BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

Março, no Purpurina

Segunda-feira , 25 de Fevereiro de 2008

 A descoberta da Homossexualidade

 

 

 

Data: 02 de Março

Local: Escola da Rainha - Estudos da Supraconsciência

            Rua Rodésia, 213 - Vila Madalena

Horário: 15hs, com transporte saindo do Metrô Vila Madalena

Tema: A descoberta da Homossexualidade

 

Coordenação:

Michelle e Flávio Guto

 

Convidados:

André Fischer - fundador e co-diretor do Festival MixBrasil de cinema e vídeo da diversidade sexual.

Celinho Porto - premiado no concurso internacional de vídeos do Youtube.

 

Exibição de curtas do Festival MixBrasil de Cinema

 

Realização:

  • Grupo de Pais de Homossexuais - www.gph.org.br

     

    Agradecimentos:

  • Escola da Rainha - www.escoladarainha.org.br

  • MixBrasil - www.mixbrasil.org.br

     

    Apoio:

  • Conselho Tutelar

  • Secretaria Municipal de Saúde

  • Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual


  • Escrito por Henrique às 18h46

    alma

    Sábado , 23 de Fevereiro de 2008

     

    "Há almas que têm as dores secretas,

    as portas sempre abertas sempre pra dor,

    há almas que têm juízo e vontades,

    alguma bondade e algum amor,

    há almas que têm espaços vazios,

    amores vadios, restos de emoção,

    há almas que têm a mais louca alegria,

    que é quase agonia, quase profissão.

     

    A minha alma tem um corpo moreno,

    nem sempre sereno, nem sempre explosão.

     

    Feliz esta alma que vive comigo,

    que vai onde eu sigo o meu coração."

     

    Sueli Costa e Abel Silva


    Escrito por Henrique às 19h00

    fonte da vida

    Quarta-feira , 20 de Fevereiro de 2008

     

     

    Eu me amarro muito em cinema e são vários os temas que me interessam, não tenho hábito de ler críticas e sou daqueles que quando decide ir ao cinema, simplesmente vai ao cinema e chegando lá vê quais são as opções de títulos e horários, autores, atores e diretores, compra o bilhete, entra na sala, assiste sem muitas expectativas e sai de lá feliz, mesmo que o filme não seja lá grande coisa.

     

    Uma vez li em algum lugar que sair de um filme antes do seu encerramento é uma absoluta falta de respeito com a arte, desrespeito com a arte sim, antes de sê-lo com o diretor. Agüenta até o fim, caramba!

     

    Quem que nunca assistiu algo que nos primeiros minutos pareceu ser uma imbecilidade total e que foi surpreendido com um final espetacular? Ou o contrário, um filme lindo e envolvente que te segurou e acabou quando você menos esperava, ou que ao final deu uma virada e se transformou em algo de gosto duvidoso?

     

    Já tive sonhos de fazer um filme, fosse produzindo o roteiro, dirigindo ou mesmo atuando, me sentiria feliz em qualquer função contanto que não fosse mero coadjuvante, mas nunca tive isso como prioridade e esse sonho de menino decorria basicamente dos meus prazeres eternos de buscar ver o mundo pelos olhos de outras pessoas e também de enviar as minhas mensagens sobre o que penso ser a Vida.

     

    Até a semana passada, se alguém me perguntasse qual era o filme da minha vida eu diria sem pestanejar: Bagdad Café... Por razões diversas, a começar pelo clima feliz de romance e paixão que vivia à época que o assisti, nos idos de 1990, pela sensibilidade do filme em si, pelas interpretações primorosas e por todos os questionamentos que a película me trouxe.

     

    Durante quase 18 anos ele foi assim imbatível, nem mesmo o terno Brokeback Mountain conseguiu tirá-lo dessa posição, ainda que tenha me marcado muito também, mas os tempos eram outros, e por mais linda que seja a história, o meu momento pessoal não era tão passional como era na última década do século passado.

     

    Mas acho mesmo que isso mudou essa semana com o filme "The Fountain", "A Fonte da Vida"...

     

    Sabe aqueles filmes que te trazem todas as respostas que você vem há tempos procurando, para as perguntas que você sequer sabe ainda formular? Sim, sem exageros ou licenças poéticas, eu disse todas as respostas, mesmo! E para ser melhor ainda, junto a todas essas respostas vem um monte de novas perguntas, ainda em fase de elaboração, pois que graça teria ter em mãos todas as respostas e nenhuma pergunta mais?

     

    Se eu tivesse que fazer um filme seria esse.

    Não assistiu? Eu recomendo!

     

    Post editado.: Apesar da menção ao cinema, eu assisti esse filme em DVD mesmo, o que facilita a vida de quem se interessou pela obra-prima... E mesmo tendo a certeza de que no cinema o impacto é maior, assistir em casa tem algumas vantagens, tais como: pause para buscar um pudim na geladeira, áudio e legendas em português, espanhol e inglês, o que também é um bom exercício para melhorar a conversação... Isso sem contar os extras com o making of, entrevistas e tudo mais. Me esqueci desse detalhe!

     


    Escrito por Henrique às 08h11

    clarícias...

