BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

fê lix

Sábado , 31 de Maio de 2008

 

 

 

Noite fria de sábado e estou em casa sozinho. Me sinto feliz com um sorriso gostoso no rosto, sorriso preguiçoso que me acompanhou o dia todo, deveria estar agora no sítio com amigos queridos, mas escolhi assim: o prazer incomparável da solitude. Poderia ter passado o dia com amigos  bacanas, fazendo com eles as coisas que gostamos e que fizemos inúmeras vezes, mas hoje senti um desejo necessidade imenso de estar comigo mesmo, apenas comigo e sem mais ninguém, sem interagir com mais nada além do controle remoto boa parte do dia e desse teclado agora a noite, o dia frio inspirava dormir no sofá a tarde, depois do almoço com a tv ligada e foi isso o que fiz. 

 

Venho de insanos dias corridos, de semanas confusas, por vezes ligado no piloto automático sem pausa pra pensar muito em mim mesmo e sem alternativa B, tendo muitas vezes que auxiliar pessoas que amo profundamente mesmo sem saber de que forma, comentei algo superficialmente aqui no blog mas não é hora ainda de entrar em detalhes. Meu trabalho tem me exigido muito, cheguei ao absurdo recorde de dezoito horas de atividades seguidas num dia dessa semana, com breves pausas para comer, mas isso não me cansou não e como digo sempre não posso perder esse momento, tenho consciência de que caminho à passos largos para dias de muita prosperidade e reconheço a minha importância nessa fase da empresa. A minha hora é essa.

 

Uma vez um amigo querido me disse que quando a gente trabalha bem, a Vida nos recompensa com mais e mais trabalho. E é verdade. Algumas vezes me surpreendo comigo mesmo, bate aquela canseira lascada e eu olho pro relógio, vejo que ainda tenho função e busco energia sabe-se lá de onde pra continuar por mais uns pares de horas, quando me dou por conta acabou, já é amanhã cedo e começou tudo de novo. Ainda bem que sou de dormir pouco, em geral quatro ou cinco horas por dia bastam para me repor o essencial durante a semana e tiro o atraso, quando tiro, num sábado ou domingo. Ainda assim acordar cedo me inspira. 

 

Mas hoje escolhi fazer diferente, desliguei todos os aparatos tecnológicos que o mundo moderno nos oferece, tirei o dia pra mim. Pensei que meu celular ou o rádio poderiam me roubar de mim mesmo e preferi não correr esse risco, tratei de desligá-los para que nada mudasse os planos que sequer havia feito... Sabe aquela coisa do banho demorado, de cortar as unhas dos pés e das mãos com bastante carinho, lixar os pés e passar um creme com cânfora, colocar uma meia bem quentinha, comer no almoço das onze da manhã aquela sopinha que sobrou de ontem, fazer novo almoço jantar às cinco da tarde e se empanturrar antes disso com meia caixa de chocolate e tudo o que encontrasse na geladeira? Não exatamente por algo relacionado com ansiedade, carência talvez. E como não sei carência do que, ao certo, me nutri de mim mesmo que é o que não pode faltar jamais. Soberba às favas, eu era tudo o que eu precisava no dia de hoje.

 


Escrito por Henrique às 20h00

esmeraldades

Segunda-feira , 26 de Maio de 2008

 

sonhei em ter bem de perto

verde ver olhos transparentes

buscar ver, dever me mostrar

tornar querer ao meu eu encontrar

sonho bom terno e eterno

ver verdes horizonteMs

buscar, temer, me devo mostrar

querer (à)o mel encontrar

ter bem de perto pois sónhei

transparentes olhos ver de ver

deverei me mostrar, busquei ver

querer-ia encontrar-te ao me tornar

eterno no bom, esse é o sonho

esperando aqui dom, verdes olhos

buscando-me, mostrar, devo ter

encontrado em mim o teu mel

nas doces manhãs do outono


Escrito por Henrique às 22h00

wesak

Segunda-feira , 19 de Maio de 2008

 

 

Suspiro cheiroso

olho verde esmeralda

suspiro de novo treinoso

mergulho fundo

trans, parente polaco polido

náufrago com assento marcado

debruçado em sonhos sutis

enroscado em sorrisos.

Arerê,.,.,.

 

1lobby

hum!love


Escrito por Henrique às 19h40

renato

Sexta-feira , 16 de Maio de 2008

 quarta

   ontem

 quinta

hoje  

 cesta

quero te falar

 de Renato

embora saiba

que não é

tempo.

