muito menos fico perguntando pras pessoas o que elas fizeram no feriado ou final de semana. Mas os assuntos surgem e as perguntas aparecem naturalmente, e com a minha idade eu troco os pronomes com uma facilidade enorme, sem cometer gafes. E longe de mim esse tal de armário, né Fabrício?

 

Eu costumo sair para almoçar com um amigo do trabalho que sabe que eu sou gay. Nos conhecemos há mais de 30 anos e ele chegou a conhecer um "amigo" que morou comigo por 3 anos, e embora eu tenha falado com clareza que era um namorado ele ignora o fato. Quando a gente era criança, no ginásio, os meninos me xingavam de mariquinha e ele me defendia... Ele deve pensar que foi só uma fase... A gente sai caminhando, passa uma gostosa, ele comenta, eu comento. Ele quer assim, assim as coisas acontecem.

 

Nós temos um amigo em comum que acha que ele é gay, enrustido. Nos conhecemos, os três, na infância e esse amigo é apaixonado por ele. Esse amigo também é casado e é enrustido, nós temos um caso há quase 20 anos, ele admira a minha coragem em me assumir e diz que não é gay, apenas que gosta de homens, mais precisamente de seus falos.Ele adoraria se casar com uma transexual ativa, bem dotada e feminina, disse que apresentaria em casa e tudo. Utopia...

 

Mas eu vou além e digo que de enrustido ele não tem nada, é um grau anterior. O enrustido se esconde, vive na marginalidade. Ele não, se é que algum dia teve fantasias homossexuais isso foi na infância e ele sublimou, não partiu pra ação, vestiu a casca que a sociedade determinou e seguiu. Casou, teve filhos e acredito que nunca tenha feito sequer aquele troca-troca que só esfrega e ninguém come ninguém... Vive a normalidade que aprendeu, e segue feliz, pagando suas contas, tocando sua Vida.

 

Outro dia um rapaz na empresa veio puxar conversa e sugeriu de sairmos numa sexta-feira a noite pra beber, disse que eu sou um cara muito legal, que gosta de conversar comigo e quer se aproximar. Disse isso na copa, quando estávamos sozinhos, falando baixo, olhos nos olhos... Assédio puro, embora ele mesmo talvez não tenha essa consciência. Mas não rola. Seria insano da minha parte me envolver com um funcionário 20 anos mais jovem e cuja sexualidade ainda não está muito clara, se é que sexualidades são claras.

 

Tenho que admitir que ele é um gostoso que eu pegaria sem grilos numa boate, num cinema ou numa sauna. Mas onde se ganha o pão não se come a carne.

Ficamos assim.


Escrito por Tiago Quintana às 22h35

positivos anônimos

Segunda-feira , 30 de Agosto de 2010

ele me desejou boa noite e sugeriu que eu dormisse com Deus...

Dez anos atrás eu estava de férias em São Francisco, diga-se de passagem que casadíssimo e bem feliz, e uma matéria num jornal segmentado para o público homossexual me chamou a atenção. O texto dizia que um em cada dois homossexuais com mais de 40 anos residente em Frisco teria sorologia positiva para hiv. Será?

 

O número me pareceu um tanto quanto exagerado à primeira vista, mas lendo a matéria começou a fazer sentido - embora eu ainda ache que deve ser bem menos que 50%. As justificativas eram de que boa parte dos homossexuais (que poderiam estar à época com mais que 40 anos) morreram no início da epidemia, diminuindo a populaçao homossexual dessa faixa etária e fazendo com que os poucos "sobreviventes" se classificassem entre aqueles que se assumiram bem mais tarde, protelando o início de suas vidas sexuais e não se expondo na fase mais crítica da epidemia quando havia quase nada de tratamento, ou aqueles que deram sorte e, ainda que infectados, foram salvos na prorrogação. Há ainda um outro fator: a quantidade de estrangeiros infectados, em especial sudeste asiático e caribe, que migra pra aquela região é bem elevada.

