BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

love / hate

Segunda-feira , 29 de Outubro de 2007

 

 

- A próxima vez que quiser dizer a alguém "Eu te amo!"

faça isso antes olhando para o espelho e veja se acredita.

 

Primeiramente, vou avisando que eu sou péssimo para me lembrar de nomes. Nomes em geral. Minha memória funciona melhor para números. Eu geralmente me atrapalho com o nome das pessoas, me esqueço, troco o nome... Nomes diferentes então, é certeza que não vou me lembrar... Festas com muita gente nova? Já era... E para cinema? Sou capaz de me lembrar da expressão facial de um ator em determinado filme, capaz até de me lembrar da placa do táxi que ele pegou, lembrar o número do quarto de hotel onde estavam, o número do vôo, mas para me lembrar seu nome e o nome do filme preciso me concentrar muito.

 

Lembrar o nome do personagem então, só seu o filme tiver me marcado muito.

 

E é o caso dessa frase que reproduzi há pouco, uma cena do "Essa estranha atração" (Torch Song Trilogy), filme de 1988, lançado no Brasil em 1990. Nessa cena, o protagonista Arnold (interpretado pelo Harvey Fierstein, autor do texto inicialmente para teatro), se maquiava em frente a um espelho, ao mesmo tempo em que ensaiava uma discussão que teria quando reencontrasse o namorado bissexual.

Ele olha seriamente para o espelho, vira o rosto com ares dramáticos e se imagina falando isso para o rapaz... Pois essa frase me marcou, da mesma forma que algumas vezes me deparei com discussões mentais por conta de conversas que nunca vieram a acontecer. É um filme que eu recomendo, mas nem vim aqui para recomendar filme não.   

 

Estava aqui nas minhas divagações das segundas-feiras. Segunda é o dia que faço terapia, e relacionamento é tema recorrente, acho que isso é válido para todo mundo que faz terapia. Afinal a gente fica boa parte da vida interagindo com as pessoas, se relacionando com visões diferentes do mundo, o tempo todo nossos valores e a nossa personalidade são colocados à prova e é essa a nossa maior fonte de aprendizado - o outro, os conflitos com o outro.

 

E eis que me veio essa frase do filme... E fiquei pensando há quanto tempo eu não falo para alguém sobre o meu amor, ou há quanto tempo não ouço isso de alguém novo em minha vida, alguém falar que me ama e que eu sinta que é verdadeiro.

 

Eu não falo do amor de pai, amor de mãe (que seriam, em tese, incondicionais), nem falo do amor fraterno que nutrimos por um irmão ou por um amigo.

Em relação aos meus pais tenho ouvido com certa regularidade declarações do tipo "filho eu te amo", minha mãe é bastante verbal e tem certa necessidade de reafirmar isso, mas sobretudo tenho sentido o amor nos pequenos gestos deles no cotidiano, em especial do meu pai, mais seco e reservado, menos verbal.

 

Tenho andado distante amorosamente da minha única irmã, conflitos nem tão recentes nos fizeram bloquear esse sentimento, mas é claro que há um amor imenso afundado entre mágoas e ressentimentos e que um dia voltará à tona, os conflitos de base estão sendo corrigidos e um dia tudo voltará a ser lindo como foi no passado, tempo de faxina geral na alma dos dois. Historicamente temos ciclos de distanciamento, altos e baixos na convivência.

 

Em relação aos amigos há uma afetividade imensa, e verdadeira na maior parte dos casos, e a gente se ajuda sempre, dizem que os amigos são a família que a gente escolheu, então a gente se ama como pode. Se ama com pães-de-queijo quentinhos saídos do forno, com mimos que podem chegar a qualquer instante, mas sobretudo se ama com muitos beijos no rosto, com bitocas e selinhos, com abraços fortes, longos e apertados e com sorrisos de cumplicidade, com olhares de fraternidade.

 

A gente se fala por telefone com frequência, manda mensagens e quando se encontra é um afago só. Mas nem tudo são flores, é claro, surgem crises e olhos nos olhos a gente tira tudo a limpo, rapidinho que é para não virar um monstro, razão pelas quais meus grandes amigos me acompanham nessa jornada há dez, quinze, vinte anos. Tenho amigos de infância!

 

Outro dia líamos um texto que dizia que "um coração capaz de guardar rancores não é um abrigo seguro para amizade"...

E cada um interpretou isso de uma forma, concordando ou não com esse pensamento. O que você acha?

 

Para alguns, a gente tem que aprender a não guardar mágoas, rancores ou ressentimentos e se você é daqueles que guarda essa negatividade, você não é capaz de ser um amigo verdadeiro...

 Eu não concordei e fiquei com os outros, com a oposição, pois acredito que negar esses sentimentos é negar o amor que tanto buscamos. Penso que só depois que a gente transbordar essa negatividade é que surgirá um sentimento limpo de verdade, pois se não transbordar ele vai ficar assim, meio limpo, meio sujo - ou seja: meio limpo é o mesmo que sujo...

 

É claro que não adianta se apegar a eles e assim nortear a sua vida, ficar amarrado a coisas que não te fazem bem... Haja terapia! E como disse um amigo querido, o rancor é um veneno que a gente toma achando que o outro é quem vai morrer...