    Domingo , 17 de Fevereiro de 2008

     

     

    Hoje eu acordei com aquele sorriso bobo no rosto, sem nenhuma razão que o justifique. Gosto disso, de ficar sorrindo sem ter motivo algum, parece que o sorriso vai durar uma eternidade, é bem diferente daqueles sorrisos que a gente consegue explicar e que por esse esforço tolo compreende, tristemente, que pode se acabar num breve cochilo.

     

    Tenho ficado muito em casa nesses dias, namorando a mim mesmo, cuidando das minhas coisas, indo e vindo ao soprar dos meus desejos, sem expectativa alguma. Algumas vezes é bom também, em outras dá um certo tédio e quando isso acontece eu recorro a essas clarícias pra alma: escrever, ler...

     

    Aliás, esse meu post muito dos bregas eu bem que poderia chamar de "frases super chiques para usar no msn" ou ainda "frases cabeça para impressionar no seu profile do orkut"...

    Esse horário de verão me deixou meio assim, passado...

     

    Mas chamo de Clarícias mesmo, pelo amor delírio que sinto por essa louca estrangeira desvairada, alucinada e criança, essa insana adorável mais que brasileira, que me fisgou quando eu era um menino com os mesmos conflitos que ainda guardo comigo.

     

    E me conta uma coisa, você cultura que também gosta dela: das frases que selecionei abaixo, todas são de sua autoria? Ou tem alguma que não é, ou apenas uma é dela?

     

    Quiz para uma leitura ensolarada...

     


    "...eu trocaria a eternidade de uma vida de depois de morta

    pela eternidade enquanto estou viva."


     "Mas há a vida que é para ser intensamente vivida,

    há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota.

    Sem nenhum medo. Não mata." 


    "Abandone-se, tente tudo suavemente,

    não se esforce por conseguir -

    esqueça completamente o que aconteceu

    e tudo voltará com naturalidade." 


     "A vida vai nos dando a liberdade de irmos construindo

    mais e novas famílias... Talvez a maior graça divina

    seja mesmo o livre arbítrio!"


     "Não sei por que certas pessoas se referem à infância

    como a época mais feliz de suas vidas.

    Eu lembro os meus dias de criança,

    como um período interminável,

    monótono e triste, onde o medo dominava tudo

    medo do desconhecido.

    Para mim, o paraíso infantil não existe.

    Não acredito na bondade, nem na inocência das crianças."


     "A palavra é o meu domínio sobre o mundo."

     


    Escrito por Henrique às 09h07

    O peso da dúvida

    Quinta-feira , 14 de Fevereiro de 2008

     

     

    Eu escrevi aqui nesse blog, em julho de 2006, um texto cujo título era: "Será que alguém ainda morre com aids?", onde eu questionava algumas informações divulgadas na mídia, que davam a perigosíssima impressão de que a taxa de mortalidade por aids estava bastante baixa, quase zero, que o uso do coquetel de medicamentos era sinônimo de cura da doença e também questionava se as pessoas estavam se ocupando com prevenção ou apenas se preocupando com o relaxo na prevenção, pois a gente sabe que muita gente não está nem aí pra essa sindrome e se acha não vulnerável.

     

    Esse texto rendeu bons comentários, muitos mesmo, alguns bastante entusiasmados.

     

    Mas infelizmente, por conta de algumas mudanças nesse portal bagunçado após esse novo editor de blogs, o texto e os comentários foram perdidos, ou estão em alguma área desconhecida dos servidores que ninguém na redação até o momento se ocupou de me informar... Já questionei algumas vezes, mas o retorno dos nossos amigos é nenhum, começo a me acostumar com essa falta de atenção... É bem provável que eu tenha o texto salvo em algum canto qualquer dessa minha máquina e vou republicá-lo qualquer hora dessas, mas o que me faz voltar nesse tema, mais uma vez, são algumas informações publicadas recentemente e que gostaria de avaliar com vocês.

     

    Acredito que quando uma pessoa entre num processo de conscientização quanto ao risco de ter se contaminado, e esse risco é real para todas as pessoas sexualmente ativas, inclusas as que alegam transar 100% das vezes de forma segura (se é que sexo pode ser 100% seguro...), é bacana que ela tenha modelos positivos de pessoas que convivem em relativa harmonia com o vírus para se espelhar e não se render aos fantasmas que assombrarão sua mente quando esse processo se iniciar.

     

    Aquele momento em que somos sorointerrogativos é com absoluta certeza muitíssimo pior que quando nos sabemos positivos ou negativos. Conviver com essa dúvida é sempre pior, as pulgas atrás da orelha de quem sabe que relaxou, gozou e não se cuidou são tenebrosas!

     

    Eu estou lidando atualmente com adolescentes gays, por conta do Projeto Purpurina, e me impressiona que apesar do acesso à informação estar bastante facilitado, muita gente ainda é absolutamente ignorante quanto ao assunto. Tenho ouvido verdadeiras pérolas, para não dizer imbecilidades, e muitas vezes de gente que não é tão jovem assim e deveria ter um pouco mais de consciência. Quer algumas?

