BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

labirinto

Domingo , 31 de Agosto de 2008

 

 

Me sinto confuso, mais uma vez, com medo. Fico aqui com o meu mental acelerado, tentando buscar respostas pras perguntas que sequer consigo elaborar, misturo divagações de Renato Russo e Cazuza com citações bíblicas, concluo que se de fato muitos temores nascem do cansaço e da solidão está tudo explicado pois me sinto solitário e cansado, e então se é verdade que orando melhora o melhor mesmo é orar, mas não sei para quem, já acendi muita vela pra defunto vagabundo...

 

Minha Vida anda um tédio absoluto, uma insatisfação me ronda o tempo todo, não uma tristeza permanente mas uma falta de alegria consistente, uma alegria que se sustente sozinha, a alegria pura e simples e sem a justificativa das palavras, disfarço minhas inquietações brincando que a felicidade é um estado imaginário, digo sorridente que me imagino feliz enquanto fico me perguntando desde quando me sinto assim, nessa melancolia que me ronda o tempo todo, e arrisco dizer que desde sempre.

 

Nada acontece, eu não crio expectativas e deixo a Vida me levar, sou quase qual cachorro vadio que se norteia pelo cheiro da fome, que segue um sorriso enganador mesmo sabendo que será chutado na próxima esquina. Saudosista e amargurado que sou fico me perguntando quando é que foi que me enfiei nesse labirinto e se algum dia acharei a saída. Não falo de coisas concretas, pois sou prático o bastante para listá-las e criar um plano de contingência para lidar com elas; falo das dores abstratas, aquelas que navalham a alma, que dóem tão profundo que a gente nem sente mais, falo da madrugada fria que insiste invadir a noite que deveria ser de sono.

 

Acabo de chegar da praia, mais uma vez me permiti estar com pessoas queridas que me querem bem. Foi um final de semana lindo, frio com chuva no sábado e um domingo de sol gelado excelente para caminhar na areia. E só caminhei por umas quatro horas, sem rumo certo, algumas vezes com amigos, em outras sozinho. Mas me sentia estranho o tempo todo, com um gosto estranho na boca, com um olhar parado de quem não sabia como agir.

 

Me lembro agora, com razoável nitidez, de uma cena em um filme, Albergue Espanhol, em que já bem ao final da história o protagonista caminhando sozinho pela rua delata sorridente em pensamento as suas inquietações com o mundo externo, quando admite que permanentemente tem a sensação de não pertencer ao local onde está. Pois sou meio assim, o tempo todo tenho a sensação de não querer estar onde estou.

 

Estive com pessoas lindas, dando risada, boa comida, boa bebida. Gente bacana mesmo, homens e mulheres da minha idade, casados, solteiros, não importa, são amigos que gostam de celebrar a Vida, reunir outros queridos. E sei que sou querido, por eles e em muitos outros grupos, estava lá mas estava aqui, estou aqui mas queria estar lá, nada me satisfaz. Amanhã será mais um dia em que terei essa sensação e assim por diante. Acho que estou mesmo é precisando dar uns bons beijos na boca. Antes fosse só isso...


Escrito por Henrique às 22h14

pressa

Terça-feira , 26 de Agosto de 2008

 

 

Dos aprendizados recentes creio que o de mais valia é a importância de se desistir da pressa, aprender a respeitar o tempo natural de cada processo, ter calma e tranquilidade sobretudo na hora de se expressar. É a porra da pressa que faz a gente fazer de qualquer jeito para cumprir um prazo que muitas vezes só existe na cabeça da gente, é a porra da pressa que faz a gente botar os pés pelas mãos e fazer besteira, e que bom que eu venho conseguindo assimilar isso, ainda que a duras penas muitas vezes. Tenho aprendido sobretudo em relação ao momento de calar ou de falar, justo eu sempre tão ligado e tão rápido, sempre com uma resposta pronta na ponta da língua, nem sempre tão doce e amigável como deveria ser, tenho muitas vezes que mordê-la para não me arrepender depois. Penso, mas não verbalizo, ao menos não socializo a merda...