 

Amar é gostoso, sem sombra de dúvida.

Mas é a indiferença (e não o ódio...) que fica quando acaba o amor. Antes disso poderá até haver uma fase de ódio, que nada mais é que o amor incompreendido, não correspondido. Eu te amo tanto, e tão profundamente, mas você não compreende isso, então eu te odeio! Será que é viagem minha? A gente briga é para manter um sentimento, por mais confuso que ele esteja. Quando a gente não briga mais, os ânimos se acalmaram e então a gente conclui que tudo aquilo já não importa mais. Acabou-se o que era doce!

 

Então deixa ir, deixa seguir seu caminho.

Ou, usando a frase da semana aqui na blogsfera

 "Solta que volta"  (se tiver que voltar...)

 

Para odiar alguém, precisamos de um coração. O mesmo coração que ama, ou que amou esse alguém. Esse coração que possivelmente esteja machucado, e com o nosso raciocínio doente, com o tal do ego agredido, sempre o tal do ego! Então fudeu...

 Para odiarmos alguém gastamos uma energia imensa, utilizamos nossos neurônios de forma errada e disperdiçamos tempo. Odiar nos envelhece mais rápido, destrói as nossas células, baixa nossa resistência, nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e uma angústia imensa no peito.

Já passou por isso?

 

Pois voltando ao amor, eu me sinto travado. Não só no amor de pai, de mãe, de irmã ou dos amigos. Mas estou amaciando de novo e ainda tenho jeito, a psicóloga falou e eu acredito... Falo do sentimento de um homem por outro homem, falo de relacionamento afetivo.

Sinto o potencial, mas não a força necessária para decolar.

 

E sinto que os outros estão travados da mesma forma.

Sem contar que capricornizo demais essas coisas.

 

Mas sinto admiração, sinto ternura, sinto carinho, sinto tesão.

E sinto que dias melhores virão.

 

E também que já consigo encarar o espelho...

 

 


Escrito por Tiago Quintana às 20h48

romance...

Sexta-feira , 26 de Outubro de 2007

 

Excelente final de semana a todos!


Escrito por Tiago Quintana às 20h12

manifesto...

Quarta-feira , 24 de Outubro de 2007

 

 

Pois bem, diferentemente do autor do manifesto, eu conheço alguns casais do mesmo sexo que são referência para mim. Levam uma vida normal, sem estrelismos e purpurina, sem o tal glamour e as futilidades tantas vezes incentivada. São homens que amam homens, mulheres que amam mulheres, alguns têm filhos, naturais ou adotados, almoçam na casa dos pais aos domingos, alguns estão emplacando três décadas de relacionamento maduro e feliz, com as mesmas dores de casais heterossexuais.

 

Seus valores são construídos no cotidiano, com base em liberdade individual, com lealdade e companheirismo, aquela coisa da ajuda mútua. Um deles, um amigo da minha idade, vive há 20 anos com um companheiro 10 anos mais velho e ainda se emociona quando conta quando se conheceram e atesta, emocionado, que ter iniciado aquele romance em 1987, aos 20 anos, fez toda diferença em sua vida e que é eternamente grato ao seu companheiro por tudo o que conquistou na vida.

 

Eles, de certo, não se incomodam com o que acontece na parada gay. Vêem pela televisão e acham divertido. Se as travestis mostram o peito, que lindo! Se os rapazes rebolam sensualmente no carro bate-estaca com sunguinhas brancas, que lindo! Para eles, esse universo cor-de-rosa, essa ditadura do arco-iris, essa militância caricata, importa tanto quanto a camada de ozônio, os escândalos na política, os produtos orgânicos e as eleições na Croácia.

 

A vida, para eles, segue o curso natural, sem defesas acaloradas disso ou daquilo. 

E são, no meu entendimento, felizes.

 

Simplesmente felizes com seus pares.


Escrito por Tiago Quintana às 08h55

Manifesto pós gay?

Terça-feira , 23 de Outubro de 2007

 

 

Interessante o clima na vizinhança esses dias, em especial nos blogs do Diego e do Fabrício... Leitores com ânimos exaltados, defendendo seus pensamentos com garra!

Muito bom...

 

Bastou o Diego questionar a utilidade da parada glbt  (coisa que muitos já fizeram no passado recente, incluindo esse nem tão humilde blogueiro que você lê nesse instante...), bastou que ele questionasse os valores de uma ditadura cor-de-rosa para que os ânimos ficassem exaltados. E eis que aperece a militância para dar tempero às divagações.

 

E para completar, o Fabrício, com propriedade, defendeu o direito das travestis mostrarem o peito... Concordo que devem mostrar sim, que quem quiser sair pelado que o faça. Somos a diversidade, não é mesmo? E eis que alguns militantes da causa, aqueles que alegam defender os "nossos" interesses, e também os avessos a essa cultura bate-cabelo, os contra-militantes da causa, surgiram como verdadeiros fundamentalistas e foi uma troca de gentilezas só... Vale a leitura dos textos dos blogbrothers, incluindo os comentários e tréplicas, a bem da coletividade do arco-iris!

