BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

póstuma

Domingo , 30 de Março de 2008

 

 

Quando eu tinha uns 20 anos de idade arranjei uma quase namorada que me apresentou a uma doutrina oriental que dizia que "Todo ser humano pode transformar-se naquilo que acredita ser". E eu achei aquilo interessante, afinal alguém conseguira expressar em palavras e de forma simples, algo que eu já acreditava desde muito cedo.

 

Após alguns meses de encontros regulares o romance com essa garota não vingou, pois no fundo eu já acreditava ser gay, afetivamente falando e de fato, embora racionalmente ainda pensasse que a vida seria mais fácil se eu negasse essa minha realidade ou tentasse vivê-la de outra forma, como muitos fazem ainda hoje.

 

E eu fui me tornando um adulto, lendo bastante e sobre tudo, prestando bem atenção nos muitos ensinamentos que a Vida me apresentava e um dia uma outra pessoa me disse que "a gente tem que tomar muito cuidado com o que deseja, com o que deseja com a alma, bem nas entranhas do nosso ser, pois dá de acontecer mesmo e a gente acaba se arrependendo...". 

 

E estou agora aqui, nas minhas divagações vespertinas dominicais, assimilando uma informação que me chegou esses dias e acabei juntando esses dois pensamentos. Eu já conheci muita gente nessa Vida cuja trajetória comprova isso, a gente chega onde quer chegar e mais que isso, não há limite pra nada, há mesmo que tomar muito cuidado e estar numa vigília permanente dos pensamentos, que ocorrem antes de qualquer ação.

 

 

A "Edna dos Brilhos" morreu... A Edna foi uma amiga muito querida durante muitos anos, muito próxima mesmo. E essa informação tem me perturbado, pelo tanto íntimo que fomos durante quase uma década.

 

Mas antes de falar dessa tal Edna dos Brilhos, uma bicha tresloucada que assim se auto-batizou, já adulta e quase independente, desgarrada da família, família que segundo ela era uma bosta, e ela tinha razões de sobra pra atestar isso, Edna que nasceu do sexo masculino e que no decorrer da sua vida foi se fortalecendo na persona feminina que criara, Edna que se apresentava como Edson, como Eduardo ou até mesmo Anderson ou Lucas, antes de falar dessa minha amiga, desse meu companheiro de jornada, tenho que falar rapidamente do seu irmão, que aqui vou chamar de Márcio, o elo frágil que nos uniu.

 

Eu conheci o Márcio quando fui morar sozinho em 1993. Éramos vizinhos em um condomínio e, por conta de um vazamento que a reforma do meu apartamento causou no banheiro dele, a gente acabou se aproximando. Eis que, problema hidráulico resolvido, ele me indicou sua faxineira e por conta dos encontros de manhã no elevador, e da tal diarista, a gente acabou criando amizade. Mas essa amizade não durou tanto tempo assim, pois um dia o Márcio adoeceu, começou a sentir fortes dores de cabeça e foi à óbito antes que a gente criasse maiores vínculos afetivos.

 

Quando eu o conheci ele já vinha sofrendo com alguns problemas de saúde, na busca de um diagnóstico descobriu que estava contaminado com o vírus hiv e a tal enxaqueca insuportável apareceu. E ele sofreu sozinho algumas poucas semanas. Naquela época havia uma caça às bruxas e os convênios médicos se recusavam a liberar exames caros para pessoas com hiv positivo, pois era quase uma sentença de morte e o Márcio morreu muito rápido. E foi à óbito por conta de um aneurisma, que provavelmente não estava relacionado com o hiv, e que poderia ser diagnosticado numa tomografia, tratável portanto, mas ele perdeu a Vida por conta do descaso do seu seguro-saúde. Tinha breves 38 anos.

 

O Márcio morreu e pouco tempo depois seu irmão Edson veio morar no seu apartamento. Nós havíamos nos conhecido poucos dias antes, no velório, mas não havia clima para aproximação. E o tal do Edson, quase rompido com a família, sem cerimônia, se apossou do imóvel do irmão falecido, mas que não foi quitado por conta de ter sido adquirido de terceiros com quem mantinha um contrato de gaveta. Edson trabalhava quase como escravo pro irmão mais velho, ganhava pouco e um valor que não era suficiente para honrar financiamento e condomínio, pagava apenas as contas essenciais e foi levando a Vida assim, sabendo que algum dia o tirariam dalí. Irônico pensar que confiava na justiça, lenta, morosa e sabia que por conta disso conseguiria permanecer alí por muitos anos.

 

E a gente foi se aproximando aos poucos, éramos muito diferentes mas fomos criando vínculos fraternais. Ele me ligava durante o dia, falava que ia fazer um jantarzinho simples, um arroz com uma abobrinha refogada (que eu adorava!) e um bifinho acebolado, e me convidava quase todo dia, eu levava uma caixa de suco (nunca de manga pois a bicha odiava manga), e quando fazia as minhas compras da semana sempre incluía alguns itens que levava pra ele. Sabe aquela relação ganha-ganha? Ele me livrava da procupação e da despesa com jantar e eu o apoiava financeiramente, assim saímos os dois ganhando.

 

A Edna dos Brilhos era uma bicha alegre, daquelas espertas que sempre tem uma piada pronta na ponta da língua, espirituosa, debochada e bastante afeminada, algumas vezes naturalmente afetada, outras vezes forçava um pouco, mas esse era seu charme. Segundo um dos meus amigos héteros que a conheceu, ela era "um ser humano com resquícios de masculinidade"... De verdade que eu nunca liguei pra esse lance de afetação e a gente saía junto, ele era minha companhia regular pras baladas, cinemas e algumas vezes o levei à casa dos meus pais, o convidei pro casamento da minha irmã e nunca me incomodei com o fato dele dar pinta escancaradamente.

 

Apesar da sua aparente imensa alegria, ele tinha um perfil depressivo e os conflitos familiares o deixavam sempre muito triste. Mas ele poucas vezes falava sobre isso, sabia que o irmão o explorava, trabalhava pesado e nunca recebeu salário digno, apenas o essencial pra viver. Com os outros irmãos sequer conversava, apenas da mãe ele gostava, mas ela era evangélica e insistia pra que ele voltasse à igreja e por conta disso eles viviam em guerra.

 

Um dia ele me confidenciou que estava com hiv positivo. E eu, otimista Poliana que sou, lhe disse que ficasse tranqüilo pois ele por certo iria bem longe, estaria vivo quando chegasse a cura. E nesse dia ele me disse o seguinte: Eu não quero viver muito não, quero quando muito chegar aos 45 anos, já basta ser viado, tomar porrada o tempo todo, estou cansado disso tudo, dessa Vida ingrata. Eu não quero ser uma bicha velha pra ficar dependendo dos outros não... Só não morri ainda pela minha mãe, que é a única que verdadeiramente me ama, e porque ela sofreu muito com a morte do Márcio. Mas pode ter certeza que quando ela morrer, eu vou atrás dela rapidinho!