 

Não sei se devo dizer com orgulho que fui um desses seres salvos quando se pensava que tudo estava perdido. Quem viveu a aids nos anos 90 sabe bem do que é que eu estou falando. É fato que em 1997 eu pensei que a minha caminhada estava se encerrando, e lembrar disso tanto tempo depois não me causa sensação alguma. Melhor assim. É como se fosse um filme que eu nem gostei.

 

Eu imagino ter me infectado aos 19 anos, ao menos com essa idade eu tive um relacionamento com um cara cujo namorado veio a falecer no ano seguinte. Estamos falando aqui do ano de 1986, mas foi só em 1992, aos 25 anos e num pós operatório, que tive coragem de dar o meu sangue à prova.

 

Pois bem, se um em cada dois ou em cada três ou em cada dez homossexuais está soropositivo eu não sei. E isso talvez nem importe. Eu sou 100% soropositivo. Embora possa argumentar que a minha carga viral está indetectável, que minhas células de defesa estão elevadas e que minha saúde está em ordem, melhor que a de muita gente com sorologia negativa, eu sou soropositivo pra hiv e tenho aids. Com letras minúsculas. Já disse que ser negativo deve ser mais simples e que não aconselho ninguém a se infectar.

 

Pra muitos, conviver com a soropositividade alheia é sim um trauma e não há como passar tranquilidade. Em especial para os que não vivem e têm medo da morte. Viver é algo além de estar vivo. Não há fórmula mágica pra hora de contar, aliás eu recebo desde a criação desse blog diversos emails de pessoas com esse dilema: positivos enamorados que não sabem a hora de contar com medo de afastar o pretendente, o medo da rejeição é perene na raça humana, negativos ou interrogativos que se apaixonam por positivos e temem pela sua segurança. E se a camisinha estourar?

 

Interessante que aqueles que temem pela segurança só se dão conta de que vinham se expondo quando confrontados. Fazem o que muitas vezes consideram inseguro (pois não existe sexo seguro...) e só quando se deparam com a realidade bem no seu caminho romântico é que a ficha cai... Há os que fogem em desespero, há os que choram e sofrem mais que você por terem pensamentos estáticos  e te verem como o Cazuza na capa de Veja, e nesses quase 20 anos já vivi, já ouvi e já vi de tudo...

 

Na época que estive em São Francisco eu era casado com um soronegativo que assimilou bem o lance. Não tão bem assim, devo contar que ele suou frio quando eu falei, ficou pálido e sem voz pra me agradecer pela confiança  e que seguiu ao meu lado por 3 anos bem felizes. Não abandonamos a camisinha porque eu não aceitei, pois por ele teríamos abdicado no primeiro ano.

 

Em geral meu balanço é positivo, a reação alheia é nada mais que uma resposta à forma como o assunto foi colocado. E em geral me posiciono com firmeza.

 

Houve épocas em que para mim era imprescindível contar antes do primeiro contato sexual. Eu já fui bastante conservador... O tempo foi se passando e hoje, contar ou não, não importa tanto. Não cabe contar quando é sexo casual, num esquema de sexo por sexo apenas, tão fácil nos dias de hoje. Mas depois de alguns encontros começa a ficar complicado omitir, contar logo no início pode afastar, não contar pode afastar mais tarde e ainda te deixar vulnerável a ser criticado por não confiar, contar pode aproximar algo que lá na frente pode não ser importante, não há fórmula mágica.

 

Eu bem que gostaria de saber a hora certa de contar e gastar algumas palavras para te ensinar. Ou te ensinar a ouvir de alguém que te encantou que ter hiv pode ser tão normal quanto ter pressão alta ou ser estrábico. Mas são as minhas dúvidas que me movem, então deixa eu seguir sorrindo que cada coisa tem a sua hora e o seu lugar pra acontecer. Em tempos de camisinha, coquetel e informação, cada um que busque saber o que quer saber.

 

E permanecer no escuro, se recusar a ter informação, é um direito de todos. Livre arbítrio.

Como é um direito teu morrer e só depois descobrirem que teu sangue é positivo. Conheci alguns casos assim, o cara escondeu a Vida inteira que era homossexual, se recusava a fazer exames e teve o diagnóstico no hospital, na frente da família, um trauma e tanto.

 

Como é, pra você, essa questão?