 

E para dar o meu pitaco, é claro que não poderia ficar de fora, vamos lá... Os textos que reproduzo abaixo não foram elaborados por mim, eu os recebi por email de um rapaz com quem até então nunca tinha teclado, mas não constava a autoria, nem do manifesto e nem do comentário. O primeiro texto é um comentário breve e bem articulado a um manifesto, como disse eu não sei quem escreveu mas assino embaixo, concordo plenamente e o bacana é que o cara não agride ninguém, apenas faz as suas ponderações, que poderiam ser as minhas ou as suas ponderações.

 

Para o segundo texto, o manifesto propriamente dito, bastou uns "googles" para chegar a seu autor, vale clicar no link e ver a animação feita pelo NUCOOL

 

E, assim como no comentário anônimo, eu assino embaixo! Apenas uma ressalva, para orientação dos prezados amigos, eu não ligo de ser chamdo de gay não, nem de pederasta, nem de kombee... Lógico que entre amigos, pois ser chamado de gay por alguém que não seja íntimo, pode não ser legal e muitas vezes é agressivo, correto?

 

 

Comentário (desconheço a autoria...)

 

"Eu não quero dizer que os gays não tenham que lutar pelo direito da união civil, pelo respeito da sociedade e pelo direito de tirar a camisa nas paradas, afinal gastaram dinheiro e passaram tanto tempo construindo essa identidade.

 

Acho importante, quando você descobre pra onde vai seu desejo, encontrar pessoas parecidas e trocar experiências. Depois de certo tempo é hora de abandonar esse universo restrito. O problema é que a maioria vira um parque temático ambulante, com uma mente formatada para pensar segundo o gueto.

 

Não vejo nenhuma fala interessante e libertadora na boca desses militantes, desculpe, ser militante é out, quero dizer, nesses promoters da cultura cor-de-rosa, a conversinha só gira em torno do armário, de como arrumar um namorado, o gato do mês, como construir um peitoral e esconder a mocinha frágil que habita alí, a noite super-hype da temporada e tudo termina numa explicação de salão de beleza de fundo de quintal, misturando reiki com a desculpa que tem a lua em câncer!!!!!  

Não geram informação relevante! Pule fora!"


 

 


  Manifesto PÓS GAY

Vale a pena ver a animação

 

 

Pra começar eu não sou gay!  Sou somente um homem que faz sexo com outro homem, se preferir pode me chamar de viado, maricas, homossexual. Mas por favor não me chame de GAY!!! Eu não uso underwear cK ou Foch.... uso cueca! Os gays surgiram com o advento da lycra e o interesse da mídia! 

 

Assim o NUCOOL nasceu em 2002, frequentando sempre a sala Gays e afins - São Paulo (1) do chat UOL.

Em 1997, estava em Londres e se falava de um movimento antigay, surgido dentro da própria comunidade rosa.
Alguns homossexuais, artistas, intelectuais, jornalistas e bebedores de cerveja estavam dispostos a acabar com a noção de que tudo que é gay é bom. A idéia era não substituir uma ortodoxia heterossexual por outra...

a gay do hedonismo cego.

 

A pergunta que ficou foi: não seria o gay, com sua mistura de boates, drogas, sexo fácil, obsessão pelo corpo e consumo desenfreado, o verdadeiro inimigo de sua saúde mental, espiritual e física?


 

Ser gay se tornou fazer parte de um culto religioso nada tolerante. Passou a ser  promovido como um estilo de vida que deve ser adquirido frequentando determinados lugares da moda, comprando a vestimenta correta, corte de cabelo máquina 2 ou aquele punk revisitado(?!), bumbum empinado, marca de sungão, tatoo bracelete tribal, abdome trincado, viajar no final do ano pro Rio, carnaval em Floripa... ufa!! antigamente era só dar o cú.


 

O gay ainda está preocupado com a questão da conquista do espaço social, com a construção de uma imagem ideal, que possa ser aceita e admirada por todos. O pós-gay está absorto com as questões existenciais, pois o gay way of life não lhe trouxe a felicidade prometida, propõe uma auto-reflexão para a comunidade rosa e aceita as possibilidades sexuais das pessoas sem levantar bandeira.


 

Não compra o design corporal do momento apesar de se manter em forma, é experimental no seu transitar pelo mundo, se misturando a grupos sociais e culturais diversos, pois busca uma vivência masculina e multifacetada.

 


Criou-se uma tirania rosa e o gay globalizado surgiu. Saca aquele tipo que você encontra em qualquer esquina do mundo? Estou falando principalmente de uma classe média, dita "de nível" e informada. Todos os gays estão se tornando iguais, qualquer comportamento desviante já causa a sensação de exclusão.


Observei  nos chats, o surgimento do tal "fora do meio", que justifica, de certa maneira, a vontade de romper com esse padrão de comportamento. Apesar de eu acreditar que frequentar ou não o gueto não determina exatamente os valores de uma pessoa. A procura do tal "fora do meio" está relacionada com a possibilidade de se encontrar alguém talvez menos fake.

 

É comum perceber a tentativa de restaurar simbolicamente uma possível identidade masculina através de músculos e de esteriótipos como estilo militar, surfista,  jogador de futebol... que nada mais é do que uma camuflagem visual sem as caracteristicas de personalidade que dão o molho a esses personagens que tanto alimentam nosso imaginário.