 

Mas eu não estou dizendo que no meu mental as coisas não continuam aceleradas, apressadas e acho que até mais que antes, e a minha interpretação é simples: quando a gente se expressa no pá e pum, bota pra fora o que está pensando, em geral esgota o assunto e ao menos não fica remoendo possibilidades no mental.

 

Ou seja, parece fácil, mas não é.


Escrito por Henrique às 22h35

oiê...

Quinta-feira , 21 de Agosto de 2008

 

 

Ultimamente tem sido mais ou menos assim, eu fico o dia inteiro com vontade de blogar mas não posso, tenho um absurdo de coisas pra fazer e nenhuma chance de parar pra escrever. A todo instante me surgem idéias e mais idéias, fico numa divagação mental mas tenho que desligar e focar no meu trabalho, que requer bastante atenção. E quando chego em casa a noitinha estou tão cansado que só quero saber de um banho, um jantar leve, uma ou duas horas de ameba em frente a televisão com direito a cochilo antes de ir pra cama. E é assim a semana toda, os sábados e domingos passam tão rápido que nem me dou por conta, acabo tirando esses dias para descansar e resolver assuntos pessoais. Me sinto displicente com esse meu mimo, esse meu blog querido, mas não dá pra fazer diferente, fazer apenas por fazer, não gosto disso e então tenho que aceitar as coisas como elas se apresentam. Acho que me falta alguma disciplina, mas ao mesmo tempo de obrigatório já basta o que tenho no trabalho, e mesmo no trabalho procuro fazer não apenas por obrigação.

 

Mas a quantas anda a minha Vida? Vida profissional, pessoal... Não sei muito não... Fico pensando e constato que poucas vezes me senti tão espontâneo quanto nos últimos meses, digo isso no sentido de não ter muita ansiedade ou expectativa, o que me permite deixar que a Vida me leve. Deixo a Vida me levar, vou nadando conforme as correntezas, dançando conforme as músicas, fazendo as coisas que aparecem e acho que é um bom sinal, de amadurecimento. Irônico pensar que estou livre, leve e solto, justo eu sempre tão planilhado, sempre tão sabendo o rumo das coisas... Mas acreditava que um dia isso haveria de mudar, e felizmente mudou.

 

Mas vamos lá, falar um pouco de mim nesses dias corridos... Estou com a vida profissional em fase excelente, novos desafios que surgem a todo instante, me lembro sempre que quando iniciei a negociação para esse novo trabalho eu contei das minhas experiências e deixei claro que não tinha experiência nenhuma com recursos humanos, nem com a área de suprimentos ou área financeira. Expliquei durante o processo de seleção (que encaro muito mais como um flerte...) que eu dominava a área comercial, as áreas técnicas todas, assistência técnica, desenvolvimento, informática, pois foram quase 20 anos trabalhando nessas áreas e não teria muita novidade por aqui não... Ironia dos meus chefes malucos (que já eram meus amigos algum tempo antes desse casamento profissional) que me dão liberdade e carta branca para trabalhar e hoje eu faço de tudo um pouco, exceto financeiro, não tenho talento pra finaças... Mas estou mais focado em recursos humanos, cuido de recrutamento e seleção, treinamento, supervisiono equipes, tenho pouco mais de 100 pessoas para cuidar e até o final do mês assumo recrutamento e treinamento das outras empresas do grupo, passarei a ter como missão desenvolver e aprimorar 400 pessoas. Mas faço também algo de de compras, vendas, informática, acabo fazendo o que for necessário. Bacana, sem sombra de dúvida eu gosto disso e me sinto feliz.

 

Na Vida afetiva nada de novidades, aquele meu romance platônico é tão íntimo que nem aflora e nem adonatela... Me desculpem pela piadinha sem graça, mas não vou me censurar, não gosto de censura e muitos que me lêem talvez nem tenham entendido mesmo... Pois então, a gente tem se visto umas duas ou três vezes por semana, pinta aquele clima forte, aquela coisa do olhar profundo com sorriso de admiração mas não passa muito disso, uma ou outra frase delatora que faz o outro travar, então eu entro no movimento compaixão e tento imaginar como seriam as coisas se trocássemos os papéis - é bom se colocar no lugar do outro algumas vezes. Mas nossos momentos não seriam muito diferentes, apenas que eu mais jovem já teria me declarado, correndo os riscos pertinentes, digo que eu era bem danadinho quando tinha 21 anos...