     

     

    - Não adianta fazer exame... O vírus fica encubado mais de um ano, pode não acusar... Você nunca vai saber ao certo se tem ou não, é desgastante ficar fazendo teste toda hora...

     

    - Namorar com uma pessoa que tem o vírus é como conviver com uma panela de pressão sabendo que a qualquer instante ela vai explodir nas suas mãos...

     

    - Há um consenso de que quem tem aids só deveria namorar com quem tem aids! Assim a gente consegue controlar essa doença, quem não tem só transa com quem não tem...

     

    Eu já estou habituado a esse tipo de gafe e fico na minha, há tempos que não defendo mais de forma fervorosa as minhas idéias, ainda mais em grupo quando o foco não é a minha realidade e quando sei que se soubessem da minha condição sorológica talvez pensassem antes de falar essas idiotices. Ainda assim é tranqüilo isso pra mim, acho que já me acostumei com isso. Mesmo.

     

    Estive lendo algumas pesquisas essa semana com dados que são alarmantes e que impressionaram: cerca de metade das pessoas que tiveram diagnóstico positivo para hiv nos últimos cinco anos, iniciaram com o tratamento imediatamente, mas quando seus organismos já estavam bastante frágeis e debilitados; por conta dessa fragilidade física, uma em cada três dessas pessoas foi a óbito muito rapidamente pois não respondeu ao tratamento - e por doenças oportunistas como pneumonia, perfeitamente tratáveis, o que me faz concluir que a cada seis pessoas com notificação recente de hiv positivo, uma delas, um desses novos casos, resultou em óbito muito rápido!

     

    Em outra pesquisa, de cada dez pessoas que tiveram ao menos um contato sexual considerado por ela mesma como "de risco" no último ano, apenas uma intencionava fazer voluntariamente exame mesmo sem apresentar indício algum de problemas de saúde.

     

    E as demais? Não. As outras nove admitiam que haviam se exposto, mas preferiam simplesmente ficar aguardando, torcendo para que não houvesse nada de errado...

     

    Outra pesquisa que achei interessante, dizia que pessoas soropositivas em tratamento eficiente e com carga viral de hiv indetectável, praticamente não trasmitiam o vírus. É lógico que isso não é o passaporte para abdicar das precauções, mas como comentou um leitor, é um alento para casais sorodiscordantes em caso de um acidente. 

     

    Eu conheço alguns casais sorodiscordantes, quando um é positivo para hiv e o outro é negativo, que nem sempre usam preservativos e que mantém essa discordância, transam com o que chamam de risco controlado. Isso não tem nada a ver com a prática bareback, que no meu entendimento é uma prática suicída e condenável, mas cada um com seu livre arbítrio.

     

    Muitos desses jovens que se recusam a fazer exames de hiv, insistem em viver na corda bamba, pulando de galho em galho, até que adoecem e se descobrem num beco sem saída. Como explicar que não respondem ao tratamento? Como explicar que fazem exames de compatibilidade de medicamentos e constatam que estão infectados com cepas do vírus resistentes a todas as drogas existentes?

     

    Some-se a essa infecção alguns hábitos de vida que são imunosupressores, ou seja, hábitos que por si só fazem cair a resistência, mesmo de quem não tem mais esse agente viral: poucas horas de sono, cigarro em excesso, todo tipo de drogas, álcool sem limite algum, alimentação irregular...

     

     

    Ou seja:

    - Vai morrer mesmo, não há medicamento que dê jeito!

     

    Então, o que te sugiro é que:

     

    - Se você mesmo questiona a segurança dos seus hábitos sexuais é melhor fazer exame, o quanto antes... O vírus fica encubado sim, mas vai acusar... Se der positivo, bola pra frente, busque tratamento. Se der negativo, ufa, teu santo é forte e pense melhor da próxima vez. Quem vê cara não vê aids, é desgastante ficar fazendo teste toda hora, então se liga...

     

    - Namorar com uma pessoa que tem o vírus não é igual a conviver com uma panela de pressão pensando que a qualquer instante ela vai explodir nas suas mãos... Pode ser muito mais seguro do que você pensa.

     

    - Se você pensa que quem tem aids só deveria namorar com quem tem aids e que assim a gente vai conseguir  controlar essa doença, que quem não tem só deve transar com quem não tem, beleza, faça o seu exame e decida com quem você quer transar...

     

    - Repense seus hábitos, de forma geral. Quem deve saber o que é bom pra você, é você mesmo.

     

    E como andam seus hábitos sexuais? Você os considera saudáveis e seguros, se sente confortável em fazer um exame de hiv? E o seu cotidiano, como seu organismo vem reagindo? Você se sente saudável ou sua saúde é uma montanha-russa, cheia de altos e baixos? Você se alimenta bem, dorme o suficiente ou esses são luxos que não cabem no seu cotidiano, afinal a Vida é para ser curtida à exaustão? Drogas fazem parte da sua Vida e você não se imagina sem elas, ou você passa longe dessas porcarias?

     

    Pense nisso com carinho. É você por você, mais ninguém.

    Um forte e caloroso abraço!

