BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

romance VII

Domingo , 30 de Novembro de 2008

 

 

"Se um dia você for embora

não pense em mim

que eu não te quero meu

eu te quero seu.

 Se um dia você for embora

vá lentamente como a noite

que amanhece sem que a gente saiba

exatamente

como aconteceu."

 

(Roberto Freire, 1990, "Ame e dê vexame").

Obra que eu li pela primeira vez aos 23 anos de idade.

Nesse livro ele faz uma citação a

Luis Fernando Veríssimo, que teria dito:

 

"Mas eu desconfio que a única pessoa livre,

 realmente livre,

é a que não tem medo do ridículo."

 

E tem ainda duas divagações que eu adoro e que dizem:  

 

"Eu faço as minhas coisas e você faz as suas. Não estou nesse mundo para satisfazer as suas expectativas e você não está nesse mundo para viver conforme as minhas. Você é você, eu sou eu. E se por acaso nos encontrarmos será maravilhoso. E se não, não há nada a fazer."

 

"Se eu faço unicamente o meu e tu o teu, corremos o risco de perdermos um ao outro e a nós mesmos. Não estou neste mundo para preencher tuas expectativas, mas estou no mundo para me confirmar a ti, como um ser humano único para ser confirmado por ti. Somos plenamente nós mesmos somente em relação um ao outro. Eu não te encontro por acaso, te encontro mediante uma vida atenta; em lugar de me permitir que as coisas me aconteçam passivamente, posso agir intencionalmente para que aconteçam. Devo começar comigo mesmo, verdade, mas não devo terminar aí: a verdade começa a dois."


Escrito por Henrique às 10h01

romance VI

Terça-feira , 25 de Novembro de 2008

 

 

O que se pode fazer em trinta dias?

Quase nada, apenas um mês...

 

Quase nada porra nenhuma, dá para fazer um monte de coisa bacana e não há limite pra nada, nem pra mim na minha quase maturidade e nem pra você, na sua juventude precocemente madura. O que a gente pode fazer? Por exemplo: a gente pode Viver Feliz nosso romance, que são esses nossos encontros não rotulados, cada dia mais regulares e com mais qualidade...

 

A gente sabe que ainda existem muitos poemas, filmes e peças de teatro, livros e posições do kama sutra, nunca faltarão cultura e nem áreas em nossos corpos e mentes a serem desbravados, com valentia e ternura... Afinal, por mais que a gente saiba que rotular limita e a gente não lida tão bem e não gosta dessa coisa de limitações, há que existir uma palavra que nos defina nesse nosso bem querer enorme: que tal "românticos em romance..."

 

Feliz primeiro mês de romance..:)

 


Escrito por Henrique às 22h33

confiança

Sábado , 22 de Novembro de 2008

 

 "Confia, confia, confia no poder, confia no saber,

confia na força aonde pode ser.

Esta força é muito simples, todo mundo vê,

mas passa por ela e não procura compreender.

Estamos todos reunidos com a nossa chave na mão:

é limpar mentalidade para entrar nesse salão.

Este é o salão dourado do nosso pai verdadeiro,

todos nós somos filhos, todos nós somos herdeiros."

 

(Confia - Hino de Santo Daime)

 

Eu talvez não me sinta suficientemente seguro e confiante para os próximos passos, mas como ninguém precisa saber disso, nem mesmo você ou qualquer um daqueles que eu algum dia cismei que gostava, ou que amava, eu visto esse sorriso confiança e te convenço a seguir comigo, mesmo que eu desconfie estar errado, pois nas minhas divagações cheguei imaginar que você queria apenas alguém para seguir sorridente contigo, te seguir encantado, coladinho ao seu lado sem dizer palavra de contestação.

 

Você tem planos e mais planos e uma vitalidade incrível para batalhar por eles, e para você que acredita que esse seu sorriso te abrirá as portas todas, dos muitos céus e dos muitos infernos, te aconselho a não me seguir tão encantado assim comigo pois meu universo, que já foi enorme, hoje é muito pequenino perto da imensidão dos seus textos, cada dia melhores. São eles quem devem nos inspirar, mesmo que eu saiba que você não se presta (ainda bem) a papel de coadjuvante da reportagem quase maldita que escrevia antes da minha chegada por essas terras.