 

Na segunda-feira dessa semana eu fui trabalhar de carro, eu havia passado o final-de-semana no sítio com os amigos e por uma questão de logística voltei pra casa com o carro do namorido do diretor da empresa e tinha que levá-lo pra revisão na segunda-feira. Um carrão com itens de segurança e conforto que impressionam e é claro que eu gosto disso... Evidente que liguei pro Caio (o polaquinho...) e lhe ofereci carona, sete e pouco da manhã em frente a uma agência bancária, começamos muito bem a semana com nossas conversas bastante variadas. Teve um momento que eu pensei que a gente fosse se beijar, o clima foi tão forte que cheguei a sentir que iria rolar, acredito que se um de nós se aproximasse na intenção o outro se jogava rapidinho. Mas ficou só no desejo, feliz ou infelizmente. Ficou no ar aquele clima de "o que foi isso"... Me deu taquicardia, fiquei branco, vermelho, sei lá que cor, a garganta secou, deu tontura mas faltou coragem... Deixei o meu garoto no trabalho, nos olhamos com ternura e desejo, e fui trabalhar.

 

Maluco que a gente fica viajando toda hora na idéia de acampar numa cachoeira qualquer, de sair pra beber cerveja até cair, de ir ao cinema assistir o Zé do Caixão, de passear de bicicleta no Villa Lobos, de ir dançar numa balada qualquer... Mas não faz nada disso, um fica esperando o outro se jogar e nada acontece. Encantou? Sei lá. E nem me importo, está bom como está.

 

No mais a minha mãe está bem, essa semana completou dois meses da primeira cirurgia (a retirada de um quadrante do seio direito), ela está se recuperando legal e hoje começou a fazer radioterapia, não será necessário fazer quimioterapia, embora ela tenha que tomar até o final da Vida um medicamento que custa uma bagatela de dois salários mínimos. Mas melhor assim, ela não lidou bem com a simples hipótese da quimio. Meu pai continua exemplar e eu fico muito feliz por estar em harmonia com eles, é a família que tenho.

 

O que eu tenho a dizer é isso, me sinto feliz apesar dessas adversidades, me sinto maduro e pronto para encarar o que aparecer.

 

Essa semana refiz meus exames de sangue, faço três consultas por ano com a infectologista e há tempos me mantenho com carga viral indetectável e CD4 em valores bacanas, tudo bem que sou Caxias com os medicamentos, não sei o que é adoecer há tempos, não me lembro quando foi a última vez que algo me fez cair de cama, uma ou outra leve indisposição gástrica, algum resfriado, mas nada mais sério e sempre consigo relacionar eventos desse tipo com algum fator externo, uma chuva, uma noite mal dormida, um alimento diferente do habitual.

 

Aliás, faz tempo que não caio de cama, nem por doença e nem por lazer. Mas cabe dizer que sinto falta de acordar de madrugada ao lado de alguém... E que bom que estou aprendendo a controlar minha ansiedade e há tempos desisti da pressa...


Escrito por Henrique às 23h00

love

Segunda-feira , 18 de Agosto de 2008

 

 

 

   Quando o amor o chamar, se guie, embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados e quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe, embora a espada oculta na sua plumagem possa feri-vos e quando ele vos falar, acreditai nele, embora a sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim, pois da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica e da mesma forma que contribui para o vosso crescimento, trabalha para vossa poda.


   E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol, assim também desce até vossas raízes e a sacode no seu apego à terra. Como feixes de trigo ele vos aperta junto ao seu coração, ele vos debulha para expor a vossa nudez, ele vos peneira para libertar-vos das palhas, ele vos mói até extrema brancura, ele vos amassa até que vos torneis maleáveis e então ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino.


   Todas essas coisas o amor operará em vós para que conheçais os segredos de vossos corações e com esse conhecimento vos convertais no pão místico do banquete divino; todavia, se no vosso temor procurardes somente a paz do amor, o gozo do amor, então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez, abandonásseis a ira do amor para entrar num mundo sem estações, onde rireis, mas não todos os vossos risos e chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.