     


    Escrito por Henrique às 23h55

    soropositivos na mídia

    Segunda-feira , 11 de Fevereiro de 2008

     

    Muito se fala sobre hiv e aids, mas em geral as matérias publicadas na mídia falam muito sobre as formas de contágio, que continuam elevadas sobretudo entre os jovens que cada dia mais relaxam com a prevenção tendo a idéia equivocada de que é uma doença crônica, e sobre os novos tratamentos, que para muitos acaba soando como um alento de que caso se infectem terão uma vida maravilhosa pós hiv, bastando para isso ingerirem alguns comprimidos por dia... Quando se fala sobre efeitos colaterais é de forma superficial.

     

    Isso sem falar em algumas matérias preconceituosas sobre as pessoas infectadas, associando-as à promiscuidade e à falta de auto-estima... Como se fosse assim tão simples! São raríssima as matérias falando sobre a rotina de vida de uma pessoa soropositiva, e se você googlear buscando blogs de pessoas que convivem com hiv verá que há muita pouca coisa escrita e poucos são os que mostram a cara.

     

    Aqui no MixBrasil eu sou o único que fala abertamente sobre o tema. Me preservo através desse heterônimo, embora me apresente publicamente sem temores, mas geralmente meus textos não têm destaque, talvez por esse portal estar mais ligado às questões que interessam à maior parte dos leitores, tais como estética, vida noturna e música, e principalmente à pornografia, ponto de interesse sobretudo dos assinantes e que gera boa parcela do faturamento do portal.

     

    Essa semana o Dr. Klecius Borges escreveu um texto para a G.Online, com considerações importantes e cuja conclusão repoduzo a seguir. Eu o conheço pessoalmente por conta do trabalho que desenvolvemos no Projeto Purpurina e valido suas considerações, da ótica de alguém que conVive com hiv há década e meia e vem buscando resignificar a Vida e os relacionamentos à cada dia!

     


     

    "Há, por outro lado, aqueles que, de uma forma ou de outra, conseguem ativar seus recursos, psicológicos, espirituais e sociais e, com isso, aprendem a conviver com a situação a partir de uma perspectiva menos sombria. A minha experiência indica que esses indivíduos são normalmente os que puderam atribuir algum significado a experiência da “doença”.

     

    Esse significado pode tanto advir de uma compreensão mais profunda da natureza humana diante da imponderabilidade da vida (visão mais filosófica), como de uma conexão com uma dimensão transpessoal, de caráter espiritual.

     

    É comum ouvir desses pacientes relatos comoventes sobre as “coisas boas” que a consciência decorrente do processo que vivenciam a partir do diagnóstico do HIV lhes trouxe. Histórias de morte (de uma atitude, de uma crença, de um padrão de relacionamento) e de renascimento (de uma nova consciência, de um jeito diferente de encarar a vida) tão caras a nossa alma.

     

    Pena que essas histórias raramente deixem os consultórios e, portanto, cumpram seu papel de nos aproximar emocionalmente das pessoas reais escondidas nas estatísticas oficiais, nos relatórios médicos e nas campanhas de prevenção.

     

    E pior, completamente invisíveis na nossa mídia."

     

    Para ler o texto completo ---> Convivendo com HIV

     



    Escrito por Henrique às 22h08

    Namoro no Purpurina...

    Quinta-feira , 07 de Fevereiro de 2008

     

     

    Há algum tempo não falo aqui nesse blog sobre o Projeto Purpurina, mas ele continua firme e forte, domingo teremos nossa oitava edição e nós temos a sensação de estarmos no caminho certo, uma sensação boa de que o projeto está fazendo a diferença na vida de algumas pessoas.

     

    Me lembro que antes da primeira edição, alguns militantes profissionais nos desanimaram dizendo que seria mais um projeto que não daria em nada, que já haviam tentado e que em geral os jovens gays e lésbicas não se interessavam por esse tipo de trabalho... Será que tinham um projeto?

     

    Ainda bem que a gente pensou um pouco maior que eles, não é mesmo? Hoje esse projeto tem o apoio moral do Conselho Tutelar e temos também algum apoio material da CADS - Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual, que abraçaram a nossa proposta e fazem o que podem, e é interessante registrar que aqueles mesmos grupos que nos desanimaram no passado recente hoje flertam com a gente...

     

    E não é só na vida dos jovens, público-alvo do projeto, que algumas coisas mudaram pra melhor! Também pra equipe de coordenadores e suas famílias muitas coisas melhoraram... Eu mesmo digo que minha relação com meus pais, que já estava boa, melhorou bastante e alguns assuntos que a gente evitava falar, hoje são tratados com muita naturalidade. Mesmo do meu pai, em geral mais reservado, por vezes ouço comentários desconcertantes...

     

    Apesar de ser uma única edição no mês, temos trabalho o mês todo, nossa equipe é pequena e a gente trabalha 100% voluntário, ninguém recebe um tostão pra fazer o que faz. Tem que fazer panfletagem no Shopping Tatuapé, mesmo com chuva e mesmo que os seguranças venham nos impedir!