 

Ele não falou isso com dor ou sofrimento não. Falou de forma leve, bem humorada, com uma lucidez perturbadora. Eu tentei argumentar, mas ele estava muito convicto daquele seu desejo, o máximo que me disse foi que sabia da minha amizade, que era verdadeira mas não seria eterna, pois nada é pra sempre, que algum dia a gente brigaria por alguma razão e talvez nunca mais se falasse.

 

E a gente foi levando a amizade, brigávamos vez ou outra, mas nada sério. Ele continuava sem pagar as prestações, a dívida do condomínio foi ficando absurda, mas esse problema não era meu e eu não o julgava. Até que um dia aconteceu um fato chato, ele me ligou de madrugada bravo reclamando que eu estava fazendo barulho. Mas o barulho não era na minha casa e ele me acordou, numa semana em que eu estava trabalhando em demasia e nada me tira mais o humor do que ser acordado. Naquele dia o sangue subiu e eu falei um monte de coisa que, mesmo tendo razão, não precisava ter falado. Não precisava ter agredido verbalmente, mas foi uma reação, na minha cabeça ele não tinha direito de reclamar de nada, ainda mais comigo.

 

E a gente nunca mais se falou. Isso foi em 2002. Em 2003 eu me mudei do apartamento, que mantenho até hoje alugado e vez ou outra apareço por lá pra resolver algum assunto. Em 2005, depois de muito trabalho, o condomínio conseguiu expulsá-lo de lá e o apartamento foi a leilão. E ele voltou a morar com a mãe, ainda que contrariado. Perdeu a sua liberdade, foi se sentindo cada dia mais humilhado, a alegria de viver foi se tornando cada dia mais escassa, foi se deprimindo mais e mais à cada dia, nada mais fazia sentido, praticamente nenhum apego à nada, mas ele tinha ainda, e tão somente, a mãe que já beirava os 80 anos.

 

Sua mãe morreu no ano passado, em agosto, de parada cardíaca fulminante enquanto dormia. Segundo seu sobrinho, ele parou de comer, de tomar medicamentos, de atender telefonemas, não queria mais sair do seu quarto e não conversava com mais ninguém. Se calou. Foi perdendo peso, definhando, perdendo o brilho. E morreu seis semanas depois da sua mãe, com pouco mais de 45 anos.

 

E eu só soube disso nessa semana, nem preciso dizer que essa informação me deixou perturbado. Mas como disse logo no início desse texto, foi assim que ele escolheu. Mas fico triste por saber que uma pessoa que foi tão querida, com quem dei longas risadas, com quem vivi momentos tão bacanas, morreu se sentindo tão infeliz.

 


Escrito por Henrique às 17h25

zen

Quinta-feira , 27 de Março de 2008


Escrito por Henrique às 23h01

caudaloso

Segunda-feira , 24 de Março de 2008

 

 

"Ninguém poderá construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida. Ninguém, exceto tu. Só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o. "

Nietzsche


caudaloso
cau.da.lo.so
adjetivo (caudal+oso) 1 Que leva água em abundância, que leva grande caudal. 2 Abundante.


Escrito por Henrique às 22h30

O amor está no ar!

Sexta-feira , 21 de Março de 2008

Como diria Paul Young...

 

E eu não sei se estou sendo tolo,
não sei se estou sendo sábio,
mas é algo em que devo acreditar.

E ele está lá, quando eu olho nos seus olhos,
no murmúrio das árvores, no estrondo do mar.

E eu não sei se estou apenas sonhando,

não sei se me sinto são...

Mas é algo em que devo acreditar!

E ele está lá, quando você chama meu nome.
No nascer do sol, quando o dia está quase terminado.

E eu não sei se você é uma ilusão,
não sei se eu percebo isso de verdade...

Mas você é algo em que devo acreditar,
e você está lá quando eu te procuro.

Em cada visão e cada som.

E eu não sei se estou sendo tolo,
não sei se estou sendo sábio;
mas é algo em que devo acreditar:
e ele está lá, quando eu olho nos seus olhos.

 

 

(foto meramente ilustrativa, não gosto de postar sem imagens...)


Escrito por Henrique às 11h52

equinóceo e solstício

Terça-feira , 18 de Março de 2008

 

 

Equinóceo é um termo astronômico, usado para representar um fenômeno que é a passagem do sol do hemisfério sul para o norte e também o seu retorno, a sua volta do hemisfério norte para o sul. É quando no planeta a quantidade de horas e minutos do dia é exatamente igual à quantidade de horas e minutos da noite.

 

Esses eventos acontecem sempre na entrada do outono e da primavera, respectivamente ocorrem em geral nos dias 20 ou 21 de março, e 22 ou 23 de setembro.

 

Isso vale aqui para o hemisfério sul, para o hemisfério norte é o contrário. Temos aqui uma situação específica em que a luz solar incide perpendicularmente sobre a linha do Equador...

 

Quando a luz solar incide perpendicularmente sobre os trópicos de capricórnio ou de câncer, temos então um outro fenômeno chamado solstício, é quando também o sol alcança o maior ângulo de afastamento do equador. Daí que ocorrem os dias muito curtos ou muito longos, quanto mais distante estiverem as localidades da linha do equador.

 

Solstício de inverno ou de verão, geralmente ocorre nos dias 21 ou 23 de dezembro, e 21 ou 23 de junho.

 

Mas por qual razão estou falando sobre isso agora?

 

* * * * *

 

É simples... Algumas pessoas são mais sensíveis que outras a essa variação astronômica. Eu não chego a ser um estudioso do assunto, mas gosto de ler sobre tudo e tenho amigos que são fissurados pelo tema, e por conta da facilidade da informação recebo um monte de mensagem falando sobre isso.

 

E nessas muitas mensagens soube que, além desse evento, há outros que estão mexendo com o astral da humanidade, entre eles o 19 de março que é o dia de "todos os anjos" e também de São José, ou de Saint Germain (pois são José é um santo francês), um dia que nos trará a possibilidade da transmutação, da energia violeta: do perdão, da superação, da auto-superação e da compaixão.

 

 

Além disso no dia 21/03, sexta-feira, comemoramos o início do ano novo astrológico, do grande ano de Marte, o que nos inspira à ação, à coragem, momento de cada um de nós nos colocarmos como firmes guerreiros em relação aos nossos obstáculos, em especial os mentais, de sermos Guerreiros da Luz.

 

* * * * *

 

Mas o fato concreto é que tenho me sentido estranho nesses últimos dias, mais sensível que de costume e com um desejo imenso de mudar um monte de coisas na minha vida que estão me incomodando.

 

Sabe aquela sensação de estar com a emoção à flor-da-pele, com desejo de chorar sem causa aparente? E ainda aquela sensação de força, do sentir-se grande e poderoso, com aquela vontade imensa de fazer e acontecer, mas com a impressão de estarmos com o freio-de-mão puxado?