 

Talvez a gente tenha algum juízo, ainda, e nos restem alguns poemas não relidos a dois para embalar esses nossos dias tão felizes, dias em que a gente ilumina a própria alma desbotada e puída e a apresenta como nova, por um valor muito acima do que sabemos ser real. Talvez o juízo tenha se ido por completo e a gente só queira mesmo cochilar coladinho vendo um programa qualquer de tv, essa sua sem antena é passatempo pra gente ficar abraçado no colchão, é bom assim também agora que a gente já concordou que poemas chatos são chatos antes de serem poemas e não poemas antes de serem chatos.

 

A chatice não é recessiva, é dominante. Além de chata.

 

E não é porque a gente é chique e culto que tem que ficar lendo poema o tempo todo, tem hora que é legal mas tem hora que cansa, pára pra um beijo de descanso. Mas eu estava falando sobre confiança... Vejamos: Se o outro é um espelho da gente e a gente confia no outro, significa que a gente tem auto-confiança? Ou significa que a gente apenas sabe da gente mesmo, que é confiável, honesto e de bons hábitos? Ou confiança é uma coisa, honestidade é outra e os hábitos cairam de alegre nessa divagação toda, e é melhor organizar melhor essa idéia, meio confusa? Confusa como costumam ser as divagações... 

 

Acho que é assim, primeiro eu só confio em você porque sei que sou uma pessoa confiável; se eu não confio em você o problema é comigo, não é com você, são os meus instintos que não são tão nobres quanto eu gostaria que fossem e segundo, se eu sei que sou uma pessoa confiável, e se confio em você, consigo manter minha auto-confiança e seguir feliz ao seu lado, sem te cobrar, sem te pedir justificativas ou explicações. Sem ilusões não sou nem mais, nem menos; ombro-a-ombro; de igual pra igual, nem inferior e nem superior - apenas diferente e nem virei com esse papo de complementar. Será que é isso? Acho que sim.

 

Esse texto que usei acima é um hino clássico da doutrina do Santo Daime, na qual sou iniciado há quase oito anos, e fala sobre a confiança, é uma valsa e me faz muito feliz quando a canto, a melodia é forte e linda, tipo tambor que se funde ao coração, cantá-la em grupo, na força, na presença de pessoas queridas é experiência única e para poucos privilegiados. Ela me traz uma tranquilidade e paz interiores muito fortes, a batida marcante me acalma e ao mesmo tempo me dá um resignificado pra palavra força, relacionando-a com a confiança. Esse não o segredo, mas o sagrado, que é o segredo do segredo: a verdadeira força interior está na confiança...

 

Embora eu já tenha vivido ocasiões diversas em que foi a minha confiança que mudou o rumo das coisas, embora ache bacana pensar assim, mesmo que nas minhas muitas incertezas isso muitas vezes não faça sentido, confiar no poder da confiança é exercício diário e lição de casa. Muitas vezes a gente tem dúvidas, inseguranças, mas não é bom entregar-se aos medos decorrentes do cansaço, da ansiedade ou da solidão do momento. É bacana pensar que quando a gente confia em algo, quando a gente confia em alguém, quando confia na gente mesmo, no potencial de um relacionamento, a gente se sente mais forte, se fortalece nas relações, se fortalece.

 

E a confiança é muitas vezes o alento pra gente ficar em casa num sábado a noite. Solitário e confiante, com uma saudade daquelas. Aliás, isso são horas de estar só em casa? Só e confiante.


Escrito por Henrique às 23h45

romance V

Terça-feira , 18 de Novembro de 2008

- Que lindo que posso dormir mais um pouco, estou acabado de sono ainda, pode acender a luz que não me incomodo mas vou cobrir o rosto com o edredon, queria muito que você ficasse aqui comigo abraçadinho mais umas duas horinhas apenas, mas me desculpa que eu nem vou levantar daqui, estou de verdade com muito sono mesmo, caramba que sono, adorei dormir contigo mais uma vez, se bem que esse colchão é estreito demais e a gente quase não dormiu direito, realmente é tudo de bom dormir de conchinha mas num colchão de solteiro o melhor que a gente faz é dormir de peixinho da Hering. Ainda bem que a gente não tem chulé, mas eu fiquei com medo de te dar um chute sem querer e te machucar...

 

 

Antes disso havia uma noite fria depois de um dia de chuva forte, chuva forte daquelas que dá vontade de voltar a ser moleque no sítio para poder brincar feliz na enxurrada; também havia um menino em casa aguardando um homem, ou havia um homem em casa aguardando um menino, e depois que eles enfim se encontraram e mataram a saudade de umas quarenta horas de distância havia a fome, e havia pra isso uma panela com arroz um pouco queimado e todo grudado e um marmitex com frango recheado e empanado, ao molho de vários queijos, uns quatro ou cinco.