     

    Aí a gente vai na administração do shopping, apresenta a ONG que gerencia o projeto, mostra que é um projeto sério, sem ligação com partidos políticos ou igreja, pede autorização para continuar panfletando e nem assim eles admitem que aqueles jovens existem e que alguém se importa com eles... Antes eles ficavam na praça de alimentação, mas hoje foram jogados pra um canto qualquer nos fundos do shopping... Triste, né?

     

    Aliás, para ser mais preciso, a gente até paga pra trabalhar! Muitos de nós, além de trabalharem, ainda contribuem com alguns trocados, afinal nós temos despesas pois alugamos o espaço das reuniões, fornecemos um lanchinho simples, pão com presunto e queijo, um bolinho e refrigerante, alugamos equipamentos. Pois é, a gente continua fazendo porque gosta mesmo, e também porque a Edith Modesto soube nos cativar, mas principalmente pelo respeito que temos pelos nossos jovens.

     

    Domingo vou estar lá logo cedo, a reunião é iniciada às 15hs mas a gente chega bem antes pra preparar tudo.

     

    O tema desse mês é namoro! Acho que ainda tenho algo pra aprender, faz tempo que não sei o que é namorar... E mesmo que você não seja assim tão jovem, aparece por lá! Pode mentir idade, a gente não vai te barrar na porta não, mas você corre o risco de se encantar com o projeto e querer ser voluntário também!


    Escrito por Henrique às 22h04

    debutante+

    Segunda-feira , 04 de Fevereiro de 2008

    Olá amigos,

     

     

    O texto abaixo não é inédito para quem acompanha meus relatos desde a época do ORKUT, há exatos dois anos, na comunidade Brokeback Mountain Anônimos... Eu sempre gostei de escrever e quando assisti o filme achei que tinha que dividir com outras pessoas a minha história de Vida, falar dos meus amores e da minha convivência razoavelmente harmoniosa com o hiv e com essa tal de aids, meus relatos tiveram excelente repercussão, voltei a exercitar a escrita e acabei chegando aqui, no MixBrasil, a convite do André Fischer, previamente assediado intelectualmente por mim...

     

    Para quem me conhece desde aquela comunidade, os textos foram atualizados. Para os demais, já vou avisando que o texto é bem longo, mas a leitura é fácil... Nele eu conto que em 4 de fevereiro de 1993 tive um diagnóstico positivo para hiv, daí o Tiago+ que uso nesse blog.

     

    Completo hoje, portanto, 15 anos positivos!

     

    Um forte abraço e até a CURA!

     

     

     

     

     

    * * * * * * *

     

     

    Naquela quinta-feira cheguei mais de uma hora atrasado no trabalho, por conta de uma tempestade de verão que na véspera havia alagado boa parte da cidade, fazendo com que muitas pessoas dormissem em seus carros. Uma das maiores enchentes em São Paulo, presente de Iemanjá, em fevereiro de 1993.


    No trajeto vinha pensando que no dia seguinte sairia meu resultado de exame de hiv, e pensava comigo mesmo: vai dar negativo e aprenda que nunca mais deve deixar de usar preservativos, mesmo quando estiver apaixonado; o cerco está se fechando, alguns amigos seus adoeceram e você não quer passar por isso.


    Alguns minutos após chegar ao departamento entra na minha sala o meu chefe, com uma cara de pavor, gaguejando com certa rouquidão e me pedindo que fosse ao ambulatório conversar com a médica da empresa. Perguntei a razão, ele me disse que não era nada, que não sabia ao certo do que se tratava, mas que eu contasse com ele...

    Achei aquela reação muito estranha, mas não relacionei com nada naquele momento.

    - Bom dia Tiago, me disse a médica.

    E antes que eu perguntasse qualquer coisa, disparou a falar:

     

    - Você fez recentemente alguns exames para sua cirurgia e também um exame de hiv... Bom, eu queria te dizer que uma coisa é estar com hiv positivo, outra é desenvolver um quadro de aids, ainda vamos pedir outros exames, pois existe a possibilidade de um erro no resultado, deve sim haver um erro, você poderia me responder algumas perguntas?

     

    E eu naquele intante senti um zunido na cabeça que parecia que iria estourar, me deu um nó no peito, uma embolada na garganta, senti meu corpo leve como que flutuando e também que não havia chão abaixo dos meus pés. Não consegui dizer nada, fiquei parado tentando entender o que significava aquilo e sequer questionei como que um exame pedido por um médico teve seu resultado divulgado para outro médico sem que antes eu fosse consultado. Passados alguns instantes tentei perguntar...

     

    - Mas como...

     

    - Veja, é a primeira vez que temos um caso desses aqui na empresa, e como teu convênio médico é pela empresa eles me comunicaram antes... É estranho, eu concordo, foge a todas as regras de privacidade dos pacientes, mas a decisão partiu do convênio. Mas não se preocupe, vamos tratar isso com sigilo.

     

    - Sigilo como? O meu chefe já está sabendo?

     

    - Sim, me desculpe. Não deveria ter contado, mas pode ficar tranquilo que ele vai te apoiar, será melhor para você, vamos antes pedir novos exames, na realidade eu tenho que me informar, não é minha especialidade, pode ficar tranquilo, você tem idéia de como adquiriu isso, você se sente bem, é usuário de drogas, homossexual ou teve alguma transfusão de sangue nos últimos anos...?

