BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

doce imaginária

Sábado , 28 de Junho de 2008

"Então: que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias,

bem assim: que seja doce.

 

Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo,

repito sete vezes para dar sorte:

que seja doce

que seja doce

que seja doce

e assim por diante."

 

Caio Fernando Abreu

 

O Outono já se foi e as minhas manhãs continuam doces... Não está fácil sair da cama as 6hs da manhã, mas me lembro sempre do Caio e antes de me levantar repito esse mantra, tem funcionado e eu recomendo... Mas confesso também que, além das divagações do Caio, lindos olhos verde esmeralda também me inspiram a sair da cama e encarar a batalha diária... E eu até já sei seu nome... E ao me lembrar das nossas manhãs de outono ou de inverno, das conversas cada dia mais fraternas, abro um sorriso moleque e me embargo de felicidade.

 

Quem foi mesmo que me ensinou que

a felicidade é um estado imaginário?


Escrito por Henrique às 23h15

cura

Quinta-feira , 26 de Junho de 2008

 é n e sc e ss ár e a ê é ür gh e nt e


Escrito por Henrique às 21h30

carcinoma

Sexta-feira , 20 de Junho de 2008

Não que isso seja raridade, mas naquele domingo eu acordei especialmente feliz. Como quase não tenho tido tempo livre durante a semana, tirei aquela manhã para ler com calma meus emails pessoais, assistir aquelas apresentações muitas vezes repetidas que requerem atenção especial e regar as amizades desse meu blog querido. Aliás, vocês sabem que tenho por hábito responder cada comentário que recebo; seja por carinho, por educação ou por carência. E cabe aqui uma nota: essa semana completamos a incrível marca de 600 comentários! Comentários que, graças à civilidade e ao respeito de cada um de vocês, sem me preocupar, mantenho previamente aprovados. Até hoje só deletei um deles! Mas não é esse o ponto...

 

Eu respondia alguma mensagem, me levantei para buscar algo na cozinha e quando passava pela sala minha mãe me chamou, dizendo que precisava ter uma conversinha mais ou menos séria comigo. E, antes que eu pensasse sobre o que seria (haja vista que há tempos não tomo broncas e minha vida anda nos eixos) ela desatou a falar:

 

- Então meu filho, você sabe que todo ano eu faço meus exames periódicos, esse ano eu refiz todos os de rotina, colesterol, essas coisas e também aquela mamografia, e apareceu um carocinho no seio direito, a médica me encaminhou pra um especialista, mas não fica preocupado não, não há de ser nada... Eu estou tranquila e mesmo que seja alguma coisa vamos tratar...

 

Silêncio. Longo silêncio. E ela continuou, voz embargada:

 

- Eu não conversei antes com você e a sua irmã, mas já passei por um mastologista, também por um oncologista e terça-feira vou fazer um procedimento, retirar material pra análise, fazer biópsia do tecido e vamos torcer, não há de ser nada. Como eu te disse eu estou tranquila e mesmo que tenha alguma coisa mais grave vamos tratar...

 

Novo silêncio. Daqueles que duram uma eternidade e dão um nó na alma. Eu preferi não falar muito, não me lembro ao certo mas devo ter concordado com ela que não haveria de ser nada, sei que voltei ao computador com a cabeça zunindo à milhão e a primeira mensagem que abri era um vídeo de dois poloneses se superando numa apresentação, uma música de fundo linda e eu postei aqui, escrevi o que me veio à cabeça, força, força e mais força. Superação e auto-controle, mas não sabia ao certo a extensão do que viria na sequência.

 

Ela fez a biópsia no dia marcado e assim que ficou pronto o resultado do exame foram buscá-lo, antes mesmo da consulta com o tal oncologista que o havia solicitado - procedimento que eu desaprovo totalmente, buscar resultado de exames complexos e abri-los dias antes de uma consulta, sem saber interpretar os resultados. É loucura. Mas é claro que eu pedi pra ver os resultados, mesmo não sabendo interpretá-los... Mesmo sendo ignorante quanto ao tema... Interessante registrar que ela e meu pai, na inocência deles, estavam otimistas com o que haviam lido e ela então me disse:

 

- Ufa, meu filho, foi melhor mesmo a gente ter aberto, tem um monte de resultado negativo, que bom que não é câncer, estou aliviada, é apenas um carcinoma, é o tal do nódulo, não é? Olha, te confesso que eu estava bem preocupada, mas agora estou mais tranquila, tem um monte de termo que eu não entendo, mas tem um monte de negativo, melhor assim...