 

Acho que foi isso me inspirou, já disse algumas vezes que escrever pra mim é uma forma bacana de aflorar, de disciplinar meus sentimentos e buscar maior compreensão deles, é uma análise profunda minha comigo mesmo, mais até que os silenciosos momentos de meditação, e escrever vale tanto pra analisar as dores quanto as alegrias e as dúvidas.

 

E coincidiu tudo isso com eu estar passando por um momento pessoal muito delicado, não de tristezas reais ou dores justificáveis, mas de tomada de decisões que vinha adiando há tempos e por conta disso estou num turbilhão de sentimentos bastante confusos.

 

Nessas horas estranhas, quando a gente depara com as virtudes humanas sobrepondo-se bem claramente aos vícios, quando depara com manifestações inequívocas de amor e amizade, quando é tocado pela fraternidade e compaixão, pela solidariedade de pessoas que sobretudo se apoiam também em você e te enxergam por vezes muito melhor do que você se sente, intimamente, ao mesmo tempo que é muito bom saber que essas virtudes existem, dá um friozinho na barriga daqueles bem danados.

 

Sabe quando a gente está feliz e apaixonado e do nada vem uma pontinha de medo de que toda aquela felicidade acabe? Ou ainda quando a paixão acabou, você está infeliz, mas algo bem lá no fundo te faz sorrir com a certeza de que dias bem legais estão chegando? Alívio? A sensação que se tem numa montanha-russa? Aquela adrenalina que brilha nos olhos?

 

Algumas vezes a gente tem uma sensação de que o sonho acabou, mas pode ser que esteja acabando um pesadelo e iniciando um sonho novo, bem diferente de todos aqueles que se teve. Sou daqueles que sonha acordado, ou melhor, que quando acorda em meio a um sonho delicioso dá continuidade a ele movido pela espontaneidade da mente, pelas memórias de lindos dias vividos, e que quando acorda em meio a um pesadelo faz questão de olhar pro relógio e manter a mente atenta para não prosseguir nesse sonho ruim.

 

É mais ou menos isso. Nesse instante sinto medo, um medo imenso do porvir, mas esse medo não me paralisa, muito ao contrário, ele me dá uma força incrível. Não sei onde é que o sol está batendo nesse instante, o que sei é que é lá que bate junto o meu coração...

 

Então, para você que está lendo essas minha divagações e que de alguma forma se identificou, o que te digo é isso: Aproveite esse momento! Renove-se! Livre-se de tudo que não mais lhe diz respeito. Abrace e beije o quanto puder, promova o bem comum. Ligue para os seus amigos, passe por cima de pequenas coisas e comece a pensar em transpor as grandes, também... e acredite que a vida se encarrega de tudo...

 

E RENASÇA! Vamos á luta!

Feliz ano-novo mais uma vez.


Escrito por Henrique às 23h23

Bichona, agride?

Sábado , 15 de Março de 2008

 

Eu tenho vários amigos gays, lucidamente gays, convivemos há bastante tempo e com muitos deles não temos o hábito de nos tratarmos por bicha, viado, mona, pedê ou qualquer outro termo que seja relacionado com a homossexualidade, pois essa é a dinâmica da relação que criamos.

 

Com outros a gente brinca sim, e sem grilos nos chamamos de Bee (carinhoso de Bicha...), de Dona Kombi (bicha de idade avançada...) e até mesmo de Cibelle, Jéssica, Mariette, entre tantos outros apelidos carinhosos, mas tudo na intimidade, sem agressão alguma, brincadeira saudável entre pessoas que se querem bem.

 

Tenho incontáveis amigos heterossexuais que, respeitosa e afetivamente, ou mesmo de forma jocosa e debochada, me chamam de bichona, muitas vezes eu também os chamo de bichonas, de mariconas, dependendo do momento podemos até usar bichinha ou mariquinha que tudo bem!

 

- Não gostou disso? Nossa, mas essa bichinha é muito fresca!

- Chega pra lá bichona, deixa eu colocar a cabeça no seu colo!

 

"Tô parecendo uma bichona?"

 

 Não senhora! Tá parecendo enfeite de bolo!

 

Não me incomodo quando estou assistindo televisão, vendo aqueles entretenimentos besteirol, e algum humorista usa esses termos. Nem mesmo o Bofe de Elite me agride. Entro no humor por vezes imbecil, dou risada e pronto. Na leveza do momento me permito descontrair, por ter a certeza que eu não estou sendo agredido com aquilo que vejo. Sei que não é comigo, não é pessoal, não fizeram para me agredir, então vamos dar risada juntos! É imbecil sim, concordo, mas muitas vezes apenas engraçado. A vida é muito curta para ser levada tão à sério!

 

Mas me agride muito saber que há corrupção no governo, que verbas que deveriam ser usadas de uma forma são desviadas de seus destinos para os bolsos de políticos pilantras, me agride ainda mais a falta de transparência na contabilidade de algumas ONG's, incluídas aqui as inúmeras da comunidade GLBTTT, e o gasto sem critério que fazem das verbas obtidas e que deveriam ser utilizadas apenas em real benefício da comunidade.

 

Isso sim é deveras agressivo, pensar que pessoas que alegam defender os nossos interesses estão pensando mesmo é em rechear suas contas correntes e viajar de um lado pro outro sem necessidade alguma para participarem de eventos que não nos trazem benefício algum!

 

Agora cedo, por conta de um comentário deixado no vizinho Blog da Mel aqui no MixBrasil (minha amiga querida e mãe de um menino lindo que agora é estudante de medicina na USP) acabei chegando ao bem humorado blog da sua xará Mel Edy do Brasil (http://meuedy.blogspot.com) e lá deparei com mais uma das imbecilidades do Sr. Toni Reis, atual presidente da ABGLT - Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, polemizando oportunistamente em cima de um comentário descontraído de um ator, episódio que eu até então desconhecia.

 

Eu não sabia dessa história, pesquisando acabei caindo no já conhecido e famoso blog do Sérgio Ripardo onde ele faz uma compilação dos fatos recentes.

 

Tudo começou com o comentário espontâneo de um ator que num momento descontraído disse que estava parecendo uma bichona! O que há de errado nisso? NADA!

 

Mas na cabeça do Sr. Toni Reis cabia uma retratação.

 

A compilação começa pela carta infeliz e em tom politicamente correto recheada de termos como "ilustre senhor" e "cordiais saudações" e outros clichês de uma bichona ressentida que parou no tempo, assinada pelo Sr. Toni Reis, escrita em nome da comunidade homossexual...

 

Em seguida uma educada resposta na linha do "temos mais o que fazer, sua bichona chata e desnecessária" assinada pelo Jorge Tarquini, diretor de redação da DOM (que ao final das contas não teria nada a ver com os gansos...) e por fim a carta finíssima, bem humorada e em tom amigável do lindo, do fofo autor da gafe, do vitaminado e saboroso Rodrigo Hilbert, ator, marido da Fernanda Lima, breve papai de gêmeos, mas concluída em tom de perplexa indignação.

 

Para ler essa compilação clique aqui!

 

Quem fez papel de bichona magoada em nosso nome? 