 

Ser gay é viver escravizado a imagem. Mas a beleza do homem está justamente no despojamento. Com a virada do milênio, todos os gays se tornaram "machos" e dizem:  Não sou, nem curto efeminados!! Só porque o cara aprendeu a comprar "roupa de homem", construiu uma fortaleza de músculos sem função, segura o dedinho na hora de tomar café... Mas a essência continua de "fêmea"!! Fala sério!

 

Nem os héteros se rotulam macho!

 

Hoje em dia, no meio gay,  qualquer um que não rebole já é considerado macho. Calça jeans, cinto, músculos e camisa branca não são sinônimos de masculinidade, de macho. 

Então relaxem, gay é gay!!

E os esteriótipos que sempre aparecem na TV, do estilista, cabelereiro, personal stylist, tipos efeminados, são uma pura realidade, em maior ou menor escala.

Não adianta construir um simulacro de macho.


 

Procura-se muito um relacionamento sério, todos querem, mas poucos encontram.

Eu conheço pessoas que estão com quase 40 anos e nunca tiveram um relacionamento sério. 

Um dia um gay acrescentou, "garanto que o cara que nunca namorou sério, não é gato!!!".

 Como gay virou um SER ÓPTICO, com outros sentidos atrofiados, achei melhor explicar: o cara é gato, é que essa comunhão com outro cara não está somente vinculada aos padrões da forma, mas também de conteúdo. 

 

No mundo heterossexual a idéia de vida a dois está sendo questionada.  Não gosto desse retrocesso gay de tentar copiar a fórmula do ideal hétero de felicidade, só para não ficar sozinho e sair da clandestinidade, incorporando a própria hipocrisia de empurrar com a barriga relações falidas, afinal nem  filhos justificam tal sacrifício.

 

É uma bobagem achar que o cerimonial do casamento nos poupará dos males do mundo e nos restituirá a glória!


Não estou questionando os benefícios sociais provenientes do governo com o casamento. Os discursos dos mais ativistas, não conseguem falar em felicidade sem que não esteja engajada na norma social e na família tradicional.



Muitas vezes as relações são mais bonitas vistas de fora. Por que não buscar outras alternativas, outros
tipos de família e aceitar que algumas pessoas não têm realmente o perfil para a união tradicional?

Pegar uma via paralela, sem referência, é sempre mais complicado. 

 

Mas não julgar o solteiro como um perdedor ou devasso.

 

Até hoje só tive quatro relacionamentos sérios, um com mulher e 3 com homens. Mas não saberia dizer com quantas pessoas transei. Gosto de foder com homens, mas poucos me despertam interesse para relacionamento, sem falar também nos que não se interessam por mim.

Confesso que sinto atração por tipos complexos ou melhor, talvez não tão óbvios.

Claro que existe um tipo físico que mais me atrai, mas esse papo de gato, malhado, inteligente... com valores gays... Nem rola.

Posso até "fazer" numa situação de sexo anônimo, caso contrário não fico excitado.

 

Os homens que gostam de outros homens chegam à vida adulta despreparados emocionalmente para  relacionamentos.

Então ou nos tornamos compulsivos sexuais ou afetivamente imaturos.

Pra mim um relacionamento vale a pena quando me causa transformação, me leva para algum lugar desconhecido.

Alguns dizem, utilizando aquela máxima... é que você não ama!

Existe uma idéia de amor rolando por aí, que faz parte das grandes utopias de libertação construídas pela humanidade ao longo dos séculos e que estão caindo por terra...

É dificil aceitar isso, mas basta olhar a rapidez com que o mundo está se transformando e a cultura gay não estará fora disso.

 

No momento não conheço nenhuma união entre dois homens que me sirva de inspiração. Gostaria de me preparar para ser um homem que gosta de outros homens aos 50, com novos valores e talvez solteiro.

 

Sem o estigma de ser o cara que sabe ensinar hétero a se vestir e decorar a casa!

 

* * * * * *

Um abraço...

 


Escrito por Tiago Quintana às 20h35

rosa

Sábado , 20 de Outubro de 2007


Escrito por Tiago Quintana às 18h44

Antes que eu esqueça...

Quinta-feira , 18 de Outubro de 2007

 

Créditos: Ivan Mola - Artista Plástico e Animador

http://www.ivanmola.com

 

 

 

Sou um sujeito bem melancólico e um tanto quanto saudosista, características claramente visíveis aqui na minha terapia escrita e que, embora assumidas, são notadas por umas poucas pessoas, apenas por aqueles amigos das confidências íntimas, feitas de cara absolutamente limpa. Quase sempre as pessoas me percebem apenas como um cara bastante seguro, confiante, sem medos e que sempre tem uma palvra de incentivo para dar - em geral não imaginam que meus temores por vezes chegam a ser banais, como são os temores de todos nós.

 

Há tempos percebi que para o meu perfil psicológico, alterar o estado emocional ou buscar refúgio em qualquer substância, lícita ou ilícita, é certeza de tristezas e angústias absurdas na manhã seguinte, motivo pelo qual não uso nada, bebo raramente e sempre estipulo uma cota antes de iniciar... Passarinho que come pedra sabe o cú que tem!