 

* * * * *

 


Escrito por Tiago Quintana às 22h29

peregrinos

Domingo , 29 de Agosto de 2010

e é na simplicidade que tudo tem solução...

 

vivem felizes.


Escrito por Tiago Quintana às 11h03

peitos peludos aconchegam

 

 

Sabe o que é?

apenas seguirei como encantado ao lado seu.

 

De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos, assim dizia Fernando Pessoa, que dizia também que sentir é criar, que sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o universo não tem ideias. Nós sentimos e compreendemos as ideias, ou não. As nossos e as dos outros. Eu sinto, você sente, ele sente, nós sentimos.

 

Alguns sentem mais, outros talvez nem sintam de verdade. Lembram quando o Cazuza cantava sobre aqueles que transformam tudo num puteiro pois assim se ganha mais dinheiro? Pois danem-se os outros, não importa que é doação pros desabrigados, é coisa boa, separa das porcarias e vende no brechó, desvia a verba dos lubrificantes em sachê que ninguém vai perceber, as travestis preferem o lubrificante em tubo, rende mais.

 

É a ofensa onde menos se espera, é assento reservado no ônibus então finge que está dormindo e dane-se o velhinho, ele que viaje em pé com seu saco de latinhas, lugar de velho é no bingo. Mano.

 

Chico Xavier dizia ficar triste quando alguém o ofendia, mas que com certeza ficaria mais triste se fosse ele o ofensor... São citações que a Vida em tempos de orkut e facebook nos oferecem, biscoitos-da-sorte que chegam aos montes pra gente pensar no que quiser. Magoar alguém é terrível, dizia o Chico, ele mesmo vítima de maus-tratos dentro de casa, já velhinho, como muitos sabem. A mágoa silenciosa que vai paralisando. Coisa triste.

 

A gente não se dá conta que muitas vezes se magoa à toa, é da gente pro mundo e não o contrário. É a forma como a gente se posiciona, vulnerável ou não ao que a gente mesmo inventou e alimentou. Caio Fernando, meu mestre e ídolo maior, eterno insatisfeito, dizia estar bem assim, bem indiferente com o seu coração como um cactus, não se importando mais com nada que não tivesse importância. Ele divagava, escrevia um monte de coisas que eu lia e gostava quando nem entendia o que aquilo tudo queria mesmo dizer, se é que queriam mesmo dizer alguma coisa, e cá estou eu repetindo o ciclo, não é mesmo? Bobagem, não importa, tudo é amor, tudo é bico e nada disso precisa mesmo fazer sentido.

 

Garcia Marquez uma vez me disse, intimamente em minha cama, que tinhamos que aprender a pensar no amor como um estado de graça, que não era meio pra nada e sim origem e fim em si mesmo...  Fico imaginando o  Caio lendo isso numa de suas noites de desilusão lúcida e convicta com esse papo de amor, e berrando mentalmente, se não sonoro, um "acorda bicha que nem tudo são flores", "o amor não é pro meu bico!"

 

Ambos concordam que a sabedoria é algo que quando nos bate à porta já não nos serve para nada,  ou pra muita coisa então, e por certo fazem coro comigo que não devemos morrer sem experimentar a maravilha de trepar com amor... Que bom que já amei e já trepei muito com amor, ainda que a fila tenha andado cada novo amor é ou foi um novo amor e não há nada de errado em termos uma coleção deles, devidamente embalsamados. Hei de dizer que ando meio zerado nesse quesito.

 

Como dizia meu mestre, daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo - deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco. A decedência é certa, coração. O amor é estrela, cadente. Quem conheceu, sorte, quem não conheceu quem sabe role uma enésima chamada, amores e restos humanos, cada um tem o que busca, quem procura acha. Tem gente que perde o bonde da própria Vida e depois fica culpando os outros, mandando torpedo as 2hs da manhã pro ex-amor depois de ver pela fresta da janela que o novo romance, dele ou dela, ele ou ela, tanto faz, sai saltitando de alegria num carrão que nem se imagina dentro, quem dirá com grana pra comprar, carregando flores e mandando beijos pra lua. Isso sim é luxo. A dor é tão grande que chega a sentir o cheiro do amor que se foi. Pena, pena mesmo. Dói na alma... Na sua. Doeu. Minhas condolências.