Leia, tire as suas conclusões e se manifeste...

 

* * * * *

 

Eu até que admirava o Sr. Toni Reis, pensava ser uma pessoa equilibrada e de boa personalidade. Triste equívoco. Assim era até o ano passado quando o conheci pessoalmente, aqui em São Paulo, apresentado pela minha prima que mora em Curitiba, e que é sua amiga (em termos...).

 

Nós estávamos, eu e ela, trabalhando na Feira Cultural do Anhangabaú, a poucos dias da parada gay, a maior micareta do planeta... Nós somos voluntários do GPH - Grupo de Pais de Homossexuais, a filha adolescente dessa minha prima é sapatinha e por conta disso a gente se aproximou muito nos últimos dois anos.

 

E chega então o Sr. Toni Reis com seu maridón a tiracolo. Eu percebi que ele me olhava insistentemente, mas eu estava trabalhando, dando atenção as pessoas, usando a camiseta azul do grupo e falando do projeto, o único voltado aos pais de homossexuais. E então a minha prima nos apresentou, simplesmente - esse é o Tony, esse é o meu primo Henrique aqui de São Paulo, voluntário do Purpurina também. E ele engrenou numa conversa comigo, me perguntou do projeto, fez elogios à Edith... Minha prima se distanciou um pouco e então ele me perguntou em tom sedutor "qual era a idade do meu filho, ou filha homossexual..."

 

E eu respondi: Eu sou o filho!

 

E a bichona abusada, que não me conhecia, me pergunta:

- Quer dizer que a senhora é do babado?

 

Senhora? Babado? Que intimidade aquela bichona achou que tinha comigo para, sequer me conhecendo e depois de me paquerar na frente do maridón, se referir a mim nesses termos? Pensou o que, que eu era um bofe quarentão, grisalho e muito charmoso, pai de um adolescente gay e encheu sua cabecinha fútil e limitada de fantasias sexuais? Me poupe! Achei melhor não responder, para não ser grosso, me virei de costas como quem não ouviu a pergunta e fui em direção ao seu maridón, novamente falar sobre o projeto.

 

Dá para dizer que é uma pessoa séria? Não dá! Seria ótimo que ele tivesse pelas pessoas o mesmo respeito que cobra da mídia, seria conveniente que fosse menos oportunista e trabalhasse sério, há muito que fazer e prefiro pensar que se chegou a esse posto é por ter méritos pra isso! Se fôssemos íntimos, nenhum problema, como disse no início isso não me incomodaria não. Mas a bichona uó, enorme e horrorosa, foi muito abusada pra um primeiro contato!

 

Infelizmente eu só ouço falar desse senhor quando alguém na mídia usa termos pejorativos falando dos gays, no caso do senador Malta, depois do outro senador do Espirito Santo, depois o Paulinho da Força Sindical e agora o Rodrigo Hilbert e ela vem com a cartilha dos excluídos e magoados aberta, sempre na mesma página amarelada: o pedido de retratação, a vitimização eterna, a perpetuação dos gays como pobres indefesos. Será que ela não tem nada mais útil e urgente pra fazer?

 

* * * * *

 

E este meu humilde blog também está aderindo a campanha inteligente e sem precedentes lançada na rede pela Mel Edy do Brasil, de quem me tornei fã e depois aprimorada pelo Carioca Virtual  (http://www.cariocavirtual.com) autor de um outro blog bacana que acompanho há tempos:

 

- Que tal aposentarem esse modelito cafona e surrado de "Enfeite para bolo de casamento gay" pra micareta desse ano? Tenho certeza que o Senhor e seu digníssimo maridón estarão aqui em São Paulo, passagens aéreas  promocionais, hospedagem modesta e vale-coxinha pagas pela associação, afinal sua presença aqui é muito importante! Seja bem-vinda querida, mas muda o figurino, por misericórdia!

 

Vamos renovar! Quem sabe seja essa a hora de fazer menos caricatura e trabalhar mais, seguir as diretrizes da ABGLT e parar com esse marketing pessoal, tem tanto projeto parado, tanto gay apanhando na rua e a gente já se cansou desse seu discurso ultrapassado! Quem sabe a gente volte a ter admiração pela sua figura pública!

 

Lembrando:

 

"A missão da ABGLT é Promover a cidadania e defender os direitos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.


Atualmente as linhas prioritárias de atuação da ABGLT incluem:

- Monitoramento do Programa Brasil Sem Homofobia;
- Combate à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis;
- Orientação Sexual e Direitos Humanos no âmbito do Mercosul;
- Advocacy para aprovação de leis e garantia de orçamento para políticas afirmativas voltadas para GLBT;
- Capacitação de lideranças lésbicas em direitos humanos e advocacy;
- Capacitação de operadores de direito em questões de cidadania GLBT."


Fonte: ABGLT


Escrito por Henrique às 12h07

Mentira sincera?

Quarta-feira , 12 de Março de 2008

 

 

Esse Marcelo Psycho "self-killer" não me sai da cabeça, não só por ele com seus defeitos e qualidades, mas hoje muito mais pela reação das pessoas que não conseguem ser indiferentes a ele. Como disse ontem o filósofo Pedro BBBial, foi ele o protagonista dessa edição - mesmo com sua lamentável saída prematura após agonizar por quase um mês - coisa que Jean Wyllys não conseguiu, apesar de ter sido o vencedor na sua edição, edição que me parece ter sido protagonizada pela Grazie Massafera, me corrijam se eu estiver errado.

 

Eu assisto o Big Brother Brasil todos os dias, religiosamente acompanhado dos meus pais, tipo momento família mesmo. A gente adora passar esse momento junto, meu pai tem 70 anos, minha mãe tem 63 e há mais de 21 anos que eles sabem e acompanham a evolução da minha sexualidade e afetividade, desde 1987 que eles conhecem quem são meus amigos, quem são meus namorados, entre os amigos sabem quem namora quem, quem é gay ou hétero ou topa tudo sem ser apenas ou necessariamente por dinheiro ou por carência, quem está ainda confuso e em processo de elaboração, quem é historicamente gay mas no momento aspirante a hétero, quem é socialmente hétero mas bastante curioso e com incursões pela afetividade ou sexualidade gay. Aliás, tenho cada amigo que mais parece personagem de Plínio Marcos...

 

E a gente comenta praticamente sobre tudo que nos cerca, sobre os meus romances e os dos meus amigos e também, é claro, sobre o que acontece na telinha, não só no BBB mas também sobre os gays na televisão em linhas gerais. Acho saudável isso, mas a transparência nem sempre nos livra de situações engraçadas. Interessante pensar que, mesmo tendo boa visão da homossexualidade alheia, meus pais ainda têm alguma dificuldade em sair do modo binário de encarar sexualidade.

 

Ou seja, para eles gay é gay e hétero é hétero. Não muda.