 

Eu gelei ao ouvir aquela palavra e em seguida abri o exame que não deixava dúvida: carcinoma = câncer.

 

Eu não sei mentir, tentei disfarçar o susto que tomei e disse que iria ao computador fazer umas pesquisas. Me segurei pra não chorar, sabia que chorar de nada ajudaria naquele instante e traria um desespero que poderia tomar proporções catastróficas. E então iniciei minha pesquisa, termos como duto, invasivo, anel, metástase, e mais um monte que me foge nesse instante passaram a rodar na minha cabeça e eu tentava estabelecer uma relação entre eles. Tarefa dura ler tudo aquilo e não lembrar que 20 anos atrás uma tia querida, irmã caçula da minha mãe, havia falecido por conta de um tumor no seio.

 

A velocidade da informação em tempos de internet é um aliado, mas um aliado cruel que te dá informações às vezes muito além da sua capacidade de processá-las. Fui me sentindo lento, exaurido, piscava os olhos como se estivesse estudando madrugada adentro, sugado na minha energia vital, não sei se algum dia antes me sentira assim. Dez minutos depois e ela entra no escritório, me pergunta se estava tudo bem e minha resposta evasiva, dissimulada, delatava que não. Tentei disfarçar que eram muitos termos técnicos que eu desconhecia, que realmente não era nada de grave, mas que o melhor seria mesmo ela avaliar com o médico.

 

 

Ela foi ao médico e coube a ele explicar o que deveria ser feito. Por sorte tratava-se de um tumor em fase inicial, um câncer raro e pouco agressivo, registrado em geral em mulheres que iniciaram reposição hormonal logo após os 40 anos e o fazem há mais de 10 anos, exatamente o caso da minha mãe que aos 48 anos fez a retirada de útero e ovário e durante mais de 15 anos fez reposição hormonal. Esse tipo de tumor geralmente não necessita de quimioterapia, o tratamento é a retirada do nódulo, radioterapia e suporte com medicamentos pra evitar novos focos. E foi assim que ela decidiu fazer, sem aguardar muito consultou outros especialistas apenas pra confirmar o diagnóstico e sentir-se mais segura. O médico disse que não havia pressa, que ela poderia aguardar até uns 6 meses, mas seria pior fica nessa angústia e ansiedade, então essa semana ela fez a retirada do nódulo contaminado, bem como de um quadrante do seio direito, na sequência outra cirurgia reparadora no local e também a diminuição da mama esquerda, pra ficarem iguais.

 

Ela, que sempre teve muito seio, terá que reduzir o sutiã de 46 pra 44 ou 42, o que ainda é um seio respeitável. Minha mãe querida está se recuperando bem da cirurgia e tudo está correndo bem. E eu, mais uma vez, me impressiono com a minha tranquilidade. Meu pai está perdidinho, tentando demonstrar força e é um companheiro exemplar, eles estão juntos há 52 anos, entre namoro, noivado e casamento e vivem uma Vida bem feliz, são referência na família pela cumplicidade e carinho com que se tratam.

 

Mas, ainda assim, não é fácil. Minha missão, nesse final-de-semana é cuidar dela. Nada mais justo e o faço de coração, não por dever ou obrigação. Nesse momento é comigo, e principalmente com meu pai, que ela pode contar. Pra alguns, a Vida é festa! E não cabe cobrança alguma, afinal de contas ninguém dá o que não tem.


Escrito por Henrique às 22h22

just do it

Domingo , 15 de Junho de 2008

 

falak pakad ke utho, aur hawa pakad ke chalo

falak pakad ke utho, aur hawa pakad ke chalo

 tum chalo, to hindustan chale

tum chalo, to hindustan chale
tum chalo, to hindustan chale
tum chalo, to hindustan chale
lagao haath ke suraj subah nikaala kare
hatheliyon mein bhare dhoop aur uchhaala kare

lagao haath ke suraj subah nikaala kare
hatheliyon mein bhare dhoop aur uchhaala kare
ufaq pe paon rakho, aur chalo akad ke chalo

ufaq pe paon rakho, aur chalo akad ke chalo
falak pakad ke utho, aur hawa pakad ke chalo

falak pakad ke utho, aur hawa pakad ke chalo

tum chalo, to hindustan chale

tum chalo, to hindustan chale

hindustan chale, chalo.