 

Me fundo ao Mestre e sussurro que você está tão forte na sua fragilidade que inventou a mim para matar a sua sede exata.  Isso é Caio. Faço caras e bocas, teatral que posso e quero Ser. Declamo que nós nos inventamos um ao outro porque éramos tudo o que precisávamos para continuar vivendo, declamo Fauzi Arap imitando Bethânia e dizendo em alto e bom tom que você não me conhece e que tenho que gritar isso, que você está surdo e não me ouve, grito que agora já foi, eu já sou eu e você já é você de novo, nós não somos mais nós, somos o que éramos quando nos conhecemos, dois ilustres desconhecidos carentes querendo brincar de papai e papai.

 

Benditas e louvadas sejam todas as forças universais, todas as forças cósmicas, todo esse povo bonito que você insiste em colecionar, sou figurinha difícil e vou faltar em seu álbum, benditos e louvados sejam todos os oduns da paz, da felicidade e da prosperidade, benditos sejam os capetinhas de plantão para que a nossa tarde no trânsito seja menos tediosa. Vai na caruda mesmo, só não chega  no escritório de cabelo molhado e cheirando eucalipto  que vai pegar mal.  E cuidado com o secador, quem não sabe pilotar comete atrocidades na franja. Viu maricona?

 

O que me resta dizer depois de tudo o que já disseram?

 

"Então eu digo que colho Clarice.

Como Ela sou Um Sol... Só...Sol.

Sou um Ser.

E deixo que Você Seja. Seja.

Isso Lhe assusta? Ser.

Já.

Creio que sim. Sejamos.

Vale a pena."

 

Como Oshou eu não vejo escuridão em lugar algum, mas vejo pessoas sem brilho, com a pele  seca, com a alma ressentida, com cara de quem espera um disco-voador que sabe que não vai chegar. Fosse eu Gasparetto e bradaria ironicamente indignado que você é quem está mantendo os olhos fechados. Espernearia que a escuridão não existe, depois faria cara de assustado com a minha própria loucura e berraria te apontando o dedo indicador que é tudo criação sua, da sua cabeça, culpa da vaca da sua mãe que fazia boquete no leiteiro enquanto você se cagava de medo.

 

Faria um modelão Hoffman espancando a coleção da Parmalat... Saudades dos bonequinhos da Vivo.

 

O sol está em todo lugar, a luz está em todo lugar, estamos em pleno meio-dia, se você não tem colírio nem óculos escuros o problema é seu, meu não. Mas você continua apertando os seus olhos, mantendo-os fechados. Relaxa, kiridjinha, não tenha medo do boi-da-cara-preta que castra meninos que têm medo de vaginas, você não é doente... Meninos que têm medo das grutas escuras e quentes e buscam seus mastros e falos Vida adentro, vai poder até andar de mãos dadas na avenida com o bofe. Ninguém pode forçar os seus olhos a se abrirem. Existem algumas coisas que você tem que fazer por você mesmo, não tem dublê e nem segunda época. Bora lá, brow. Relaxa.

 

Mesmo que doa, dói só no começo.

Passa um gel, você acostuma. Eu vou devagar, prometo.

 

Depois de tudo o que disseram pergunto mais um vez o que me resta dizer. Vou de Clarice,  de novo, agradecendo aos meus Mestres, aos dela e a todos os outros, mandando um beijo pro meu pai, pra minha mãe, minha irmã, minha sobrinha e pra você que gasta sua banda larga comigo:

 

"À duração da minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa. Sou um Ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios-cucos loucos de vontade de sair pra Vida. E sorrio, sincera mente, sincero coração. Um sorriso sincero desarma qualquer um. E sigo existindo..."

 

Sorrisos aconchegam.

Peitos peludos também, mas isso já é outra estória.

Aconchego.

 

Era isso.


Escrito por Tiago Quintana às 10h31

simples assim

Segunda-feira , 09 de Agosto de 2010

e é na simplicidade que tudo tem solução...