 

Exemplificando: eu tenho praticamente certeza que a Thati Bione é lésbica, e que aquela menina que foi visitá-la na casa é provavelmente sua namorada, no mínimo que elas já andaram trocando algumas carícias. Mas ela está de namorico com o Marcos e na cabeça da minha mãe se ela está com ele é porque gosta apenas de homem... Será?

 

Outro exemplo: O Marcelo respondeu, com uma excitação mental visivelmente muito grande, que estava vivendo um momento heterossexual, antes havia contado que teve uma fase hétero, depois bi, depois homo e blá blá blá... Na cabeça dos meus pais isso é mentira, o que o detector confirmou. E começa aquele discurso, baseado em suposição e no convívio comigo, de que gay é gay e pronto e que ele agiu daquela forma para ganhar ponto aqui fora, posto que os gays estavam se voltando contra ele... Isso minha mãe ouviu na manicure, que os gays rejeitavam o Marcelo!

 

Mas será que é assim mesmo? Imagine-se numa situação de confinamento, você está sendo hostilizado por todo mundo e direcionando sua afetividade quase que toda para uma única pessoa, seja você homem ou mulher, gay ou hétero, seja essa pessoa o que for, homem, mulher, gay, hétero... No meu entendimento é natural que, por conta dessa aproximação, por conta dessa situação bem específica, os sentimentos fiquem meio confusos mesmo e que você não saiba ao certo o que está se passando de verdade. E como o outro está na mesma situação, então pânico geral!

 

Baseado nas minhas vivências, acho melhor não contestar nem concordar com o tal detector de mentiras. Quem me conhece, sabe que a minha vivência afetiva flui bem bacana com homens, há tempos não me ligo afetivamente em mulheres, se é que isso aconteceu algum dia. Isso me basta para eu me colocar um rótulo de gay na minha testa? Não, isso não basta! Não que meus amigos, a maioria, não saibam da minha vida afetiva e sexual, um tanto quanto monótonas ultimamente. Mas rotular é muito mais complexo do que pode parecer à primeira vista.

 

Me lembro agora de dois episódios que vivi recentemente, em um grupo de amigos queridos onde nunca escancarei minha sexualidade, acredito que apenas por estar em recesso afetivo desde que os conheci há cerca de cinco anos... Um dia, do nada, uma querida, me perguntou "quando é que eu sairia do armário" e eu respondi, rapidamente e com a minha jocosidade característica que "eu não sairia de armário nenhum pois não havia entrado em nenhum deles, que eu sofria de claustrofobia"... E completei dizendo que "se eu tivesse que sair de algum lugar, que eu sairia de um closet lindo, que era mais a minha cara"...

 

Pois bem, todo mundo deu risada, ficou um clima descontraído e pronto. Pouco mais de um ano mais tarde eu estava fechando meu ateliê e montei uma exposição, convidei amigos de todas as tribos e quando essa amiga chegou, agora bem casada e com um marido nota 10, eu lembrei desse episódio e falei pra ela que "se sentisse bastante confortável em meu closet" e completei dizendo "que não precisei sair de lugar algum, estou convidando as pessoas que eu amo para entrarem"... Pois ela me abraçou, me deu um beijo e não disse palavra. Nem precisava mesmo.

 

Num outro episódio uma amiga, também desse grupo, veio me pedir ajuda por conta do filho que estava usando drogas, histórico de cocaína e que ela desconfiava de estar com crack também... E eu, muito na boa, ingenuamente, falei pra ela da minha experiência com drogas, contei que havia perdido um companheiro pro vício do crack, mas que ela tivesse fé e muita atenção com ele, coisa que a mãe desse meu companheiro não teve. E completei dizendo que ele tinha sido a relação da minha vida...

 

E não é que a pilantra, na primeira oportunidade, foi contar pras pessoas que eu havia me assumido pra ela? Eu estava nessa época saindo com uma mulher que ela conhecia, por afinidades diversas, e quando ela soube disso achou que deveria "alertá-la"... Como se ela não soubesse ou corresse riscos, como se fosse uma frágil adolescente... Pois não demorou muito pra que isso chegasse a meu conhecimento, uma outra louca veio me perguntar se, "afinal de contas eu era ou não era gay"... E eu negay!

 

Neguei por não saber o que era gay na cabeça dela. E ela não sabia mesmo o que era gay, me veio com aquele papo imbecil de que respeitava, que o cabeleireiro dela era gay, que conhecia um médico gay e blá blá blá. Eu fiquei muito puto, tirei satisfação com a autora das fofocas, que disse que eu havia me assumido num dia em que a gente bebeu demais e que eu fiquei deprimido e chorei nos ombros dela... Mentira isso, então criei um clima pra contrangê-la mesmo, disse que eu nunca havia tomado sequer um copo de cerveja com ela, muito por me sentir agredido, invadido. Ela enfiou o rabinho no meio das pernas, pediu desculpas e levou o merecido rótulo de mentirosa!

 

Não que eu tivesse problema com isso, mas não gosto da coisa da fofoca, do disse que disse, do aumentar os fatos fazendo aquela carinha de amiga que compreende, a falsa amiga dos gays. Mas esse post era pra falar do Marcelo... O sorriso dele não é convincente? Parece que está mentindo? Não parece, não é!

 

E talvez não esteja mentindo não, afinal da mesma forma que não acredito que pessoas sejam 100% gays ou 100% héteros, não preciso acreditar que alguma coisa seja 100% verdade ou 100% mentira. Muitas vezes, mentiras sinceras podem ser mais interessantes e verdadeiras que aquelas verdades teimosas e limitadas pela nossa visão pequenina do mundo e dos fatos apresentados.

 

Como dizia o Agenor: "mentiras sinceras me interessam"...


Escrito por Henrique às 15h58

Você se reconhece?

Domingo , 09 de Março de 2008

 

 

Eu consegui me manter imune ao BBB até a sexta edição... Pouco sei sobre os participantes das edições anteriores e só comecei a me interessar pelo programa em 2006, quando voltei a morar com meus pais, esses sim apaixonados por esse entretenimento desde a primeira edição. Acho também que foi por conta de ter me apaixonado perdidamente pelo Rafael Valente, aquele lindo, sonho de consumo, lembram dele? Aliás ele também tem um blog, horroroso diga-se de passagem, onde detona a atual edição do reality show...

 

Estou gostando dessa oitava edição, mais ou menos, digo que os conflitos das anteriores estavam melhores. E há dias venho pensando escrever algo sobre esse Marcelo Psycho, fico avaliando as suas ações e reações e é impossível não me lembrar de pessoas conhecidas, das minhas discussões ao longo da Vida com amigos, das brigas absurdas que já tive com namorados, algumas vezes também vejo nele as minhas reações.