 

Sobretudo havia os dois meninos, ou os dois homens, naquela magia de se mostrarem o quanto encantadora e amigável pode ser a raça humana. Havia duas almas, olha só que romântico, que se encontraram nesse mundo de privações e provações e que estavam naqueles dias se provando e se privando, e interpretem os verbos provar e privar em todas as forma possíveis, e que vislumbravam uma feita à dois. O ponto é que havia um encontro, sacou? E nesse encontro, como deve ser, eles se recordavam dos anteriores e trocavam mais e mais confidências. E o bacana de estar "encantado" e blogar nesse estado de graça é que a gente escreve coisas que em épocas de recesso de alegria afetiva de encantamento não escreveria, escreve sobre sentimentos que fora desse estado de graça sequer imaginaria que existissem.

 

Mas voltando ao cenário: A noite fria, agora sem chuva, inspirava aconchego. O arroz queimado e todo grudado mais o frango recheado inspiravam, somados à noite fria, uma bela canja, daquelas que o óleo de soja se destaca no meio daquela aguaceira toda e para ser bem sincero eu não gosto de canja. E nesse cenário de ternura gastronômica começava a noite dos dois homens, clima de total e bem feitor romance... Perfeito nquele frio que a gente não consegue prever se pede uma malha, ou mais um manto, ou apenas o corpo juntinho pra esquentar gostoso se apertando inteiro enquanto treme e geme... E havia também a certeza de que as coisas são realmente simples... Simples, extremamente simples.

 

Saímos pra comprar cigarros, e olha que eu nem sou propriamente um fumante, aproveitamos e compramos alguns legumes, a noite inspirava canja sim senhor, mas canja pra mim é comida de doente e a gente não estava doente, muito pelo contrário a gente está tinindo, então fomos fazer uma coisa mais chique.

 

- Já sei, jogamos o molho de muitos queijos fora que nem eu nem você somos tão chegados assim em queijos fedorentos, compramos umas mandioquinhas e abobrinhas, fazemos um creme com elas, desfiamos o frango com um restinho dos queijos e refogamos só pra aquecer mesmo, o arroz a gente afofa com a mão, coloca mais uns dois copos de água fervendo e rúcula picadinha e faz um risotinho no truque. E vai ficar um luxo! E não adianta tentar me confundir pois eu sei muito bem reconhecer a rúcula, o agrião, o almeirão, a escarola e as "berries" todas que existem por aí.

 

Jantamos com direito a prato montadinho, produção básica mesmo no improviso, ainda assim um luxo cinco estrelas se comparado com o primeiro jantar, nem me lembro o cardápio, comido no prato de alumínio mesmo duas semanas atrás... E dessa vez ficou bom, bom demais, fizemos um belo dueto do improviso e do diga não ao desperdício, comida não se joga fora - exceto molho de muitos queijos fedorentos... E depois disso a gente namorou, viu um pouco de televisão, conversou sobre um monte de coisa legal e foi dormir bem tarde, mesmo sabendo que ele tinha que acordar muito cedo. Eu não precisava madrugar, poderia ficar na cama até mais tarde que o horário normal, tinha um curso perto da casa dele e por isso dormi por lá, mas tinha que dar um apoio moral às 5hs da manhã... Correto?

 

 Um comentário extra aqui sobre o sorriso da minha mãe quando eu disse que iria dormir fora de casa em plena segunda-feira: de aprovação, de sua aprovação aos meus sorrisos das últimas semanas. Ando tão docinho nesses dias... Minha mãe vem me sondando, perguntando na lata mesmo se eu estou saindo com alguém e eu deixo meio no ar, não tenho pressa de nada até porque nem sei ao certo o rumo das coisas, a gente nunca sabe, sei do meu movimento interno, observo e sinto a reciprocidade nesse primeiro mês de encontros e ajustes do cotidiano. Me amaro em meninos que tiram o queijo do frango com as mãos sem fazer cara de desgosto, em homens que ainda que pensem em jogar fora o arroz quase queimado e grudado se rendem a um risotinho de rúcula bem do vagabundo.