 

Vamos tomar cerveja? Defino antes que a minha cota será de uma garrafa, ou dois chopps e paro por aqui. Caipirinha, só se for de saquê. Quero distância de vodka, de pinga, de cachaça mineira de alambique feita de forma artesanal. Celebração com um vinho? Perfeito, vamos brindar com um vinho... Umas duas taças, não mais que isso, e só se for de boa procedência, afinal como diz aquele ditado: "A vida é muito curta para se embebedar com vinho vagabundo...".

 

E há tempos abdiquei de substâncias ilícitas, não que tenha sido grande apreciador dessa imensa variedade de porcarias hoje existente. Sempre fui bem careta e medroso, mas durante algum tempo fumei, baseado em que poderia fazer quase tudo, contanto que eu possuísse e não fosse possuído, e assim foi até o dia que me senti possuído e conclui então que estava na hora de encerrar esse ciclo. Hoje não suporto nem o cheiro e acho uma babaquice quem faz apologia e defende seu consumo, ou quem acredita em uso recreacional, apenas... Não condeno quem ainda acha bacana usar, mas prefiro não me relacionar com gente que pensa dessa forma, por opção simplesmente.

 

Mas voltando ao saudosismo e à melancolia, é muito comum para mim voltar no tempo e ficar imaginando como as coisas "poderiam" ter sido diferentes - faço isso diversas vezes ao dia, sem me dar conta. Não acho isso uma total perda de tempo não, funciona para mim como análise e me orienta a agir de forma melhor e criar perspectivas de um futuro mais bacana, busco tirar as lições desses episódios passados e não repetir os mesmos erros, não fico alimentando as minhas culpas e sim reconhecendo-as - o que é bem diferente.

 

Mas isso tem um lado perigoso, que tem sido assunto recorrente na psicanálise. O perigo reside basicamente em endurecer ainda mais um coração já bastante calejado, por mais que eu saiba que cada pessoa é única e todos estamos em constante evolução, em permanente amadurecimento. Mas eu ainda travo, puxo o freio de mão e fico paralisado, sobretudo naquelas perspectivas de felicidade imediata e urgente. 

 

E quando conheço alguém legal, quando pinta a possibilidade de romance? Chi... Acontece que minha cabeça racional fica pensando, tentando prever o que vai acontecer, como agir e eu acabo me fechando, o que tende a causar insegurança e deixar o outro sem saber como agir.

 

E quando um dos envolvidos não sabe como agir, o outro tenta e faz o que acha certo, mas fica uma confusão só. Fica confuso, pois ainda que as dúvidas e inseguranças sejam veladas e supostamente compreendidas, ainda que olhos nos olhos fique claro que o que a gente está querendo é apenas carinho e atenção e também que o outro se permita receber o nosso carinho e a nossa atenção, a gente se acostuma com o verbal, não é?

 

Estou iniciando um romance gostoso, bem leve e docemente afetuoso, de confidencias gradativas e me sinto feliz nesse convívio. Não temos grandes expectativas, nem sei se temos ainda idade para amores fatais e fatídicos. Embora reconheça que esse papo de idade é careta além do razoável, papo furado mesmo, pois sei que nunca é tarde, nunca é cedo, e as minhas aflições aos quarenta não são muito distantes das que tinha aos dezesseis, apenas devidamente amadurecidas e trabalhadas no divã. Ainda assim, bola prá frente!

 

Para encerrar, estava lendo agora a tarde o blog de um querido amigo "paraióca" e a sinopse de um filme da mostra recente no Rio de Janeiro me chamou a atenção... Por sorte lido bem com a solidão amiga do peito, aquela que como diz o poeta "me dá tudo o que eu tenho por direito, me diz e me ensina", venho trabalhando essa coisa da melancolia e cada vez mais olho para o futuro com olhos de criança.

 

Ainda assim impossível não me identificar com o que li e o filme atiçou minha curiosidade.

 

Antes que eu esqueça - Pierre é um escritor de 58 anos, portador do vírus da Aids, que vive na mais completa solidão. Preso ao passado, não consegue inspiração para escrever. Tentando furar o bloqueio criativo, ingere remédios em série. Nesse estado, ele descobre que seu antigo companheiro faleceu. Nos dias seguintes, desesperado, precisará enfrentar a polícia, a família, as doenças, e, com velhos amigos, lembrar da juventude perdida. Com a ajuda de um gigolô, no entanto, Pierre fará um esforço final para realizar suas últimas fantasias. O filme mostra o quão deprimente pode chegar a existência do ser humano.

 

Para saber mais:  Mirar e Ver - Medindo Dias

 

Um forte abraço, fiquem com Deus.

 


Escrito por Tiago Quintana às 20h00

pessoa

Sábado , 13 de Outubro de 2007

 

 

besos chico, dorme bem

bambino...


Escrito por Tiago Quintana às 22h34

Turma da Mônica

Sexta-feira , 12 de Outubro de 2007

 

 

11 de outubro - Dia de Assumir.

12 de outubro - Dia da Criança.

 

 

Estou com um sorriso gostoso no rosto por conta, entre outras coisas, de uma mensagem que recebi agora cedo de uma amigona de infância, com a qual vivi a minha primeira experiência nos palcos da vida em 1980 e que não vejo há mais de 20 anos, onde ela me indagava o seguinte:

 

Querido Montéquio Cebolinha,

Conta para mim!
Naquela época, de "Montéquios & Capuletos", você já sabia que estava mais para o "Cascão" do que para a "Mônicapuleto"?