Ah, ainda;

 

- Temos.todo.o.tempo.do.mundo.


Escrito por Henrique às 21h00

manhãs de outono

Domingo , 11 de Maio de 2008

 

Ele me fez uma pergunta e eu, que estou ficando meio surdo e com a barulheira do trânsito, entendi outra coisa. "Madonna logo cedo ninguém merece..." pensei comigo. Alguns minutos passados das sete horas da manhã, eu ainda um tanto quanto sonolento cheguei a pensar que aquela era uma pista, afinal falar sobre nossos gostos musicais é uma forma de expor nossas intimidades.

 

 

Mas não era a secular Madonna e sim Mamomas, Mamonas Assassinas. Ainda assim rejeitei a metade do seu fone de ouvido, aleguei que não gosto de ouvir música com fones, o que é verdade pois eles me incomodam, e ele decidiu que iria guardar seu aparelhinho na mochila, afinal estava com pouca carga e melhor seria guardar pra mais tarde, no retorno do estágio pra faculdade, feito invariavelmente mais cansado e sem companhia pra trocar palavra. E então a gente começou a conversar sobre o acidente aéreo, quando ele era ainda um garotinho loirinho, a princípio eu mais falava que ouvia e ele prestava bem atenção, com o brilho nos olhos de quem está interessado e aprendendo alguma coisa com alguém com idade pra ser seu pai. E eu, como bom ouvinte que aprendi a ser, promovia pausas pra que ele comentasse, puxava outros assuntos, aos poucos ele foi deixando de lado aquela timidez brejeira e a gente foi engrenando numa conversa gostosa por uns quarenta minutos, minha atenção era total e o brilho nos meus olhos diferente - de admiração, até que chegou a minha hora de descer do ônibus.

 

- Bom trabalho, até amanhã!, ele me disse.

E eu corrigi: - Não, até segunda, amanhã é sábado...

E ele, sorriso gostoso no rosto angelical, em desconcertante tom sedutor: - Já estou me acostumando a conversar com você toda manhã...

 

Eu travei por incontáveis e perturbadores instantes. Respirei fundo, quase suspirando, dei um sorriso cúmplice e apertei sua mão, como fazemos todo dia no encontrar e no despedir menos de hora depois, mas dessa vez me subiu um calor gostoso como havia tempos não sentia.

 

Havia algumas semanas que a gente vinha tomando ônibus juntos toda manhã, eu o observava dia após dia e sentia uma vontade enorme de puxar conversa, mas também tenho a minha timidez brejeira e, como gosto de ler meus livros no ônibus, fui deixando fluir na certeza de que uma aproximação natural aconteceria qualquer hora dessas. Um dia acontece, pensava comigo. Percebia que ele também me olhava, aos poucos a gente começou a se cumprimentar com um leve balançar da cabeça, se observava com vontade recíproca de conversar, mas não passava disso. No fundo eu adoro essa coisa do flerte.

 

Isso durou incontáveis dias. Eu acordava cedo, tomava meu banho, fazia a barba, separava na mochila a roupa e toalha pra academia, um lanche pro meio da manhã e da tarde, meu necessáire com minhas pilulas e itens de higiêne, escolhia algum livro e em vários instantes dessa maratona me pegava lembrando da sua fisionomia, do seu jeito moleque, me lembrava e olhava pro relógio, deliciosamente ansioso pra não perder a hora. Ainda bem que os ônibus dessa linha, nesse horário, passam de meia em meia hora...

 

Até que um dia aconteceu a desejada aproximação; voltando pra casa num ônibus desumanamente lotado, sem me dar por conta parei ao seu lado com a minha mochila azul, aquela que me dá ares de adolescente ninja que carrega a vida nas costas, ele se ofereceu pra segurá-la e o ônibus lotado foi o mote pras primeiras palavras. E a gente conversou sobre o transporte público, sobre o caos do trânsito e a expansão do metrô que em 2018 nos dará uma estação no bairro, sobre o bairro onde moramos, tão tranqüilo e residencial quando eu era criança e tão bairro da moda hoje, divagávamos sobre o mercado de trabalho, discorríamos sobre os rumos da educação, com segundos de silêncio e muitos olhares de admiração. Parecia que éramos amigos de infância, como se não houvesse entre a gente uma enorme diferença de idade.

 

E desde então a gente fica se esperando no ponto todo dia cedinho. Ele não falha nunca, eu é que por vezes tenho que ir mais cedo, ou na véspera trabalhei até tão tarde que me permito dormir um pouco mais de manhã. Mas mesmo quando trabalhei muito no dia anterior basta acordar pra me lembrar dele e me levantar rapidinho, ainda que tenha avisado no escritório que só chegaria às dez...