 

E eu fiquei na cama mais uma horinha, o colchão de solteiro ficou imenso e eu achei que tinha que dar uma geral na casa antes de sair. É meu esse lance de ficar dando uma geral, organizando as casas alheias, gosto disso, é de coração e pra me manter ocupado, minha avó dizia que mente sem ocupação é oficina do demônio e agora dizem que o demônio tem nome e é Alzheimer. Faço pois gosto, É com carinho e com amor, como diz aquela hino do Daime que o Serginho sempre me corrigia que eu cantava uma oitava acima na segunda repetição, é só na primeira que sobe, na segunda mantém como está, recua um pouco até, entendeu?

 

Eu acordei numa casa que não era minha, mas não me sentia fora de casa, me sentia em casa; eu olhava pra os lados e via alguma coisa que ainda não sei explicar o que é mas me sentia em ordem, integrado a mim mesmo e protagonizando a minha história, sem mistificar muito. Antes das 8hs da manhã eu fui pro meu treinamento, reciclar as idéias e conhecer gente nova, mas digo por fim que a vontade maior quando fechei a porta do apartamento era de estar acompanhado, muito estranho sair de lá sozinho, mas não sei se vou saber expressar isso com alguma palavra a mais.

 


Escrito por Henrique às 22h32

romance IV

Sábado , 15 de Novembro de 2008

e amanhã me lembrarei do que nem imagino agora.

 


Escrito por Henrique às 12h55

cinema

Quarta-feira , 12 de Novembro de 2008

 

Algumas pessoas não conseguem se imaginar indo sozinhas ao cinema, têm uma certa fobia de cinema desacompanhado. Eu não grilo e vou sozinho numa boa, mas não discordo de quem fala que a dois é mais legal. Pode ser mesmo mas, nem sempre, já tive companhias que me tiraram o prazer daquele momento, fora aquelas que ao comentarmos sobre o filme se mostraram totalmente desconectadas de tudo. 

 

Algumas pessoas são tão cartesianas com essa coisa de ir ao cinema que se programam dias antes e não saem de casa sem escolher criteriosamente o filme que vão assistir, a sala, o horário, fazem desse hábito banal uma coisa solene, lêem as críticas antes e depois, para se orientarem, concordarem ou contestarem; conheci gente que chegava cedo na sala  de exibição pois se sentava sempre no mesmo lugar, nessa época não tinha poltrona numerada em cinema, teve um que me contou que chegava a pedir que lhe cedessem o lugar... Cinema pra mim é comercial com bife mesmo, bigmac com colca-cola e batata-frita, mas troca por omelete que não estou comendo carne esses dias, vou ao cinema quando tenho tempo e sem me programar, vou na hora que a vontade do escurinho aperta, dá uma brecha e saio buscando uma sala por perto, assisto à próxima sessão, não me importa muito pois cinema pra mim é assim, uma grande festa não importa a hora.

 

Adoro me esconder no cinema, fazer aquelas maratonas de começar as duas da tarde, ir emendando um filme noutro e só sair as dez da noite, meia noite, já cheguei a assistir quatro, cinco filmes numa mesma tarde, mais de vinte filmes numa mesma semana. Hoje nem tenho tempo mais nem pra pensar em fazer dessas, mas sinto saudade. Tem filme que já assisti mais de sei lá quantas vezes e cada vez descubro uma coisa nova, gosto de rever hoje, aos quarenta e quase dois, títulos que me marcaram pela primeira vez aos vinte anos de idade.

 

Tem gente que quando vai assitir algo, cinema ou teatro, tem que achar a obra espetacular senão reclama que não valeu a pena. E ainda sai dizendo que foi perda de tempo, que não compreende como aquele diretor ou ator ou sei lá quem conseguiu fazer aquela porcaria, tem até uns analfabetos funcionais de cultura metidos à intelectuais que falam que foi "perca" de tempo assistir o filme... E ainda assassina a língua... E agora aqui deve ter os chatos da gramática que vão perguntar se é assistir o filme ou assistir ao filme e eu não vou aqui ficar ensinando aquelas regras chatas de que quem assiste assiste a algo, então é assistir ao filme... Ou seria o contrário, agora deu branco, preciso rever pra ter certeza... E pior ainda é quem larga um filme pela metade, que não se deu por conta das muitas vezes que o bilhete se pagaria nos minutos finais.