 

Sabe aquela coisa do espelho, da gente enxergar no outro aquilo que sabe que existe na gente e que luta pra manter controlado pra que ninguém veja? Ninguém gosta de receber o rótulo de arrogante ou de manipulador, por exemplo, mas as pessoas em linhas gerais são todas iguais, todos nós temos em nossa base as mesmas virtudes e os mesmos defeitos, a diferença está em como a gente lida com isso tudo. Ninguém é de todo pilantra ou canalha, ninguém é meigo, ingênuo e bonzinho o tempo todo, tanto eu quanto você podemos parecer pessoas equilibradas aos olhos de muitos, mas quem já teve algum desentendimento sério com a gente vai atestar que somos desajustados. E é aqui que eu acho perturbador essa coisa da exposição pública, em especial de forma relâmpago, eles ficam com a bunda exposta na janela e em geral as pessoas que assistem a esse circo adoram atirar pedras, julgar e condenar sem piedade, muito por esse lance do espelho.

 

Por esse Marcelo eu já senti de tudo um pouco, mas a avaliação que faço hoje é bem positiva. Muito positiva mesmo. Num primeiro momento achei bacana ele se posicionar claramente quanto a homossexualidade, muitos o criticaram dizendo que ele queria ser o novo Jean Wyllys... Aliás eu acho esse Jean muito chato, esse sim uma caricatura do gay pseudo-inteligente, mas que sucumbiu às mesmas crises de estrelismo de outros tão comuns quanto ele... Ele tem seus méritos, é claro, mas não me cativou e nunca me senti representado por ele apenas por ser gay. Acho ele muito chato, além da conta!

 

Mas que visão simplista, de quem os compara e também essa minha! Será que nessas 8 edições, com média de 15 participantes em cada, 120 pessoas portanto, só o Jean era gay? E agora o Marcelo? Se somos 10% da população, teoricamente ao menos 12 gays e lésbicas passaram pela telinha, onde estavam os demais que se esconderam naquela casa sem que ninguém percebesse?

 

Ou a produção simplesmente vetou a entrada de gays?

 

Mas voltando ao Marcelo, ele já me causou admiração e me identifico com seu estilo homem comum com barba, quilos a mais e peito cabeludo, bear segundo rótulo vigente... Eu não curto depilação (embora apare os pelos, alguns já brancos no peito, mantendo-os curtos) e malho por saúde e também por estética sim, mas atento para não ficar parecendo um chester, com aquele peitoral imenso em pernas finas... Isso é caricatura, no meu entendimento, mas tem quem se sente bem, então legal, força no supino! Acho o Marcelo um cara afetuoso, mas carente ao extremo, capaz de se doar sim, mas sempre querendo alguma coisinha em troca, nem que seja sorriso de reconhecimento e afeto.

 

Gosto quando ele roda a baiana, faz aquele terror psicológico com a molecada, acho sim que exagera no sarcasmo, na ironia e na arrogância, mas vejo isso muito mais como defesa, como uma forma de se proteger, afinal, como ele mesmo disse, ele já foi muito isolado e muito agredido, sobretudo na infância, por ser gordo, delicado, estudioso... E a gente sabe bem o que é passar por esse tipo de agressão na infância. Correto?

 

Eu tive um relacionamento de 12 anos, entre idas e vindas. Quando vejo o Marcelo em fúria empinando o nariz de forma arrogante, bradando seus monólogos como dono da verdade, é impossível não me lembrar desse ex-companheiro, meus amigos que estão lendo e que o conheceram sabem de quem estou falando, que Deus o tenha!

 

O mesmo acontece quando vejo o psiquiatra nos seus momentos de tristeza, esgotado chorando pelos cantos, implorando abraços... Uma amiga comentou que leu uma entrevista da mãe dele dizendo que a "vida pessoal, vida íntima" do filho sempre foi um tabú em casa e sem usar nenhuma vez o termo "homossexualidade". Ou seja, por mais bem resolvido que ele alegue ser, e não creio que seja, quer coisa mais complicada que chegar aos 31 anos tendo problemas para se posicionar perante pai e mãe?

 

Mas acho que sua participação nesse espetáculo, ao final das contas, trouxe mais ganhos que prejuízos para os gays e lésbicas em linhas gerais, pois nos mostrou como pessoas normais, ordinárias que somos, com nossas imperfeições. Esse Marcelo, podem amá-lo ou odiá-lo, o fato é que ninguém fica indiferente ao seu comportamento. Quanto aos demais sobreviventes, não sei há algo mais interessante para mostrarem além do peitoral do Marcão, o carioca-capixaba e do sorriso moleque-que-curte do Rafinha...

 

E torço para que ele ganhe do Rafinha, pseudo-hétero...

Vamos aguardar até amanhã para ver se estou certo.

 

E você, se reconhece nesse Marcelo, ou ainda reconhece alguém próximo, um amigo, um namorado? Acha que seu comportamento destemperado, visceral, bicha-surtada, melhora ou prejudica a imagem dos gays na sociedade?


Escrito por Henrique às 22h59

clarícias...

Quinta-feira , 06 de Março de 2008

Impulsividade

 

"Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever?

 

Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase sempre que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.

 

Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. Há um perigo: se reflito demais, deixo de agir. E muitas vezes prova-se depois que eu deveria ter agido. Estou num impasse. Quero melhorar e não sei como. Sob o impacto de um impulso, já fiz bem a algumas pessoas. E, às vezes, ter sido impulsiva me machuca muito. E mais, nem sempre meus impulsos são de boa origem. Vêm, por exemplo, da cólera.

 

Essa cólera às vezes deveria ser desprezada; outras, como me disse uma amiga a meu respeito, são cólera sagrada. Às vezes minha bondade é fraqueza, às vezes ela é benéfica a alguém ou a mim mesma. Às vezes restringir o impulso me anula e me deprime. Aiás, muitas vezes.

 

Que farei então? Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura ainda. Ou nunca serei.”

 

Clarice Lispector

 

 

 

Eu me recordo agora de uma redação que fiz aos 16 anos e cujo tema era "Auto-retrato", nossa professora Maria Teresa explicou que a gente deveria se descrever em apenas uma página, com criatividade, falando como que a gente se enxergava. Naquela época eu estava começando a conhecer Clarice Lispector e fui bastante influenciado pelas suas loucuras e devaneios.

 

Uma pena que por conta de algumas mudanças de residência, e também de um crescente desapego material, esse texto foi-se embora junto a outros papéis menos importantes. Meus pensamentos em uma folha de papel já devem ter sido engolidos e reciclados pelo planeta.

 

Muita coisa mudou e eu não saberia dizer se naquela época eu era menos ou mais impulsivo do que sou hoje, nem arriscaria dizer isso. Me lembro que eu era bastante cartesiano, daqueles quase nerds com tudo planejadinho, agendas e mais agendas, horário pra tudo e por pura opção, eu era tão certinho que meus pais nunca precisavam me cobrar muito não, quando cobravam era que eu tivesse mais lazer...

 

Ainda assim, foram bons tempos... Eu estudava numa escola bastante conceituada e bem longe de casa, tinha aulas em período integral três vezes por semana, incluído o sábado, estava terminando o segundo grau e teria mais um ano de complementação para o curso técnico em telecomunicações. Tudo na minha cabeça tinha que ter uma lógica e por conta disso era dificil lidar com sentimentos, muito mesmo. Mas eu gostava daquelas aulas de Redação, sobretudo gostava da Maria Teresa, que no ano seguinte nos lecionaria Literatura e que me apresentaria grandes escritores, que gosto até hoje.

