BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

sangrando *

Domingo , 28 de Setembro de 2008

 

 

Eu suponho que disfarço bem, posso estar moído de tristeza e ainda assim busco estampar no meu rosto um sorriso de campeão paraolímpico, daqueles que significam superação e que acabam por te convencer, ainda que esteja um tanto quanto amarelado; penso e até acredito que posso ser mais forte que as minhas dores e angústias e que quando eu soltar a minha voz melhor será se for para falar palavras doces, transmitir mensagens amigas, mas por favor entenda que muitas vezes entre palavras alegres, de incentivo e de conforto, que palavra por palavra proferida, resultado de sentimentos ambíguos esculpidos pela alma muito antes de verbalizadas pelo corpo, que a cada pausa para respiração haverá no fundo, bem lá no fundo, um homem que mesmo triste e solitário, não se deixa abater por isso e segue na batalha: eis aqui uma pessoa se entregando.


 

 


Eu lhe direi então que, coração na boca e em cada célula desse corpo, sou todo sentimento: não só os bons, feliz ou infelizmente, sigo de peito aberto, pronto para o próximo tombo por nocaute ou, quem sabe por merecimento e com muita sorte, para mais uma celebração; sempre pronto para o próximo abraço amigo ou para mais um olhar de desprezo, vou sangrando e deixando pelo caminho nem sempre suave um rastro de sangue, gotinhas como grãos de feijão que um dia me auxiliarão no voltar ao lar, tal qual João ou Maria ou Cinderela, sei lá quem era o tonto que deixava os grãozinhos espalhados por aí que nem as minhas gotinhas de sangue positivado, voltar ao lar onde tudo é mais tranqüilo, onde no ventre materno há aconchego e calor na medida exata, onde não nos ocupamos do saber que viver é batalha diária; são as lutas dessa nossa vida que nos fazem crescer, e ainda assim insano que sempre serei, sigo buscando quarar o meu sorriso: mas, ainda assim eu estou cantando.


 

 


E digo mais: Quando eu abrir minha garganta e nesse abrir da garganta não há nada além do verbal, nenhuma gula fálica, nenhuma sede etílica, nenhum trago proibido, quando eu escancarar o verbo botando de dentro para fora todas as frustrações desse abominável mundo novo que criamos, todos os medos desse menino frágil que insistem em pensar homem forte, principalmente você, saiba que essa força tanta, essa força tamanha tantas vezes gritada, tantas vezes murmurada, em tom de cansada indignação, bradada em tom de franco desabafo, redimida de si mesma por vezes sem saber as razões da sua resistência, rouca e insistidamente repetida por anos a fio, tudo que você ouvir saiba que é meu, mas não tão somente meu pois eu te permito se encontrar nas minhas dúvidas, esteja certa ou errada a minha visão do mundo, não importa nada mais que isso: tenha claro que estarei vivendo. E talvez por mais que eu teime em querer sempre mais, eu sei que isso basta.

 

Preste atenção quando eu estiver falando, mas não ouça as minhas palavras não, saiba que elas podem ser mentirosas, tão mentirosas quanto eu posso ser, tão mentirosas como pode ser qualquer ser acuado: Veja o brilho dos meus olhos. Eles muitas vezes dizem muito mais que palavras, palavras muitas vezes traiçoeiras, mal interpretadas, incompreendidas pois desconhecidas. Olhe além delas, observe o meu corpo que fala por cada poro, e o tremor nas minhas mãos e a minha inquietude, a minha ansiedade que me faz transpirar encharcando a minha camisa, e o meu corpo tão suado e tudo o mais que puder observar pois eu me delato, tú me delatas e ao menor sinal de que me compreendes me verá transbordando toda a raça e emoção. Sim, pois eu sou isso: raça ainda que na pirraça e teimosia de insistir em argumentar que não andamos na contra-mão do bom senso, e emoção; ainda que contida querendo explodir.

 

 

 

Mas não se assuste comigo não, meus temores não são nem maiores e nem menores que os seus, e se eu chorar apenas me abrace forte e não diga palavra, pois nenhuma terá maior serventia que um abraço, deixe que as minhas lágrimas molhem seu ombro e continue me abraçando por dias e dias bem forte, até que a dor suma de novo, pois nada é para sempre e fique por perto em silêncio até que tudo passe e quando mais uma vez o sal molhar o meu sorriso, quando mais uma vez meus temores teimarem pensar que são mais fortes que o que nos une, não se espante, fique por perto e não se afaste, apenas cantarole aquela canção de ninar que você inventou naquela noite que a gente sorria feliz, naquela noite em que a palavra paixão não era apenas seis letrinhas num dicionário, naquela noite que insistia em querer virar dia e a gente se alegrava com isso, cante que o teu canto não apenas me alegra como também é a minha força pra cantar.