 

Eu assisto a obra inteira e ainda aplaudo, se nem tanto pelo que vi e ouvi, muito mais pelo que fizeram para que eu visse e ouvisse, aplaudo pelo trabalho e pela dedicação do bando de loucos que se juntou pra fazer aquilo que acabaram de me apresentar. Bom ou ruim no meu humilde gosto. O que eu sei é que é do caralho produzir alguma coisa então tem que tirar o chapéu pra quem teve a petulância de produzir aquilo. E posso escrever isso sem grilos pois não tenho pretensão nenhuma, não sou crítico de nada, de arte menos ainda, sou seu mero apreciador em todas as suas formas manifestas.

 

Acho que nem de mim mesmo sou ainda crítico, pois o que a muitos soa ser crítico das minhas idéias e ações é, quando muito, chatice daquelas boas tipo bichice na pré terceira idade. Sei lá, eu estava falando sobre cinema, teatro, arte e a forma como as pessoas lidam com isso. E viajei, divaguei como de costume e estou aqui me policiando pra esse texto não ficar gigante.

 

Meninos que apreciam arte sempre me fascinaram. Meninos que fazem arte então, junto-me a eles e sigo inspirando e incentivando, reciprocamente. Me amarro em meninos que lêem poesias nos trens em troca de uns trocados, meninos que transformam uma gaita em extensão da própria garganta, meninos que saltaram nos palcos fazendo caras e bocas anos atrás e que agora, mesmo agora depois de tanto tempo, se emocionam ao relatar o que já fizeram, que viajam ao receber um link com uma foto sua que nem sabiam existir; me amarro em meninos que ousam e se arriscam e seguem sorridentes dando as costas à ordem estabelecida, vejo neles um pouco da minha essência de errante buscador. E como me amarro em aprender com eles (aquilo que faço de conta que estou ensinando...) sigo por perto.

 

Temos todo o tempo do mundo.


Escrito por Henrique às 22h00

romance III

Segunda-feira , 10 de Novembro de 2008

sábado eu bem que podia ter te dado um sonho de valsa...


Escrito por Henrique às 21h50

romance II

Domingo , 09 de Novembro de 2008

 

 

Oh! Lua eu vos agradeço por este luar criador,
e em troca vos ofereço esta canção com Amor.

Vós mais o meu Sol dourado que embeleza o Céu,
são quem nos dá este Conforto aqui, Doce como o Mel.

Dou Viva ao Sol e à Lua e às Estrelas também,
à Terra, à Floresta e ao Mar, ao Vento e a todo Além.

 (Padrinho Alfredo)


Escrito por Henrique às 18h55

romance I

Sábado , 08 de Novembro de 2008

hoje eu quero passear por aí de mãos dadas!


Escrito por Henrique às 17h01

brilho

Quinta-feira , 06 de Novembro de 2008

 

 

O outono acabou e a gente nunca mais vai tomar ônibus junto, desse outono de muitas mudanças ficaram recordações doces de um menino de sorriso generoso e olhos de um tom de verde que eu nunca tinha antes observado com tamanho interesse, a gente não se deu por conta, nem eu e ele menos ainda, que aquele outono já tinha se tornado inverno e nas manhãs frias e chuvosas se inspirava no outro para botar os pés pra fora da cama e seguir mais um dia na batalha; tudo era tão lindo que as folhas secas no chão deram lugar a flores coloridas nas copas sem que a gente se esbaldasse com a beleza disso tudo, a beleza dos mundos que seguem seus ciclos, dos inúmeros caminhos que se cruzam todos os dias e das naturezas tão distintas que se atraem, que se tornam cúmplices no sorriso maroto, e tudo foi tão rápido que quando a gente percebeu nada mais era o que nem mesmo a gente sabia explicar o que era, ainda. E foi então que acabou, assim mesmo, acabou de repente, sem dar sinais de que iria acabar e, ao meu pesar ou ao meu contentamento, as minhas manhãs, agora de uma primavera linda que eu nem dava atenção, até poderiam ser tristes, mas é mais difícil ser triste na luz e nas cores da primavera que nas cinzas manhãs de outono, ainda que o outono venha com aquela luz linda logo cedo que só o outono tem. E uma vez uma maluca me disse que a luz estava nos olhos de quem via.