Escrito por Henrique às 10h00

namorados

Quinta-feira , 12 de Junho de 2008

 

 

Há tempos não sei mais o que é namorar. Namorar gostoso, pensar em alguém durante o dia, fazer planos de viajar junto aos finais de semana, nem me lembro mais como é isso... Estava aqui recapitulando a minha Vida e me dei por conta que a última vez que me envolvi lindamente com alguém foi em dezembro de 1997, a paixão foi tão arrebatadora que não nos desgrudamos e vinte dias após nos conhecermos ele foi morar comigo. E assim vivemos pouco mais de três anos bem felizes, embora a relação não tenha sido nada fácil, por conta dos nossos temperamentos fortes somado à imaturidade. O romance acabou de forma bem deselegante, com brigas feias, ameaças desnecessárias sem resquícios de respeito, com um terrorismo lascado que fez com que sequer desejássemos manter a amizade.

 

Passado o trauma dessa separação, vidas refeitas em continentes diferentes, retornei uma relação antiga e até hoje não compreendi os motivos que me levaram a aceitar retomar um namoro com histórico tão complicado. Mais dois anos mornos e de novo a separação, recentemente falei sobre isso em outro post, e desde então não sei o que é nutrir sentimentos afetivos por alguém além da amizade. Sequer romances brandos de finais de semana tenho vivido, há tempos não me envolvo com alguém com quem faça planos de uma Vida a dois, há quase um ano não sei o que é dormir acompanhado, há meses não beijo com ternura.

 

Mas eu não acho isso normal não. Sei que está faltando um fator importante na minha evolução pessoal, no meu crescimento, que é o relacionar-se amorosamente com outro alguém, conviver com alguém que se derreta ao ouvir minha voz ou ao enxergar meu sorriso, alguém que queime em meus braços numa transa quente sem pressa alguma de gozar, alguém que planeje férias ao meu lado num chalézinho da montanha, alguém pra ir ao cinema, alguém pra chamar de meu amor. ALguém que me traga questionamentos profundos sobre o ser humano. É querer demais? Lógico que não. Tenho muita lenha pra queimar ainda, não é mesmo?

 

Eu tenho uma amiga mística que lê tarô e que recentemente me disse que eu terei vida afetiva longa e bem feliz com alguém que já está no meu círculo de amizades, esperando um sinal meu pra chegar junto... Ela não disse quem era, alegou que não sabia ao certo, disse que a pessoa sentia receio de se declarar por conta desse meu jeito afetivo com todos e ao mesmo tempo sério demais, como quem prefere manter distância. E o que ele disse é verdade, explicando digo que sou de abraços longos, apertados e calorosos, de olhares profundos e sorrisos de cumplicidade entre amigos, mas como isso é com quase todos, um eventual pretendente pode não sacar que certas vezes meu sorriso tem um quê de te quero pra ser meu pra sempre, meu abraço tem um aperto menos fraterno que o convencional e com conotação de adoraria estar te abraçando durante uma ducha quente ou embaixo de um edredom cheiroso...

 

Ela me disse que um dia seríamos arrebatados por um amor lindo, suave e bem consistente, daqueles de causar felicidade alheia. E desde então eu tenho estado em alerta, olhando cada amigo querido como um possível namorado. Mas não arriscaria dizer quem é, embora tenha um ou outro que se comporta da mesma forma afetiva que eu e provoque em mim o mesmo tipo de receio que ela alegou que eu provoque. Portanto, muita calma nessas horas... Quem é meu, está guardado!


Escrito por Henrique às 23h45

A Deus Pai...

Domingo , 08 de Junho de 2008

 

 

"Quem chama Deus de Pai

tem obrigação de chamar

gays, lésbicas, travestis,

transexuais e bissexuais

de irmãos."

 

 

GRAB - Grupo de Resistência Asa Branca

Movimento Homossexual do Ceará

(85) 3253.6197 grab@uol.com.br


Escrito por Henrique às 23h33

o utono

Segunda-feira , 02 de Junho de 2008

 

 

 

.o .u t o n o t u. o.


Escrito por Henrique às 22h00


 m O O n 

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