   O amor nada dá, senão de si próprio e nada recebe, senão de si próprio; o amor não possui nem se deixa possuir - pois o amor basta-se a si mesmo... Quando um de vós ama, que não diga, mas que diga antes e não imagineis que possais dirigir o curso do amor - pois o amor se vos achar dignos determinará ele próprio vosso curso. O amor não tem outro desejo senão o de atingir a sua plenitude.

 

   Se contudo amardes e precisardes ter desejos, que sejam estes os vossos desejos de vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a noite; de conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada; de ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor, e de sangrardes de boa vontade e com alegria; de acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor; de descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor; de voltardes pra casa à noite com gratidão e de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado e nos lábios uma canção de bem-aventurança.

 

Khalil Gibran


Escrito por Henrique às 22h35

infinito

Sábado , 16 de Agosto de 2008

 

  


Escrito por Henrique às 17h30

estiagem

Segunda-feira , 11 de Agosto de 2008


Escrito por Henrique às 23h45

platônicos

Domingo , 10 de Agosto de 2008

 

 

 

Sexta-feira passada eu me declarei. Logo cedo, ainda meio dormindo, quase no tesão madrugada do travesseiro nas coxas... Disse bem assim:

 

- Aê, pivete, tua companhia logo cedo alegra minha Vida e me faz feliz o dia todo. Regozijo-me na sua presença, meu polaco, bicho-da-goiaba... Coleguinha.

 

E a gente riu da bobagem como ri gostoso logo cedo, sempre e de tudo, conversou sobre um monte de coisa, como gosta de fazer, olhando nos olhos, nos lábios e no nariz. E num instante qualquer ele me disse, sem saber ao certo como dizia e eu nem me lembro agora de onde foi que ele veio com essa:

 

- Uma pena que lá não tem ninguém como você, deve ser bem gostoso passar o dia inteiro com você...

 

E depois de uma meia hora de conversa gostosa a gente se sorriu, se apertou bem forte as mãos direitas, se desejou um bom final-de-semana e combinou se ver de novo na segunda. As sete. E meia. Que a gente anda numa preguiça lascada nesses dias frios.

 

Vale?


Escrito por Henrique às 23h45

buda que ri

Domingo , 03 de Agosto de 2008

 

 


 

Buda estabeleceu oito princípios [(ou) Regras de Vida] que devem ser observadas pelos seus seguidores... e por todos:


A Verdadeira Crença:

é a crença de que a Verdade é o guia do Homem;

 

A Verdadeira Resolução:

ser sempre calmo e nunca fazer dano a nenhuma criatura viva;

 

A Verdadeira Palavra:

nunca mentir, nunca difamar ninguém e nunca usar linguagem grosseira ou áspera;

 

O Verdadeiro Comportamento:

nunca roubar, nunca matar, e nunca fazer nada de que uma pessoa possa mais tarde arrepender-se ou envergonhar-se;

 

A Verdadeira Ocupação:

nunca escolher uma ocupação que seja má, tal como falsificação, manejo de coisas roubadas e coisas semelhantes;

 

O Verdadeiro Esforço:

procurar sempre atitudes afinadas com que é bom e não permitir atitudes  que são  más;

 

A Verdadeira Contemplação:

ser sempre calmo e não permitir-se pensamentos que sejam dominados pela alegria ou pela tristeza; mas sim pelo contentamento;

 

A Verdadeira Concentração:

consegue-se quando todas as outras regras forem seguidas e uma pessoa tenha atingido o nível da paz perfeita.

 

 

Não Creiais em coisa alguma pelo fato de vos mostrarem o testemunho escrito de algum sábio antigo;

 

Não Creiais em coisa alguma com base na autoridade de mestres e sacerdotes;

 

Aquilo, Porém, que se enquadrar na vossa razão, e depois de minucioso estudo for confirmado pela vossa experiência, conduzindo ao vosso próprio bem e ao de todas as outras coisas vivas: A Isso aceitai como verdade;

 

Por Isso, pautai vossa conduta!


Escrito por Henrique às 22h18


 m O O n 

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