"Agora um pedido: não me corrija. A pontuação é a respiração da frase, e minha frase respira assim. E se você me achar esquisita, respeite também. até eu fui obrigado a me respeitar.
Escrever é uma maldição."

C.L.

 

No primeiro ato eu buscava companhia pra uma aventura, era uma tarde de sábado e bem que meu amigo me disse que lá atrás da emissora ficavam uns caras bem bacanas fazendo nada enquanto esperavam outros pra fazerem nada juntos, eu dei uma volta de carro, vi um cara lindo num carro limpinho, cheguei dando ideia e fui direto ao ponto, quinze minutos depois a gente se divertia naquela tarde quente num apartamento que eu estava reformando.

- Tenho que ir embora. Meus amigos vão lá em casa e ainda tenho que ir ao mercado.

 

Fazia muito tempo que não era tão legal... Deixei meu telefone, ele perguntou se eu queria que ligasse mesmo e quando eu justifiquei que sim, mas que naquela semana não pois eu estaria fora de São Paulo, ele falou que ligaria sim mas que eu já estava começando com enrolação. Demos risada, mais um beijo bem gostoso com ares de até breve, e nos despedimos. Confesso ter me empolgado, num pico de emoção que há tempos não sentia. Mas não dei bola. Mais um, que pena, não vai ligar nunca.

 

No segundo ato eu estava no escritório, um mês e meio depois, segunda-feira cedinho, recebo uma mensagem no celular de um tal que vamos chamar aqui de Gabriel, se oferecendo pra me encontrar qualquer noite daquela semana, pra um café, um cinema ou um cafuné. Segunda logo cedo a gente faz o que é mais importante, isso no mundo corporativo... Organiza o que quer fazer acontecer na semana.

Achei fofo mas honestamente não liguei a mensagem ao primeiro ato, fiquei me indagando quem seria o tal Gabriel, mas os dias estavam tão confusos que nem dei bola. Muito trabalho, como tem sido há algum tempo.

- A gente marca, vamos combinar sim, beleza...

 

No terceiro ato meu telefone toca, quinta-feira após o almoço, na mesma semana, atendo o tal número misterioso e milagrosamente reconheço a voz. O coração palpita e sinto leve vertigem, coisa da idade talvez, vamos marcar um encontro pro sábado, sábado tenho um almoço, domingo também não dá, vamos nos ver na semana, a semana começa e na terça ligo educado e firme logo após o almoço:

- Vamos nos encontrar quinta? As 19hs na Paulista?

 

Marcado. No quarto ato paramos enfim para conversar, numa praça de alimentação de um shopping qualquer. Meus olhos viam vultos naquela muvuca de fim de tarde e só tinham foco nos olhos dele. Não comentamos da tarde quente quando nos conhecemos, mas olhos nos olhos dissemos que queríamos mais. Dissemos com as sombrancelhas que  estamos livres, leves e soltos para mais e mais e mais, juntos quem sabe, nem que esse mais signifique repensar o que é ser livre e solto e o levitar por alguém, com alguém. É tempo de sonhar com uma vida menos ordinária à dois, podemos ser nós mesmos e sermos um pro outro, pro crescimento do outro, na sua complexidade. No quarto ato nos encantamos, gamamos mesmo, nos mostramos sorridentes nos nossos melhores ângulos, sem cara de quem quer esconder algo.

Nos vimos no nosso melhor, pois assim somos.

 

No quinto ato ele me sequestrou. Era para ser um jantar, que acabou virando pizza em sua casa. Muitos beijos, muitos mesmo, cada vez melhores - e olha que ando destreinado... Lá pelas tantas, nem tão tarde assim, pois sou um moço de família, ele me perguntou se eu já havia ligado... Perguntei pra onde, ele me sorriu sedutor dizendo: pra sua casa, para avisar que você vai dormir comigo. Nem a polícia te tira dos meus braços hoje... E completou: pode ser?

E a noite foi linda, e minha mãe ficou muito contente por eu dormir fora de casa.

Mas isso já é assunto pra outro post.