 

A questão é que, no rastro oculto das paixões platônicas, estou deliciosamente apaixonado por esse garoto. Me pego com sorriso bobo no rosto lembrando do seu semblante, do seu jeito de moleque responsável aspirante a homem de bem. Me pego feliz me lembrando de mim mesmo, vinte e poucos anos atrás, saindo de casa cedo, de banho tomado e gel cheiroso no cabelo, indo pro estágio e de lá direto pra faculdade. Me recordo dos homens mais velhos daquela época, grisalhos como sou hoje, com seus ternos escuros e gravatas coloridas, que tanto mexiam com as minhas fantasias de menino que já sabia gostar de meninos e de homens. Me lembro de mim mesmo com a metade da idade que tenho hoje, testosterona insistindo em me deixar em situação constrangedora no ônibus lotado, benditas sejam as mochilas azuis que disfarçam nossas ereções matinais...

 

Eu não vou assediá-lo e não creio que essas sensações passem disso, afinal não fica bem pra um homem nessa fase da vida agir assim e uma ação mais direta pode afastá-lo. Eu não me imagino com aqueles xavecos baratos, frases do tipo "seus olhos são lindos"... Sei me portar como um cavalheiro e pra ser sincero nem me interessam meninos tão jovens, não me imagino namorando alguém numa fase da Vida tão distinta da minha, mas essa sensação que nutro nas minhas divagações me faz muito bem, me faz sentir que estou vivo e que tenho meus encantos, a tal da auto-estima agradece. Mas se ele for tão atirado quanto eu era, décadas atrás, não me incomodarei com xavecos baratos não... E como disse meu amigo, não cabe subestimar ninguém por conta da idade. Eu mesmo já era bem maduro com vinte anos de idade e conheço muito homem de quarenta que tem sequer sinais primários de maturidade.

 

Eu nem sei seu nome ainda, aliás isso nem importa, pois não muda nada. Ele é pra mim a minha paquerinha loirinha das manhãs de outono e o que sei é que amanhã, conforme combinado, poucos minutos passados das sete horas, vamos nos encontrar e então estarei indo trabalhar em muito boa companhia. Por ora isso me basta. Dizem que o olhar é o limite, mas os meus sonhos e o meu sorriso, esses não têm limite. E talvez a gente pergunte o nome um do outro. Mas isso não importa, não é mesmo?


Escrito por Henrique às 19h30

cry boy cry

Sábado , 03 de Maio de 2008

 

 

Não é que eu não minta, acho que todo mundo mente vez ou outra, o ponto é que eu não sei mentir. Ou melhor, não é que eu não saiba mentir, eu até sei mentir quando não há emoção minha envolvida no lance, mas quem me conhece um pouco mais sabe quando eu estou mentindo e basta me sugerir a parede com um olhar de desconfiança pra que eu gagueje, fique com a boca seca e o rosto vermelho ou branco ou sei lá que cor, o que deixa claro, ainda que eu acredite sustentar que o que estou dizendo é verdade, que estou mentindo, ou quando muito menos, que estou omitindo alguma coisa...

 

Essa talvez seja uma das minhas maiores virtudes, das mais puras. Portanto, mentir eu evito, aos que amo, mas a eles omito ou procuro dissimular, o que dá na mesma.

 

Tem horas que a gente precisa mentir, mentir que pesquisou nessa bosta de internet e constatou que os dados daquele exame não são alarmantes, que não é nada grave como pode parecer aos leigos, mesmo quando as palavras são claras na sua biblioteca antes mesmo das respostas confusas do google. Antes era tudo mais fácil, se não sabia não sabia e pronto. Tinha que falar com quem sabia de fato.

 

E eu aqui, encerrando mais um dia em que busquei manter a tranquilidade, tirar o foco das dores alheias cada instante mais próximas. E saiba que, por mais alegres e espontâneos que tenham sido cada sorriso, e foram muitos e bem reais, havia lá no fundo uma tristezinha triste, angustiazinha penosa querendo aflorar. E eu não sei mesmo como será o amanhã, só sei que hoje, ao me deitar, vou mais uma vez  me permitir chorar sozinho agarrado aos meus travesseiros, em mais uma madrugada triste e fria que promete navalhar a alma. Por mais que eu saiba que chorar vai me fazer sofrer.


Escrito por Henrique às 22h38


 m O O n 

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