 

 

 

Eu posso olhar para trás, pensar que nada valeu e me perguntar onde é que está você agora, temer que nesse exato instante as suas dores sejam maiores que as minhas (pois elas sempre foram maiores que as minha, lembra?), pensar que faz um frio danado aí fora e você não tem ninguém para te fazer sorrir, ninguém que te ame como eu te amo (embora eu nem saiba se acredito em amor e em ainda amar esse alguém que você é hoje, tão distinto daquele que me fez acreditar que era algum dia lá atrás), posso pensar que nesse instante seu corpo já foi abandonado exausto numa caixa de papelão embaixo de um viaduto qualquer, dopado por substâncias que te destruiram e te levaram a esse estado, posso imaginar que nesse instante alguém além de mim se lembrou de você nesse seu dia, mesmo sem saber onde anda você, com quem anda você. E quando eu soltar a minha voz por favor (ou por amor, pelo amor que a gente banalizou quando tanto precisava acreditar nele, quando tanto desejou se salvar e também ao outro, através dele, em nosso perene cortejo da insanidade) entenda que... é apenas o meu jeito de Viver o que é Amar...

 
 

 

 

Feliz aniversário.

 

(E pode dormir em paz, junto aos seus caixotes, caixas de papelão, vira-latas de estimação, amores bandidos, garrafas de cachaça e tudo o mais que as suas ilusões pedirem, pois já se consumou o tempo da gente... E eu respeito o teu livre-arbítrio...)

 

* Divagações sobre o poema-canção Sangrando (Gonzaguinha).


Escrito por Henrique às 09h01

janela

Sábado , 27 de Setembro de 2008


Escrito por Henrique às 17h30

portal

Domingo , 21 de Setembro de 2008

 


Escrito por Henrique às 18h30

iluminado

Sexta-feira , 19 de Setembro de 2008

 

 

Uma das características dos seres iluminados, de acordo com princípios comuns em algumas religiões ou filosofias orientais, é não demonstrar estado alterado de humor e jamais dizer palavras negativas...

 

Não manifestar seus desconfortos com impaciência, com indignação é uma coisa; é comportar-se de forma equilibrada a bem da coletividade, e eu até conheço algumas pessoas que são verdadeiramente assim e até passo para aqueles que me conhecem superficialmente a impressão de estar nesse estágio de evolução, já ouvi pessoas comentando a meu respeito que não me estresso com nada... Na teoria eu acho isso bacaníssimo, mas na prática a coisa é um pouco mais complexa e tenho consciência de estar ainda bastante distante desse estágio. O que faço é buscar o auto-controle, respirar fundo antes de falar o que me vem à cabeça.

 

Algumas vezes busco me orientar por essa característica, naqueles momentos em que me dou por conta que o melhor é não expressar sentimentos, fazer aquela carinha blasé (talvez quem sabe um pouquinho aborrecido) e não mover sequer sombrancelha, fazer aquela expressão tô-nem-aí que você está querendo me complicar a Vida e seguir sem explicitar que não estou gostando disso ou daquilo; em outras ligo mesmo o pisca alerta no foda-se e me respeito pelo humano que sou, é quando falo o que penso, quando solto as rédeas e então prepare-se que não meço muito o que vou falar.

 

Mas não sou de dar escândalo não. Não mais. Não acho chique mas já dei alguns no passado nem tão distante... E nem sei se me arrependo. Aprendi também que tem hora que só bancando a louca é que a gente consegue dizer o que está pensando! Afinal, quem é que contesta uma louca? Só se for mais louca ainda!


Escrito por Henrique às 07h36

mara maravilha

Domingo , 14 de Setembro de 2008

As coisas são assim mesmo; simples, extremamente simples...

E nem gastemos nosso tempo com argumentações contrárias.


Escrito por Henrique às 12h28

sem censura

Quinta-feira , 11 de Setembro de 2008

 

 

Minha chatice é apenas um dos meus inúmeros encantos...


Escrito por Henrique às 22h14

censura

Sábado , 06 de Setembro de 2008

 

Dos comentários recentes, que leio e respondo todos, houve um que me chamou a atenção ao me trazer questionamentos, nele o leitor querido (que é também meu xará) disse que achava que eu tinha perdido o interesse por esse espaço, o que seria uma pena.