     

    Acho que esse foi o momento mais dificil, tanto para mim quanto para ela, contar das minhas intimidades, num momento em que estávamos tão fragilizados.


    Essa médica depois se tornou uma grande amiga, amizade que dura até hoje e algumas vezes me pediu desculpas pelo seu gesto impensado, chegou a dizer que se eu decidisse processar o convênio médico que ela argumentaria a meu favor. Isso me incomodou durante algum tempo, mas no instante que tive a certeza que não foi um gesto dela com intenção de me prejudicar ficou mais fácil para mim.

     

    Próxima etapa: exames confirmatórios e avaliação do quadro clínico. Diagnóstico confirmado, eis-me alí: 26 anos, faculdade concluída (embora tivesse algumas matérias pendentes...), excelente emprego, salário bacana, apartamento reformado e mobiliado, carro novo, muitos amigos, uma família presente na minha vida... E hiv ! Os exames disponíveis na época foram feitos, minha resistência estava normal, estava com CD4 em 700, para quem conhece o termo significava que não havia que me preocupar. Naquela época não havia exame de carga viral.


    Fui encaminhado por essa médica da empresa para uma infectologista que passaria a me monitorar a partir de então. O primeiro contato foi péssimo, e os seguintes ainda piores...

     

    - Qual a tua religião?


    - Isso não importa, mas está bom, sou católico de formação, não praticante, leio e estudo sobre todas as religiões mas não me apego a nenhuma, tenho restrições à interpretação de alguns homens, portanto não gosto de padres, pastores, rabinos, pais-de-santo...


    - Não praticante? Olha, você vai precisar se apegar a algo, e religião ajuda muito. Teu CD4 está bom, mais vai cair e não sabemos ainda em que rítmo isso acontecerá, é imprevisível. Quando chegar em 400, usaremos o AZT, que dá para usar por um tempo que varia de uma pessoa pra outra, usamos até quando cair abaixo de 200, pois aí não tem muito o que fazer, é rezar para Deus, por isso é que te digo que uma religião ajuda.


    - Animadora a senhora !

     

    - Pois é, você sabia como ter evitado essa infecção, se não o fez não é culpa minha! Ainda bem que descobriu logo, tem gente que chega aqui quando não dá para fazer mais nada. Mas no teu caso acho que dá para ter um ou dois anos de vida com qualidade, a partir daí não se sabe. Mais alguma dúvida?


    Saí do consultório deprimido, profundamente abatido e me sentindo derrotado nas batalhas que viriam a seguir. Não sentia vontade de chorar, aliás eu ainda não havia chorado por conta desse diagnóstico, mas sentia uma certa vontade de me matar - pois de que me adiantariam apenas mais dois anos de vida?


    Morrer antes dos 30, de aids? Definhar até que as pessoas me vissem agonizando em praça pública? Ser mais um igual Cazuza? Muito pra minha cabeça tão pequenina. Demais para mim, melhor então parar por ali mesmo. Mas como? Nunca havia imaginado suicídio e sequer teria coragem de fazer isso.

     

    E eis que um anjo soprou no meu ouvido e num ímpeto de amor à vida jurei para mim mesmo:


    - Se é para viver apenas mais dois anos, será longe dessa médica desgraçada. A medicina vai evoluir, vão surgir novos tratamentos, vão encontrar a cura e eu vou estar aqui para ver isso. Eu não vou me entregar, tenho pessoas que me amam e serei mais forte que isso. Eu tenho que ficar, eu quero ficar por aqui, eu quero muito ficar por aqui até a cura dessa merda dessa doença...

     

    Entrei numa farmácia, comprei caixas e mais caixas de vitamina C, cápsulas de alho, cápsulas de óleo de figado de bacalhau, multivitamínico para stress e mais um monte de coisa para me "manter saudável"...


    Os meses seguintes foram bem difíceis. Não conseguia sair, paquerar, olhar para as pessoas, conversar com os amigos. Me afastei, cortei contato com muita gente e passei a ter medo de tudo. Qualquer espirro era motivo de pânico, não poderia pegar uma gripe, um simples resfriado...

    Passados seis meses voltei a fazer o CD4. Havia baixado para 450 e aquela médica da empresa me sugeriu que voltasse a infectologista...


    - Me indique outro, por favor... Com aquela mulher eu não converso nunca mais...

    Mas era a única que atendia pelo convênio e tive que voltar, mesmo contrariado.


    - Noooooossa, teu CD4 desabou rapidamente! Isso é o que chamaríamos de infecção galopante, após um perído de latência do vírus no organismo! Algumas pessoas podem passar mesmo por isso, não sabemos ainda as razões! Vamos iniciar com o AZT! Refaremos o exame em 30 dias... Se continuar caindo talvez tenhamos que suspender o medicamento, pois acelerará a doença, existem pessoas que respondem negativamente a essa droga! Qual é mesmo tua religião?


    Melhor não escrever o que disse para ela, esbravejei o que senti e saí do seu consultório bem chique batendo a porta, indignado com a sua falta de respeito. Nunca mais vi essa médica. Isso foi no final de 1993.