 

Me lembro que comecei essa auto-apresentação dizendo: "Sou paulistano, nascido no sétimo dia do ano de mil novecentos e sessenta e sete, sob o signo de capricórnio, acabei por receber em minha personalidade a influência dessa cidade, dos astros e dos meus familiares. Nessa cidade, nessa anárquica cidade, passei do instante do meu nascimento até o exato momento, tantas horas, tantos minutos e tantos segundos, tempo que fez com que quadruplicasse minha altura e elevasse ao cubo o meu peso...".

 

E eu calculei o tempo exato em horas, minutos e segundos e num determinado momento escrevi algo assim: "Sou bastante racional, penso bastante antes de tomar uma atitude, avalio os prós e contras, mas na hora agá acabo agindo instintivamente e é aí que eu me dano..."

 

Duas décadas e meia se passaram e sei que isso não mudou, são traços da minha essência, características da minha personalidade, base do meu caráter. Continuo pensando, pensando e pensando, mas muitas vezes na hora de agir faço o que vem na mente e no coração e depois não adianta mais.

 

Acho que, assim como Clarice, não sou maduro ainda. Ou nunca serei, por nunca ter desejado isso! Melhor assim, pois concordo com ela que tornar-se adulto demais implica em abdicar aos prazeres do jogo infantil. A luta hoje é não perder a irreverência e jocosidade que ainda me restam, o que faz do meu ser alguém até encantador, num mundo onde as pessoas estão tão cinzas e amarguradas, renegando suas crianças interiores e buscando afundarem-se mais e mais em angústias e depressões por conta de coisas que, de fato, importam pouco ou quase nada.

 

E é melhor nem pensar muito no assunto.


Escrito por Henrique às 08h44

tenesmos

Segunda-feira , 03 de Março de 2008

 

 

Meu amigo é muito querido, ele nem imagina o quanto. Um cara que eu admiro muito, a gente é bem parecido e quando precisa falar alguma coisa vai direto ao ponto, sem rodeios. Uma vez ele ficou bravo comigo quando eu lhe disse que a gente se entendia muito bem e havia muito tempo, porque eu nunca o levava a sério, por mais que acreditasse na sua seriedade. Ele ficou bravo mesmo e falou que a vida não era só alegria, que a gente tinha que pensar e pensar e pensar, que a vida era mesmo uma busca eterna, um compêndio de insatisfações, que tinha lido um livro de um filósofo francês ou alemão ou jamaicano, sei lá quem era, que eu deveria ler também pois era ótimo e que blá blá blá...

 

Eu escutei tudinho que ele me dizia, prestando bem atenção, olhando fundo nos olhos, e depois completei dizendo que ele era uma pessoa linda que eu gostava muito (o que ainda é verdade e que assim seja por todo o sempre) mas que se eu começasse a levá-lo tão a sério quanto ele acreditava ser necessário, se eu começasse a acreditar em todas aquelas coisas que ele fingia acreditar, a relação da gente ia perder a graça, que eu já era muito formiga e que sabia que ele era também, até mais que eu, mas que o melhor da amizade da gente era no nosso lado cigarra, que ele formiga e eu formiga não iria dar certo.

 

- Vamos cantarolar, meu amigo, vamos bailar!

 

Mas no fundo eu tinha plena consciência de que nós dois conversando sério éramos demasiadamente chatos. Eu sabia que quando pegava alguém pra Cristo me achando no direito de dar lição de moral, eu perdia boa parte do meu encanto e potencial de convencimento, e consciente de que tudo nele era superlativo, então se eu sabia ser chato, sabia ser ele ainda mais chato que eu...

 

E mais ou menos por conta dessa constatação - pois é excelente enxergar nos outros um límpido espelho da gente mesmo - eu deixei de lado aquela formiguinha séria que insistia em sempre forçar a barra com uma palavra de vamos entrar nos eixos para quem está mais no barato de curtir o momento presente.

 

Relaxa senão não goza, meu amigo! A vida é muito curta pra beber vinho vagabundo, a vida é muito curta pra sugar falos sujos ou mal lavados! Um dia você me disse que me via como um herói, como um exemplo de resistência, ficou horas me jogando confetes desnecessários, num tom de admiração desconfortável e eu só te disse que te amava. Sem mais palavras.

 

Perfeito, quando me pedem uma opinião, uma análise um pouco mais séria de alguma coisa, então eu falo o que penso, mas faço isso tentando não confundir as coisas por achar que o que vale é o meu ponto de vista e deixo de ser teimoso, capricorniunicamente. Fica melhor assim. Posso dar minha opinião, é claro, mas quem sabe onde é que o calo aperta, qual o tamanho da dor-de-barriga, a intensidade e os tempos dos puxos e tenesmos é a gente mesmo. Achar que temos a solução dos problemas alheios é tão fácil!

 

Conversar sério com algum amigo deve servir para trazer reflexões, ainda que profundas de forma branda, respeitando o tempo individual de cada um, nunca, jamais, para trazer aborrecimentos ainda maiores. E eu, como detesto que me apontem o dedo, tenho que prestar muita atenção para não agir assim, e quando o faço é de forma consciente, na maioria das vezes. Aponto o dedo em riste, se necessário, bem na cara...

 

Em alguns momentos ele me confidenciava suas angústias e mesmo nessas horas a cigarra em mim insistia em fazer graça, em tornar leve aquela audição, achava melhor não entrar nos seus conflitos existenciais de que não há na história do mundo o registro de um caixão para dois, afinal bastava a realidade apresentada de tão dura, pensava eu que reiterar seus sofrimentos e suas angústias eternas de nada adiantaria. Qual a utilidade de alimentar a depressão de alguém?

 

Mas ele sempre gostou de platéia pros seus melodramas imaginários, como eu também ainda gosto (um pouco...), e esses nossos momentos de confidências a dois, de cara limpa e livres de julgamentos ou conceitos imutáveis, que eram os melhores, foram ficando cada vez mais raros.

 

E a relação foi se esvaziando.

 

Eu aprendi que muitas vezes é na simplicidade que tudo tem solução, e também que na leveza e no sorriso a gente pode ensinar muito mais que aos berros irados, que ameaças não ajudam em nada, nunca. Mas como não posso ser aquela cigarra alegre o tempo todo, mesmo cigarra me calei muitas vezes, pois há algumas horas em que só o silêncio conforta quem está desabafando confuso, ou só o silêncio cala quem está irado ao ver alguém fazendo aquilo que ele não tem coragem de fazer...

 

Eu aprendi também que a cigarra e a formiga sempre tiveram muita inveja uma da outra. Inveja pode soar demasiado forte, mas não sei se há palavra melhor, então vai inveja mesmo.