Abra o seu coração, eu te entendo!!! rsrsrs

Beijo,


Julieta Monicapuleto

 

Fiquei paralisado na frente da tela por alguns instantes e sem pensar muito respondi:

 

Querida Julieta Monicapuleto,

Sabe que naquela época eu achava que todos nós éramos iguais ao "Anjinho", gostava de estar entre amigos e não tinha muito noção dessas coisas de namorar, gostar de alguém, sentir atração física ainda não.

Mas já sacava que eu tinha alguns diferenciais, que era um garoto mais sensível que os demais, gostava mais de uma leitura que de uma quadra de esportes e a experiência com o teatro foi uma prova disso. Guardo lindas recordações dessa época.

Então o tempo foi passando e lá pelos meus 15 anos eu fui estudar bem longe de casa, e nessas andanças fora da nossa ilha, cruzei olhares com Chicos Bentos, Cascões e Franjinhas e me dei por conta que eles me interessavam mais que as Mônicas, Magalis, Rosinhas...

E te digo que, intimamente, não foi um processo tão difícil não.

Intimamente, pois socialmente foi sim!

O tempo passou e depois de aventuras diversas com praticamente toda a turma da Mônica, inclusos as Tinas e Loucos da vida, e também aquela galera do Penadinho, descobri que o Anjinho é que fez a melhor opção... Namorar, meninos ou meninas, dá um trabalho danado! Por mais legal que seja tenho pensado que é melhor se ocupar em dar carinho e proteger os amigos, não é?

De qualquer forma gostei da tua pergunta! E achei perfeita para um dia da criança... Só a gente sabe o quanto aquela nossa experiência marcou as nossas vidas e me lembro com muita saudade da leveza da existência naquela época.

Beijos

Romeu Montéquio Cebolinha

 

 

E mais uma vez embarquei no Tunel do Tempo, meu fiel escudeiro para esses momentos de reflexão. Voltei ao ano de 1979 quando eu e minha família enfim saímos do aluguel de uma casa imensa num bairro de periferia e fomos morar num apartamento bacana num bairro de classe média.

 

E foi então que comecei a criar novos amigos, as cidades iniciavam a época dos condomínios residenciais, cheios de crianças, e sempre aparece algum adulto bacana tentando trabalhar a coisa da inclusão entre as crianças e nesse ponto esporte e arte são perfeitos. Como eu tinha pouca habilidade para esporte aceitei participar de um grupo de teatro.

 

A peça escolhida?

 "Mônica e Cebolinha no mundo de Romeu e Julieta".

 

Era um grupo amador, absolutamente amador, com adultos entusiastas e crianças efusivas. Havia uma professora que se propôs a adaptar os textos e também ensaiar as crianças, minha mãe que era costureira se aventurou nos figurinos, produziu muita roupa de cetim colorida apenas copiando as imagens do gibi e muitos acessórios para dar o clima. O cenário também era muito simples, me lembro que forramos uma caixa de geladeira para servir de balcão, colocamos um caixote atrás para sustentar e dar altura, prendemos na parede com barbante.

 

Tudo bem simples mas feito com muita imaginação e a dedicação de todos. Fizemos a primeira apresentação, ali mesmo no condomínio, mas eram tantas crianças que tivemos que repetir no dia seguinte e na outra semana e quando nos demos por conta as escolas do bairro queriam ver nosso trabalho e assim iniciamos uma "turnê" que durou meses (ou semanas), não importa.  

 

No ano seguinte tentamos uma nova montagem, com mais atores, de forma a permitir a participação de mais gente, mas por razões que não me lembro ao certo o grupo acabou se desfazendo.

 

Fui ter contato novamente com teatro no colegial, já adolescente lá na Escola Técnica Federal, me lembro de um grupo chamado "IVAMBA - Influência dos Ventos Alíseos na Menstruação da Borboleta Azul", que fazia montagens regulares, mas não fui aprovado para um papel e desencanei, acabei fazendo oficinas de artes plásticas e depois de ter tido algumas aulas de teatro com o Emílio Fontana, mas tinha pouco tempo e acabei desistindo, nunca levei muito a sério esse meu lado e preferi trabalhar em outra área, menos apaixonante mas mais lucrativa.

 

 

Para encerrar, parte das mensagens na nossa montagem eram passadas através de músicas, para isso a gente tinha um rádio gravador cassete AM-FM CCE e tocava as músicas gravadas em fitas mesmo, não me recordo muito como a gente conseguiu essas gravações não.

 

Mas a música do final, que fala dessa busca incessante de todos nós por um "par", quando o Romeu Montéquio Cebolinha enfim encontra o amor e a sua amada Julieta Monicapuleto, diz mais ou menos isso:

 

"O amor pode estar perto de você

sem que você perceba nada.

Olhe em volta e você verá!

Tem gente agora olhando pro seu lado

com um jeito interessado...

Olhe em volta e você verá!

Só o amor pode transformar o mundo.

Você vai ver que os seus dias cinzentos

 vão ganhar mais cor!" 
 