     

    É lógico que saí do consultório ainda mais abalado que da primeira vez. Faltava para aquela médica a sensibilidade para tratar com pessoas e eu senti isso no coração.


    Recorri aos chamados tratamentos alternativos, aliás eu sempre gostei disso, deveria haver mais de um caminho e leitura para o meu caso. Fui para a homeopatia, medicina indígena com fitoterapia, recorri ao meu Deus íntimo, às rezas e cirurgias espirituais, e entrei numa contagem regressiva, afinal restavam-me dois anos de vida.

     

    Cabia ser feliz, ao menos buscar essa felicidade, estado imaginário... Mudar de hábitos, fugir do que era nocivo para minha saúde, de pessoas lesivas que me botavam para baixo, dos guetos, dos lugares sujos, das pessoas infelizes. Trabalhar, escolher bem a alimentação, cultivar bons amigos, amar meus pais, meus irmãos e todos aqueles que poderiam me amparar quando meu fim estivesse próximo.

    "Seja honesto, cuide bem dos demais, não permita jamais que te maltratem ou que te humilhem".

     

    Parece fácil, não é mesmo ? E é fácil ! Extremamente fácil... Ao menos quis acreditar nisso. Melhor ser Poliana e acreditar na utopia de que dias melhores viriam e que não havia nada de tão grave assim...

     

    Passaram-se 24 meses e quase nada de errado acontecia comigo. Me sentia saudável, até mais que antes, não peguei nenhuma gripe, nem nada que merecesse maior atenção. Apesar disso, ao menos uma vez por mês tirava a tarde para conversar com a médica da empresa. Era como terapia e a cada conversa ela sabia algo novo sobre a minha infecção e me ajudava a me manter com saúde.


    Um dia ela me convenceu a refazer a contagem de CD4. Ainda que contrariado aceitei e até hoje ninguém soube explicar o motivo de ter subido de 450 para 800. Erro de resultado? Teste refeito e subiu para 880. Eu não soube o que ocorreu. E nem precisava saber. Estar bem me bastava.


    Eu estava distante daquela infectologista mas sentia que minha saúde oscilava. Havia dias em que me sentia bem, outros nem tanto e em outros parecia que ia adoecer. Comecei a ter alguns dos sintomas relacionados com aids em meados de 1996. Coincidentemente, ou por auto-sugestão, o prazo que a médica havia me dado que estava no limite. A minha Vida estava com prazo de validade vencido... E agora?


    Emagreci, sentia fortes dores no abdômen e bastava comer algo diferente para ter diarréia feia. Surgiram erupções na pele, uma hérpes zóster que pegou o tórax a as costas e não me sentia com vitalidade alguma para praticamente nada. Trabalhava, voltava pra casa e só queria dormir. Mesmo o sono era ruim e tinha muitos pesadelos, sonhava toda noite que estava morrendo. Entrei num quadro de tristeza e simplesmente não tinha vontade de fazer nada.

     

    É incrivel como as pessoas não têm bom senso numa hora dessas. Quase ninguém sabia do meu quadro clínico, mas os comentários naqueles dias não eram oportunos, comentavam que eu havia emagrecido e estava abatido. E estava mesmo, mas em nada me ajudavam aqueles comentários, muitas vezes maldosos, principalmente dos poucos amigos gays que restavam.

     

    No início de 1997 decidi retomar meu tratamento, não mais com aquela infectologista do convênio e sim em um Centro de Referência no Hospital das Clínicas. Me lembro de chegar ao ambulatório onde havia uma fila de pessoas na mesma condição sorológica que eu aguardando atendimento... Temia encontrar alguém conhecido... Irônico que tenha tido esse tipo de medo.

    Já no balcão, quando indagado pela recepcionista, minha voz desapareceu. Fiquei pálido, a pressão caiu muito rapidamente e desmaiei. Acordei alguns minutos depois num leito, com uma enfermeira ao meu lado.

     

    - Sua pressão caiu, foi a sete por cinco. Você se alimentou?

    Respondi que sim, mas que estava com medo, que estava ali para buscar ajuda, que estava doente... Olhava para aquela enfermeira, para aquele local e me sentia envergonhado, imagina desmaiar numa fila na frente de um monte de desconhecidos e ser carregado para um leito. Que vergonha.

     

    Ela me acalmou, disse que muita gente ali estava doente sim, mas que eu estava bem, que iam me encaminhar para um médico e que eu ia melhorar a cada dia.

     

    Lembrando desse dia eu fico me perguntando por quais razões isso aconteceu. Como é forte o nosso mental, como somos capazes de criar quadros de pânico e nos deixar levar por eles. Ela me ofereceu bolachas de chocolate que tinha na bolsa, café, água... Mas sobretudo conversou comigo, me segurando na mão e me olhando nos olhos:

     

    - Você é jovem, é bonito. Tem muita lenha pra queimar, meu rapaz. Tem que ficar calmo, acreditar na vida, se cuidar. Aqui tem muito médico bom, eles só tratam disso, estão sempre em congressos para se atualizarem, é muito melhor que qualquer hospital particular.