 

No sexto ato nós nos sequestramos, era um domingo frio nessa cidade linda, nos agasalhamos e fomos nos mostrar lindos pra Vida, voltamos pra Paulista, jantamos uma comida exótica e trocamos carinhos nos gestos e nos olhares. Sexo é bom, sem dúvida, mas dura muito pouco. Carinho  é mais. E eu digo que estou me amarrando de uma forma que me faz levitar. Não me importa o risco, ao final das contas terei muitas alegrias para festejar.

O tempo não é nada, nada é real, exceto esses nossos sonhos.

É bom poder falar no plural.

Ímpares.


Escrito por Tiago Quintana às 22h59

O "Blog do Tiago+" mudou de endereço:

Quinta-feira , 03 de Dezembro de 2009

http://mixbrasil.uol.com.br/blogs/tiago

 

O site do Mixbrasil foi totalmente reformulado e com isso o "Blog do Tiago+" também mudou de endereço.


Acho que o site agora tem cara de Mix pós Junior, maturidade do André, do Marcelo e de muitos talentos que fizeram história permitindo esse salto. Ganhamos todos. Eu que acompanho esse trabalho desde a "épica" da BBS fico orgulhoso por contribuir com isso que aqui apresento.


No início dessa semana, já no site novo, esse blog registrou picos de acesso.  Fico feliz pelos amigos que aqui ganhei. Isso aqui pertence a Você, Querido Leitor... Eu gosto daqui mas rendo-me ao novo. É assim que penso que pode ser. Vou sentir saudades desse formato, pela interação, mas ainda volto vez ou outra para liberar e responder comentários, e o que aqui registrei fica disponível para quem quiser copiar, divulgar e viajar comigo.


Blog do Tiago no Mixbrasil,

no ar desde 06 de junho de 2006.


O novo endereço:

http://mixbrasil.uol.com.br/blogs/tiago

 


Escrito por Tiago Quintana às 23h01

afeto

Segunda-feira , 30 de Novembro de 2009

 

Definiremos melhor o afeto se dissermos que é a parte do amor feito consciência. É óbvio, pois, que sua estabilidade não periga como a daquele, sujeito sempre a variações e mudanças. 

 

(da Sabedoria Logosófica)


Escrito por Tiago Quintana às 23h24

alteridade

 

“Ou aprendemos a viver como irmãos,

ou vamos morrer juntos como idiotas”

 

Martin Luther King

 

 

 

Alteridade.

 

Palavra nova no velho dicionário mental, resumo de um dia puxado de estudos. Palavra que no dicionário não expressa nada. Estou fazendo lição-de-casa, nem devia estar blogando mas eu amo e mereço.

Então vai post rápido, tipo Twitter (que eu me recuso) pra Mona, Dick, meus seguidores & friends... Viram que o blog vai mudar de cara? Tô tendo umas ideias...

 

Mas o que conto rapidamente, sem me empolgar, é que gosto de estudar e de apre(e)nder coisas novas. E estou conhecendo uma turma muito interessante, maioria mulher, 30% homens beeeem bacanas, inspirados conceitos e exercícios. Show. O melhor ainda por vir.

Depois conto.

 

Movimentar-me nos quadrantes do saber.

Sábado, domingo, hoje e a semana toda.

Fui.

 

* * * *

 

A palavra alteridade possui o significado de se colocar no lugar do outro na relação interpessoal, com consideração, valorização, identificação e dialogar com o outro.

 

A pratica da alteridade se conecta aos relacionamentos tanto entre indivíduos como entre grupos culturais religiosos, científicos, étnicos, etc.

 

Na relação alteritária, está sempre presente os fenômenos holísticos da complementaridade e da interdependência, no modo de pensar, de sentir e de agir, onde o nicho ecológico, as experiências particulares são preservadas e consideradas, sem que haja a preocupação com a sobreposição, assimilação ou destruição destas.

 

A prática da alteridade conduz da diferença à soma nas relações interpessoais entre os seres humanos revestidos de cidadania.

 

Pela relação alteritária é possível exercer a cidadania e estabelecer uma relação pacífica e construtiva com os diferentes, na medida em que se identifique, entenda e aprenda a aprender com o contrário.