 

Pois bem, eu respondi que não, que não havia perdido o interesse por divagar por essas terras e bati na tecla do cansaço e da falta de tempo, mas fiquei eu mesmo me perguntando se, de verdade, essa fase de blog já tinha passado e se eu não estava me escondendo atrás de desculpas para não assumir a falta de interesse por esse espaço. E fiquei me indagando por quais razões tenho andado tão irregular, se já não era a hora de dizer Adeus e fechar esse espaço - afinal nada precisa ser para sempre e o que mais existe nessa rede é blog abandonado.

 

Não vou insistir nessa coisa de falta de tempo ou cansaço não, realmente não é só isso. E nem estou ligando mais pra falta de atenção do pessoal do MixBrasil em atualizar as chamadas, isso já me incomodou muito em outras épocas, nem vou reclamar que há tempos não recebo destaque no portal pois foda-se, preciso tanto deles quanto eles de mim, ou seja, praticamente nada uma vez que nem a hospedagem é feita nos servidores do MixBrasil e mais da metade dos acessos é feita diretamente, estou em "favoritos" de muita gente. A outra quase metade da origem dos acessos é dividida entre os "googles" da Vida ou feita através dos links de blogs amigos, o acesso por esse portal gay responde por no máximo 30% dos leitores, sobretudo os novos. Há alguns meses instalei uma ferramenta que monitora os acessos, assim fico sabendo que muita gente acessa e fica poucos segundos (creio que em virtude de não haver novidades) e há uns 10% dos leitores que se mantém lendo meus textos por mais de uma hora. E depois ainda tem gente que reclama que eu escrevo textos muito longos...

 

Mas voltando às razões de escrever pouco, acho que baixou em mim uma coisa de auto-censura... Explico: escrevo e assino por heterônimo, iniciei dessa forma para preservar minha identidade, mas esse heterônimo é hoje conhecido de boa parte dos meus amigos não virtuais, amigos que lêem as coisas que escrevo e isso de alguma forma tem limitado a minha expressão - era mais fácil quando essa era uma identidade secreta...

 

Hoje esse espaço é lido pela minha família e por amigos de todas as tribos e tem hora que saber disso me limita de alguma forma, muitas vezes penso em desabafar nesse cantinho, muito mais do que já faço, falar dos meus conflitos com as pessoas do meu cotidiano e então fazer minha interpretação dos fatos vividos, mas acho que isso pode causar constrangimentos aos citados ou pessoas que possam identificá-los e acabo me bloqueando, tem dias que até escrevo um monte, mas ao terminar leio tudo e acho melhor não publicar pois ficou íntimo demais.

 

Teve um episódio recente em que escrevi algumas coisas e depois soube que uma pessoa próxima se sentiu ofendida, mesmo sem ser citada, lhe pareceu que eu tinha mandado uma indireta, como se eu precisasse disso, tanto que comentou com uma amiga nossa e ainda me deixou aqui um comentário magoado feito de forma irônica... Tudo bem que naquela semana o clima entre a gente estava tenso, mas na verdade a intenção não foi mandar indireta, pois em geral sou de falar pessoalmente o que penso mas depois, relendo o texto, vi que parecia mesmo ser uma indireta, ainda assim mantive a escrita original e o comentário, fiel à idéia de que o que valia era a minha intenção primária.

 

Então, não é só a falta de tempo ou o cansaço não, há ainda mais esse fator e estou atento a isso. Tempo a gente arranja, basta priorizar e se eu quiser consigo reservar algumas horinhas na semana para cuidar desse espaço, lidar com o cansaço é um pouco mais complicado e esse lance da auto-censura é lição-de-casa mesmo.

 

Quando escrever e pensar que alguém pode se incomodar, o melhor talvez seja publicar sem medo e me preparar para as consequências, quem sabe a partir do instante que alguém vestir a carapuça isso nos abra a guarda para uma conversa franca sobre os meus sentimentos e os que as minhas divagações provocaram nesse alguém.

 

Na maioria dos casos, haja vista que a intenção não é lavar roupa suja por aqui, a tendência é melhorar o que por suposto não anda bem. Algo para ser pensado, concordam? Mas o principal é que devo manter a espontaneidade, não é?

 

(A foto de ilustração desse post é bastante íntima e pessoal, eu estava brincando de "Tio Rafinha" com a minha sobrinha, a missão dela era fazer muitas tatuagens no meu braço pra eu ficar igual ao lindinho vencedor do BBB8... Que idéia bacana, dificil depois foi tomar banho e ver que algumas cores insistiram em ficar no braço por vários dias... Mas o que importou foi a diversão e as risadas que demos juntos naquele sábado chuvoso... A Vida é uma colcha de retalhos de momentos felizes e esse foi mais um deles.)

 


Escrito por Henrique às 16h01


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