    E entre palavras doces e gestos de carinho eu fui me fortalecendo, dando risada do meu temor.

    Ela me levou até uma outra sala e após alguns minutos um dos médicos me chamou. Seu nome era Luiz Gonzaga, devia ter algo em torno de uns 40 anos, lindos olhos azuis, cabelos encaracolados e um pouco calvo. Me recebeu com um sorriso no rosto sereno, já sabia do meu desmaio e continuou me tranquilizando. Me pediu um histórico, passei para ele todas as informações, respondi várias perguntas e ele me disse com tranquilidade:


    - Eu acho bom já começarmos com uma terapia antiviral... Diferentemente do que te disse a médica em 1993, existem mais drogas que auxiliam no tratamento e muita coisa nova está surgindo. Você vai coletar sangue amanhã cedo e assim que coletar já inicia os medicamentos. Alguma objeção ?

    Não me cabia nenhuma objeção, tive que concordar, me sentia com a pilha fraca... Aliás, dizer que a pilha estava fraca era licença poética... A pilha estava totalmente descarregada, diria até que já enferrujada e melada... Só eu me recusava a admitir. Vejamos: eu tenho 1.85m e hoje peso 78kgs, posso dizer que estou com um peso compatível, nem magro e nem obeso. Como meu índice de gordura é 11% digo, sem modéstia, que estou "sarado". Nessa época eu cheguei a inimagináveis 58kgs, como a massa muscular era inexistente seria correto dizer que estava mais para um cadáver.


    Mas eu não admitia que estava mal de fato. Minhas calças sobravam na cintura, não havia bunda, não havia coxa e nem braço, e o rosto muito magro.


    No dia seguinte colhi os exames e iniciei com as drogas. AZT que tomava duas vezes ao dia com uma droga chamada DDC. Uma semana após o início do tratamento tive sangramento nas gengivas, causado por uma acentuada queda de plaquetas. O médico foi ágil e trocou o DDC por DDI, alegou que meu caso era crítico e correu atrás das assinaturas necessárias para liberar também um inibidor de proteáse, pois ainda não havia recomendação do Ministério da Saúde de terapia tripla, o "coquetel" para todos os portadores, apenas para alguns casos mais sérios.

    Os resultados dos meus exames eram alarmantes. CD4 de 150 e carga viral de 1 milhão de cópias por ml cúbico de sangue. Mas eu estava em tratamento e rapidamente senti as melhoras. Comecei a recuperar peso, as dores foram desaparecendo e era visivel minha recuperação.

     

    Após noventa dias usando as drogas refiz os exames. O CD4 havia subido para 350 e a carga viral caído para mil cópias por ml cúbico de sangue. Eu não sabia o que isso significava, mas a reação do meu médico significou mais que milhares de palavras - ele se emocionou e me disse com uma lágrima nos olhos:

    - Melhor impossível. É exatamente isso que a gente espera do tratamento. Você está de parabéns.

    Naquela manhã de maio de 1997, ao sair do consultório eu chorei pela primeira vez por conta do hiv.


    De felicidade.

     

    Desde então nem tudo são flores, mas assim é a vida de todos nós, uns dias estamos bem e em outros nem tanto. Mantenho uma rotina com medicamentos, cuido da minha alimentação, procuro cuidar dos meus pensamentos e penso sempre positivo que, muito em breve, chegará a cura pra essa doença. Já chega, não é?

     

    E já que aguentamos até aqui, tenhamos todos a certeza de que estaremos de pé, firmes e fortes, quando esse dia chegar. Pois como diz aquela canção: "desesperar, jamais... aprendemos muito nesses anos...".

     

    Um forte abraço!


    Escrito por Henrique às 15h20

    samba enredo

    Domingo , 03 de Fevereiro de 2008

     

     

    Esse "Samba enredo" pode ser dividido em três partes: 

    O Louvor à Divindade:
    Om Bhur Bhuvah Swaha
    Tat Savitur Varen­yam.

    A Meditação em reverência ao Seu Esplendor:
    Bhargo Devasya Dhimahi. 

    A prece pela iluminação do intelecto:
    Dhiyo yo Nah Prachodayat.

     

     

    E essa é tradução livre que mais gosto:

     

    Ó Mãe Divina!

    Tú que subsis­te nos três mundos:

    Bhur (a Terra, o plano físico),

    Bhu­vah (o Espaço, o astral) e

    Swa­ha (o Céu, o mundo causal);


    Que está presente nos três Kaalas

    (períodos de tempo: passado, presente e futuro)

    e nos três Gunas (atributos da matéria):

    Satva, o equilíbrio;

    Rajas, a atividade; e

    Tamas, a inércia;


    Eu oro aqui para que ilumine nosso intelecto

    e disperse nossa ignorância,

    assim como a esplen­dorosa luz do sol

    dispersa toda a escuridão;

     

    Oro aqui para que torne nosso in­telecto sereno e iluminado.


    Escrito por Henrique às 11h05

    abadá

    Sexta-feira , 01 de Fevereiro de 2008

     

     


    Escrito por Henrique às 20h19


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