 

* * * * *

Datação
sXX

Acepções
substantivo feminino
1    natureza ou condição do que é outro, do que é distinto
2    Rubrica: filosofia.
     situação, estado ou qualidade que se constitui através de relações de contraste, distinção, diferença [Relegada ao plano de realidade não essencial pela metafísica antiga, a alteridade adquire centralidade e relevância ontológica na filosofia moderna (hegelianismo) e esp. na contemporânea (pós-estruturalismo).]
     Obs.: p.opos. a identidade


Etimologia
fr. altérité (1270) 'alteração, mudança', calcado no b.-lat. altarìtas,átis (meados do sIV); ver alter-

 

(ctrl + c mesmo, windows ainda... a foto é de pessoas bebendo água no Sudão, eles usam um objeto que lembra aqueles de chimarrão e tereré para sugar a água das poças. E a Tiffany parece que não volta mesmo. se magoou-se pena, se está brava um dia passa, se morreu que esteja em paz)


Escrito por Tiago Quintana às 22h22

meta

Quinta-feira , 26 de Novembro de 2009

 

 

Esse blog anda meio deixado em segundo plano, concordo... E eu não gosto quando isso acontece, entretanto é assim mesmo algumas vezes. Mas não é por falta de vontade de escrever, ou apenas por falta de inspiração. Nem é por falta de tempo. Na verdade é que não tem surgido inspiração no tempo disponível e vontade apenas não é nada. Vontade sinto sempre, mas não é toda hora que a escrita flui da forma como gosto. E tenho preferido a leitura, que serve como alimento para escrever, e que posso fazer com o ônibus em movimento. Quase não tenho parado em casa.

 

Essa semana tirei mais uma vez para questões de ordem burocrática, depois de duas décadas votando no mesmo local, uma escola na quadra onde moro, o TRE decidiu que sou jovem e posso andar um pouco mais e me mandou pra universidade do bairro (bem maior  e onde estuda meu paquera de olhos verdes, lembram dele?), ainda tirei uma terceira via do meu RG que estava podrão, renovei meu bilhete único especial (que me dá isenção de tarifa em ônibus, metrô e trem), acertei algumas coisas aqui em casa para poder estar livre na semana que vem.

 

Não esperem muitas novidades antes do dia 05 de dezembro. Estarei num treinamento intensivo de  8 dias, período integral e com lição-de-casa, o que significará dedicação mais que absoluta com foco no alto investimento feito e nos resultados que desejo obter no médio e longo prazo. Nada portanto de blog, msn, orkut ou facebook e email, coisas que fazem a gente gastar horas muitas vezes preciosas sem que se perceba. Até o celular vai ficar desligado o dia todo, mas no meu retornar estarei ainda melhor.

 

Por enquanto só desejo adiantar que vou buscar a minha fórmula para administrar meus muitos talentos e transformá-los em algo que seja chamado pelas pessoas de "trabalho".  Não que eu fique parado sem fazer nada, muito pelo contrário, mas para alguns é uma petulância não viver em função exclusivamente de fazer dinheiro e gastar, fazer mais dinheiro e gastar ainda mais sem ter descanso e nem futuro garantido, é uma afronta sair da roda do consumismo insano e se permitir academia as 11hs ou cinema as 14hs numa quarta ou quinta-feira.

 

Nem tão cigarra e nem tão formiga.

Minha intuição me sugere metas claras.

E costumo chegar onde quero.


Escrito por Tiago Quintana às 10h35

feliz

Sábado , 21 de Novembro de 2009

 

Felicidade é mais ou menos assim, você não quer perder o tempo descrevendo-a, você quer simplesmente vivê-la.

Tá feliz? Viva intensamente esse momento.

 

É como se a felicidade fosse um estágio imaginário da alma, um manifesto do espírito buscador encarnado, um mimo da mente, um prazer da carne, algo do que não desse pra expressar em sentimentos, quem dirá em palavras. Substantivos. E é tudo muito rápido, são flashes.

 

 

Faz cara de feliz e pronto.

Cara de Caras.

 

Que a alma entende o pedido.

 

E, importante:

- Não tenha pressa.


Escrito por Tiago Quintana às 01h23


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