 

E como é bacana a gente se lembrar da infância, não é?

 

Feliz dia das crianças, fiquem com Deus!

 


Escrito por Tiago Quintana às 11h41

Poderosa

Terça-feira , 09 de Outubro de 2007

 

Modelão e Fotografia.: Caio (AGPH)

 

No post anterior "Gênero e Identidade Sexual" eu falava da quarta edição do Projeto Purpurina, quando nossa convidada muito especial seria a Barbara Graner, militante transexual com belo histórico de vida, que até então eu desconhecia. Devo me confessar com muito pouca informação sobre muitos assuntos que deveria ter mais conhecimento, ainda mais escrevendo num veículo como esse que é voltado à diversidade sexual. Mas bastou ler a entrevista dela ao MixBrasil para minha curiosidade ser profundamente atiçada, e então mais alguns "googles" da vida para que eu me informasse e chegasse ao encontro com a linda e poderosa já me sentindo íntimo para recebê-la.

 

E que mulher encantadora! Deixou todos nós fascinados, a Profa. Edith tinha mesmo razão quando disse maravilhas a seu respeito. Eu então já sabia um pouco da sua história de luta e de coragem para se tornar aquela mulher que sempre foi, mas, ouvir tudo dela mesmo, com todas as expressões de dor e alegria do seu ser, foi um presente que me tocou profundamente. Um exemplo, mesmo. E se, do alto dos 40 anos, eu fiquei extasiado, bastante emocionado, fico então imaginando a revolução na cabeça dos garotos do projeto, jovens e adolescentes gays, para os quais o tema pouco abordado da transexualidade e travestilidade deixava de ser tabú.

 

E eu aqui, nas minhas divagações sobre adolescência e transexualidade, embarquei no Túnel do Tempo e voltei ao longínquo ano de 1983, quando pela primeira vez deparei com essa coisa dos conflitos entre gênero e identidade sexual. Eu tinha 16 anos e é sobre isso que vou contar um pouco agora.

 

Eu costumava passar alguns dias das minhas férias na casa dos meus tios, numa dessas muitas cidades dormitório na grande São Paulo. Pois havia, entre outras tantas razões, a facilidade de ser gay por lá... Um dos meus primos, três anos mais velho, era gay já descolado e me dava dicas, me apresentava os amigos dele que curtiam e era uma grande festa nas tardes que passávamos sozinhos em sua casa, um entre e sai de garotos com a testosterona a milhão. Bons tempos... Mas o ponto nem é esse, não vou relatar aventuras sexuais não... Vou falar da "poderosa"...

 

Eu lembro com perfeição de estar jogando bola num campinho de terra batida quando alguns garotos pararam o jogo para a passagem de uma senhorinha de idade já bem avançada, cabelo bem branquinho preso em coque com trança embutida, conduzida pela "poderosa". A "poderosa" era na verdade mais um dos garotos nascidos naquela comunidade pobre, com o diferencial de que desde os 12 anos se vestia de mulher, com roupas simples feitas pela avó e que apesar dessa particularidade era bastante respeitado por todos no pedaço, talvez pelo carinho com que tratava a avó, talvez pela personalidade meiga e forte.

 

A "poderosa" se chamava Vagner, mas ninguém mais se lembrava desse nome (exceto a avó...) pois havia adotado há alguns anos o nome de Tatiane Gurgel. E então meu primo me explicou que "ele" era "ela" quando vinha para São Paulo, buscar nas ruas algum dinheiro para o sustento da avó, já bem velhinha, com quem morava e conviviam em perfeita harmonia. Uma cuidava bem da outra, como deve ser. Mas a avó não sabia desse detalhe, ela falava que fazia limpeza em casa de gente rica e como ficava tarde tinha que dormir por aqui mesmo...

 

Naquela tarde ela havia saido para buscar a avó numa igreja evangélica, como fazia sempre nos dias da semana(com o detalhe que apenas a levava até o culto e aguardava do lado de fora até o seu término) e eu fiquei curioso, bastante curioso por aquela figura impar. Um menino que acreditava ser menina. Vale lembrar que nessa época eu já curtia garotos, sexualmente falando, mas ainda acreditava gostar de garotas, socialmente falando, e tinha os mesmos conflitos que muitos jovens têm ainda hoje, gostava também de garotas, sexualmente falando, mas os garotos me fascinavam, afetivamente falando. Mas nem sei se curtia tanto assim, nem um gênero e nem o outro. Era bem confuso sim.

 

E acabou que a gente foi apresentado, a empatia foi imediata. Muitos assuntos para conversarmos, tínhamos a mesma idade, as afinidades foram surgindo e durante os dias que estive por lá a gente conversava muito, sobre tudo. Ela lia poesias para mim, era uma menina nos gestos e nas atitudes, aquilo me instigava, até que rolou um clima, a gente trocou uns beijos, mas não passou disso. E ela me contava das suas noites na avenida, por pura necessidade, e do quanto se incomodava com aquilo, mas que necessitava ajudar a avó, me contava os seus sonhos, um deles era fazer a cirurgia de adequação de sexo, mas que sabia ser uma utopia para uma jovem pobre de uma comunidade carente ao extremo, ainda mais naqueles anos difíceis de ditadura militar. 