 

A cigarra é o anjinho e a formiga é o diabinho, ou pode ser o contrário se você assim preferir, elas ficam alternando nesses papeis mesmo, e nessa analogia elas ficam martelando dentro da nossa cabeça e a gente não sabe se deve sair e se divertir e se esquece daquele compromisso de amanhã cedo, ou se deve dormir cedo para estar bem amanhã, e como a gente nunca sabe o que é melhor, está instalado o dilema. Melhor gastar fortunas em restaurantes caros, roupas caras e itens desnecessários por pura carência ou sem sequer saber a razão, ou poupar para quando estivermos mais velhos? O que é certo? O que é certo pra mim hoje pode não ser pra você nem mesmo pra mim amanhã.

 

O tempo foi se passando e a gente foi se distanciando. Nossos encontros se tornaram raros e nossas conversas cada vez mais chatas, meus parâmetros foram mudando, a minha formiguinha foi ficando calma e sábia, pois aprendeu a tempo que o melhor da Vida é o momento presente, e hoje admiro muito mais a minha doce cigarra, que sabe cantar na hora certa e desenvolveu um ouvido apuradíssimo para as alegrias e lamúrias do mundo. Anjinhos e diabinhos celebram em harmonia nossos vícios e virtudes, eles se entregam-se às orgias com a mesma honestidade e devoção com que oram ajoelhados aos pés de Buda, Cristo ou Ganesha.

 

Com ele sempre aconteceu a mesma coisa, mas lembrando que para ele tudo é superlativo! Como ele não admite isso e sobrecarrega ainda mais a sua formiga, cansada, cada dia mais infeliz e frágil refém de si mesma e de suas eternas cobranças, e ainda assim teimosa, ansiosa por conta de dias que talvez nunca cheguem, acontece que quando decide enfim dar atenção à triste e rouca cigarra, não há energia mais, quase nenhuma.  Pois ele se julga e se cobra o tempo todo, se sente na obrigação de carregar o mundo nas costas e acalmar as dores de todos, bondoso e generoso que sempre foi; mas, em contrapartida, julga a todos os seus amigos, de forma implacável, cobra eternamente ao seu mais que fiel e leal companheiro, julga, cobra, julga, cobra, julga...

 

E justamente ele que me ensinou que um amigo de verdade não deve julgar, jamais!

 

E o triste disso tudo é que a formiguinha dele de uns tempos pra cá decidiu que deve vaiar a minha cigarra, sem mesmo saber em que terras ela anda cantarolando. Por que isso?

 

Outro dia a gente brigou. Brigou feio, não pra mim, pra ele. A minha formiga ficou séria além da conta e deu um esculacho daqueles, ele bem que merecia que alguém desse uma brecada na sua loucura. Ele se colocou na posição de vítima e disse que agia daquela forma pois me amava muito e queria ver o meu bem e blá blá blá. E aí quem ficou mais bravo fui eu, nem tão bravo assim, mas teatralmente bravo. E falei, em tom bem enérgico, diria até mediúnico, do jeito que ele me ensinou, que aquilo não era amor não, que era uma panacéia de sentimentos que ele mesmo não saberia elencar.

 

Depois eu me arrependi do tom que usei. Fui pedir desculpas, dei um beijo na sua testa em sinal de respeito. Ele se fez de magoado, disse que não estava nada bom e que se eu quisesse demonstrar arrependimento que o fizesse através dos meus atos. Baixou uma Maysa na sua cigarra e ele me deixou falando sozinho.

 

Mas eu compreendo ele.

Com o coração sem mágoas, não com a razão.

Acho que é por pura e terna inveja...

Inveja de admiração.

 

Pois como dizia aquele "filósofo" brasileiro:

"Nada nos humilha mais do que a coragem alheia."
(Nelson Rodrigues)

 

Tristeza nossa, tristeza maior dele.

Sofre demais pois escolheu assim.

A culpa deve ser daquele filósofo que ele leu...

E também dele não saber direito o que é panacéia...

 

Mas isso não diminui os sentimentos bons que tenho por ele.

E que sejam eternos enquanto durarem!

 

 Com uma panacéia de sentimentos...

 

puxo
pu.xo
sm (de puxar) 1 Dor no ânus, que precede ou acompanha uma evacuação difícil; tenesmo. 2 p us Esforços que a parturiente faz para dar à luz.

 

tenesmo
te.nes.mo
(ê) sm (lat tenesmu) Med Sensação dolorosa de tensão e constrição, na bexiga (tenesmo vesical) ou na região anal (tenesmo anal ou puxo), com desejo contínuo, mas quase inútil, de urinar ou evacuar.

 

panacéia
pa.na.céi.a
sf (gr panákeia) 1 Remédio para todos os males. 2 Preparado farmacêutico que possui certas propriedades gerais. 3 Bot V braço-de-mono. 4 Bot V braço-de-preguiça. P. antimonial: V quermes mineral. P. das quedas: V arnica. P. dupla: sulfato de potássio. P. inglesa: mistura digestiva e antiácida de carbonato de manganês e gesso. P. universal, Alq: remédio com que se pretendia curar todos os males físicos e morais.


Escrito por Henrique às 09h56

Sessão da tarde

Sábado , 01 de Março de 2008

  A Princesa da Ilha 

 

 

 

...Barbie, que nesse filme se chama Rosella ou simplesmente "Rô", é uma jovem que quando pequena sofreu um naufrágio e por conta dessa tragédia ficou afastada de seus pais em uma linda ilha dos mares do sul... Na ilha onde cresceu ela fez amigos, pois afinal ninguém vive sozinho, sendo eles um panda vermelho de nome Sagi, um Pavão um tanto quanto efeminado de nome Azul, e uma elefantinha de nome Tika, que se tornaram sua família. Nesse convívio ela desenvolveu a extraordinária capacidade de se comunicar com os animais, compreender o que eles dizem...

 

Certo dia um príncipe chamado Antônio, um aventureiro, foi até essa ilha paradisíaca e a levou de volta para a civilização, junto com a sua trupe, é claro, então eles se apaixonam, mas o príncipe deveria se casar com uma outra princesa, por conta daquele papo de unir reinados.

 

O filme tem de tudo, uma rainha que é uma bruxa, um rei que é um ditador autoritário e até uma macaquinha de estimação com cara de socialite acidentada numa sessão de botox. Rosella e sua amiga Tika descobrem um plano diabólico para dominar aquele reino, mas como em boa história infantil tudo acaba bem, o final é surpreendente e inesperado. Nem tão surpreendente assim, mas beleza...

 

Uma linda aventura musical mostrando que, quando somos guiados pelo amor, milagres podem estar mais próximos do que imaginamos. Pois essa é a minha dica de filme pra o final de semana!

 

Tudo isso pode parecer estranho, não é? Mas não para quem tem uma sobrinha de quase 4 anos para vibrar com cada cena, ou ainda uma filha... Pois nada como o aconchego infantil num sábado a tarde, sem preocupação alguma com nada além de se deixar contagiar com essa alegria pura... Afinal, não basta ser tio, tem que participar...


Escrito por Henrique às 18h13


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