 

E foi sem muita ternura e com nada de preparo que ele me contou, pelo msn mesmo, que estava mudando de emprego e que agora iria trabalhar de trem, estava dando final àquele ciclo onde eu era um dos tantos coadjuvantes. E eu confesso que fiquei triste mesmo, fiquei triste pois eu acho normal ficar triste e acho um pouco que a vida triste é mais consistente, mais humana, acho esse lance de alegria um tanto quanto perigoso e superficial, a gente sempre teme que a alegria vá embora, dor de alegria que se foi é muito mais do que a tristeza simples, eu também não sei se é essa minha tristeza que alimenta a insatisfação perene ou se é a insatisfação que causa tristezas cíclicas, isso mesmo, elas vêm e vão com uma rapidez que muitas vezes nem dá tempo de esclarecer suas razões; as tristezas somem como apareceram. Mas o ponto é que ele foi embora com uma sutileza que eu só sinto a sua falta por umas duas hora toda manhã, desde quando fico com preguiça de sair da cama até esperar o ônibus e chegar no escritório, o resto do dia eu só lembro do sorriso dele, já está bom assim. É tudo muito recente ainda. E tem muita gente legal que vai falar que eu sou um lerdo que não atacou o menininho e que agora já era, como se na Vida da gente atacar menininhos fosse alimento pra alegria e felicidade. Se fosse assim não haveria tristeza, as bichas que atacam os menininhos seriam as mais felizes.

 

Então sigo na batalha, alegre e retumbante! A fila anda e eu não vou ficar aqui chorumelas, senão vão dizer que eu sou um cara depressivo e de depressão eu quero distância, quero só a tristeza para ser o orégano da pizza, até porque estou bem feliz com um monte de sucessos e bençãos que andam acontecendo comigo e também que o meu polaco conseguiu o emprego que queria e sei que ele vai crescer muito e um dia se sentir realizado e tenho certeza de que todas aquelas nossas conversas de manhã vão ter alguma utilidade pra ele, afinal é para isso que servem essas divagações, então invente as suas utilidades pra esse monte de coisa que está lendo... Vou dizer que, passado o choque inicial, consegui me recuperar e me permiti dar um rolê pra conhecer gente legal, nessas acabou aparecendo um mocinho muito gente boa com um sorriso tão lindo quanto que me cativou, sem embaraços digo que a gente se conheceu num contexto um tanto quanto esquisito, testosterona pura, uma coisa submundo no estilo "só as mães são felizes" e quando me dei por conta não era mais o outono que tinha virado primavera e sim uma noite que virava manhã, tiro a remela dos olhos e observo muito bem o que estava à minha volta, gosto do primeiro sorriso da manhã tanto quanto gostei do primeiro sorriso que ganhei, na noite anterior naquele lugar sujo e esquisito, arrumo o cabelo em frente ao espelho e sem querer vejo o brilho dos meus olhos vermelhos e felizes de quem queria dormir mais um pouco... e me pergunto: 

por que não?

 

E porque eu espero e mereço muito mais da Vida do que estava pleiteando, arregaço as mangas e mãos à obra, arranco às unhas os pêlos desse meu coração duro como um flan e digo, mais uma vez sem embaraço, naquele instante mágico em que a gente escolhe a Vida ou voltar pra cartola amassado com o rabinho entre as pernas, que estava feliz por estar onde estava e me convido para voltar em breve, miro mais um sorriso gostoso de aprovação e avanço mais um pouquinho e, beijo nos lábios de até breve, digo que foi especial e que estou me sentindo leve, parece performático e é um pouco mesmo mas isso nem importa mais, a performance veio do coração e não da razão. Eu estava também um pouco confuso e cansado, não sou habituado a passar a noite em claro fora de casa... Descemos juntos para a rua, caminhamos sem pressa por algumas quadras e nos separamos, um pra oeste o outro pra leste, não importa o destino agora haverá novo encontro em breve, muito em breve. Ouço que mesmo que não nos vejamos nunca mais já valeu, a noite havia sido mágica... Trocamos telefones e, sorriso de te quero mais uma vez e mais outra e quem sabe mais outras tantas, marcamos de nos ver de novo no máximo na quarta, quem sabe pra um cinema ou uma pizza.

 

E assim foi, de novo uma quarta maravilhosa, uma segunda, outra quarta, um sábado no teatro, as confidências no parapeito da janela, as leituras tão familiares desde sempre e as muitas gargalhadas, jantares de improviso em embalagens de alumínio, toalha branca dividida após um banho à dois e toda a ternura que se pode trocar; dar e receber. Telefonemas todos os dias, torpedos a toda hora, beijos e muitos beijos nos reencontros, sorrisos gostosos à cada recordação e re-compreendo, enfim, a função do outono.

 

Felizmente... Antes tarde do que nunca.


Escrito por Henrique às 21h55


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