 

A gente trocou endereço e alguns dias depois eu recebi em casa um cartão postal do Viaduto do Chá, com a seguinte poesia, da qual jamais me esquecerei:

 

"As muitas águas não poderiam apagar esse amor,

nem os rios afogá-lo;

ainda que alguém desse toda sua fortuna,

certamente desprezaria".

 

Minha mãe foi quem recebeu o postal, quando cheguei da escola me perguntou se eu estava azarando as menininhas da periferia, com um certo despeito no olhar e ao mesmo tempo com certo orgulho, supondo ser eu um garanhão que comia todas... Eu fiquei bem sem jeito, desconversei, ela desconfiou, ligou para a minha tia, que indagou o meu primo, que entregou os detalhes daquela moça. Tomei uma bronca, uma chamada daquelas e ouvi um monte de besteira. Mas passou e o assunto foi encerrado, felizmente. Minhas próximas férias teriam outros destinos e quando voltei lá aos finais de semana a gente nunca mais se viu, ficou por aquilo mesmo.

 

Alguns anos depois e aquela adolescente frágil já era uma jovem cujo corpo havia transformado, mas sem os exageros que muitas vezes vemos. Nós nos encontramos por acaso numa boate para lébicas que havia na Rua Santo Antônio e eu não a reconheci, foi ela quem veio falar comigo. Era outra pessoa, agora sim parecia uma mulher, cabelo bem comprido, seios pequeninos num corpo já arredondado, maquiagem discreta, roupas que não eram mais costuradas pela avó com os retalhos que surgissem, mas mantinha a mesma fala mansa daquela menina doce e bastante meiga que eu conheci anos atrás. Fiquei impressionado com a sua transformação, nós conversamos e ela me contou que a avó havia falecido e ela se mudado em definitivo para São Paulo, morava numa kitnet ali mesmo na Bela Vista.

 

Mais alguns anos e soube, pelo meu primo, que ela havia conhecido um gringo no carnaval do Rio, que se apaixonaram verdadeiramente e ela havia embarcado com ele para a Suíça. Algum tempo depois e meu primo contou que ela havia feito a tão sonhada cirurgia de adequação sexual, mas eu nunca soube se isso tudo era verdade, pois meu primo era um mentiroso de mão cheia, mas não aqueles mentirosos pilantras como a gente vê aos montes, e sim aqueles mentirosos lindos que alegram a nossa existência com suas mentiras poéticas e que enxergam tudo na vida com um toque de cinema.

 

Então para ele, se era para criar um enredo para o seu amigo Vagner (que ele talvez nunca mais tivesse encontrado), a "poderosa" que conheci naquela tarde ensolarada num campinho de terra batida e que morava numa casa de blocos aparentes (igual a muitos jovens para os quais essa história conflituosa de gênero e identidade sexual é sentida na pele, em todos os confins do mundo), nada mais justo que algo que atendesse aos seus mais profundos anseios de uma princesa.

 

E ele me contou também que o marido da "poderosa" era um homem lindo, rico e muito gentil. Um verdadeiro príncipe de olhos verdes, daqueles que toda mulher sonha conhecer um dia. Aliás, quem não sonha?

E apesar de não saber da veracidade desse desfecho, eu fiquei muito feliz por ela, pois sabia que aquele sonho havia sido sonhado no profundo da sua alma e confidenciado a mim quando éramos ainda dois jovens sonhadores.

 

Por acaso alguém sabe me dizer se isso tudo é real? Espero que sim! Aliás, o que é real?

 

E eu dedico essas divagaçõea para a Barbara Graner, que me remeteu a dias tão distantes e tão felizes, com meu profundo carinho e admiração.

 

Um beijo, fiquem com Deus.


Escrito por Tiago Quintana às 21h43

Gênero e identidade sexual

Quarta-feira , 03 de Outubro de 2007

 

Bom dia amigos,

 

Faremos domingo próximo (07 de outubro)

 a quarta edição do Projeto Purpurina,

projeto social que vem crescendo a cada edição

e que já conta com um grupo fiel de jovens,

 alguns estão conosco desde a primeira edição

e não perdem esse evento por nada.

 

Mas uma coisa que achamos estranho:

a ausência de garotas nas reuniões.

 

 

 

Será que o nome do projeto as espantou?

 

Estamos pedindo aos garotos

 que participaram das reuniões anteriores

que retornem e tragam alguma amiga,

assim temos a desejada diversidade,

mas é algo que nos causa estranheza

 essa ausência feminina.

 

Na edição de domingo trabalharemos

a questão de gênero e identidade sexual.

 

Nossa convidada especial é a Barbara Graner

(clique no link para ler entrevista ao MixBrasil em 2005)

 

 

A Bárbara é uma transexual do interior do estado,

que segundo quem a conhece é uma pessoa adorável,

inteligente e que se expressa com bastante clareza.

 

Além de linda...

Vale a leitura da entrevista!

.

.

.

 

Então fica o convite para mais esse evento.

 

Começa as 15hs e teremos uma equipe no Metrô Vila Madalena aguardando na saída das escadas rolantes.

 

Um abraço e até lá! 

 


Escrito por Tiago Quintana às 09h44


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