BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

stardust

Quinta-feira , 26 de Fevereiro de 2009

 

Gosto quando meus amigos me mandam textos enormes, com divagações quase impossíveis de se acompanhar, citações muitas vezes óbvias mas nem por isso desnecessárias, provocações que por certo não são pessoais, muito menos agressões, e que merecem crédito, quando me mandam textos que me trazem consciência do quanto insignificante somos perante o todo junto com a certeza do quanto poderosa pode ser a nossa passagem por essa Vida.

 

E eles me mandam de tudo, desde um texto enorme dizendo que mais importante que a era de aquário será a era de peixes, um tanto quanto distante ainda; me mandam um texto ainda mais enorme dizendo da importância de vigiarmos os nossos pensamentos, de não deixarmos que uma coisa pequena, que só existe no nosso mental, tome uma proporção difícil de domar depois. Grandes dragões já foram pequeninos e dóceis algum dia.

 

Manter a mente quieta é um exercício diário. A gente se habitua a malhar pra ficar com o corpo em ordem, ou não, entrega o corpo ao próprio destino mesmo admitindo que vai perder o controle lá na frente; cria hábitos mais saudáveis de alimentação, ou não, triglicérides é apenas mais um nome sem importância nessa máquina poderosa que carregamos. Cuidamos do corpo pois é o que se apresenta ao mundo, vamos amadurecendo e passamos a tomar cuidado com as palavras que proferimos, também é a forma de nos apresentarmos, adoramos essa ideia de nos mostrarmos do jeitinho que nos aceitarão: esbeltos e educados. Mas na intimidade...

 

"A mente mente... E gasta um tempo precioso, deveras precioso, resolvendo uma série de problemas que ela mesma criou".

 

Eu gosto de meditar. Dedico algumas horas do meu dia a isso, alguns minutos logo cedinho, naquela "soneca" que o despertador nos concede gentilmente; à noitinha, quando me deito, uns dez, quinze, vinte minutos antes de cair no sono. E principalmente quando acordo durante a noite, com uma manhã querendo invadir a minha madrugada de sono... Em outras épocas acordar de madrugada me angustiava, ma causava uma agonia difícil de administrar, eu me deixava levar por pensamentos que consumiam a doçura de uma noite de sono. Hoje isso mudou, felizmente, se acordo de madrugada muito mais importante que saber o horário e quantas horas de sono me restam é compreender que meu organismo quer me dizer algo e conversar com ele, com a certeza de que as respostas virão. Respiro fundo, criando uma cadência que me faz desligar de novo.

 

E estou muito feliz com o final do horário de verão...


Escrito por Tiago às 23h05

raciosímio...

Terça-feira , 24 de Fevereiro de 2009

 

Sabe aquele lance de dizer que a primeira impressão é a que fica? Preconceito meu, talvez, por essa razão é que não vou dizer nem que sim e nem que não, nem que concordo e nem que discordo dessa máxima. Mas a primeira impressão é para mim um bom indicador, tenho faro-fino pra algumas coisas e digo que, vencidos os pré-conceitos, em geral não me engano muito não - a primeira impressão em geral é um bom sinalizador do quem, ou do que...

 

Em geral meus amigos me encantaram logo de cara. Nem sempre foi assim, algumas vezes demorou pra engatar e depois fluiu lindamente, outras deu um gás danado e não virou nada. Beleza, parte do espetáculo. Algumas vezes sim, outras não, nada definitivo. Mas não é sobre os amigos que quero falar não, aliás quero mesmo é dormir pois amanhã acordo cedo, outra hora venho concluir meu raciosímio. Isso aí, algumas vezes é melhor ser macaco mesmo e quando surgir alguma dúvida dar um peteleco na cabeça do incômodo...


Escrito por Tiago às 23h23

caë

Sábado , 14 de Fevereiro de 2009

 

 

Outro dia a Laurinha me disse que eu pessoalmente sou muito diferente de quando escrevo, teve outra vez lá no passado pouco mais distante em que ela disse também que sentia prazer em me ler. Muito antes de me ver. Eu respondi nesse dia algo como nunca te vi, sempre te amei. A gente tem o projeto de escrever um livro junto, até já combinou que um dia vai startar esse projeto e quando isso acontecer vai ter um mês pra fazer um esboço e seis meses pra conclusão da obra. Por enquanto só tem título.

 

 A gente sabe que se isso só acontecer daqui uns vinte anos não tem problema, o que importa é que é um projeto que a gente vai curtir muito fazer. E a gente sabe também que será o primeiro de outros tantos, meus, delas, meus e delas, nossos. Mas o ponto nem são os livros, que escreveremos ou que lemos, hoje e ontem, o ponto é que ela acha que eu pessoalmente sou bem diferente de quando escrevo.

 

Escrevendo eu sou menos alegre, mais melancólico e saudosista, vivendo apenas sou mais agora - olho o mocinho lá longe no caixa e desvio a atenção - ela intercepta meu olhar e fala que eu sou foda, foda no sentido de não deixar passar um bonitinho alegre nunca, de estar de guarda o tempo todo, alerta mesmo - e dou risada. Simplesmente dou risada, ela também e pedimos mais um café.

 

- Quero conhecer o seu amigo. Ele é meu tipo?

 

- Meu tipo não é, ele é bacana, parece um adolescente. Seu tipo também não, ou não, acho... Ele é hétero, ao menos ele pensa que é, mas já admitiu que gosta de uns dedinhos, sem violência. Separou agora da esposa, dá em cima de mim. Dá em cima de mim não, tenho fama de pegadora e ele tem medo de mim, os homens em geral tem medo de mim. Acho que ele é seu tipo sim, ou não, sei lá, meu tipo ele não é. Mas acho que ele bêbado você pode ser o tipo dele, ao menos por umas horas, até passar a bebedeira se você cuidar bem dele, ele só não vai beijar na boca, acho. Se bem que eu acho que beijar você é quem não vai querer beijar bafo de cachaça. Vai rolar pode ter certeza, ele vai sentar em você e se acabar e depois ele não vai assumir, nem vai comentar, acho... Vai pedir pra você não me contar, sei lá, abafa o caso, entende? Ele é carente, é gente boa, você vai gostar dele. É complicado, ele tem as filhas.

 

Mais um café, chega o tal amigo, falamos sobre esse blog, falamos sobre as baladas de Itapecirica da Serra, sobre filhos e a highway one, feita de carro e o Caminho de Santiago feito à pé, o Vale da Morte e o Parque Güel, o presidente daquela empresa de automação que foi meu chefe na outra empresa, os planos da Laurinha de estudar na Espanha, ou Portugal, depende da bolsa, esposas, filhos, namorados, cinema e o casal se pegando de leve naquela mesinha do canto, sobre aquela carteira de sessenta e cinco reais que eu não comprei e não me arrependi, hora de irmos embora, eu pra casa e eles pra balada, carona até aquela avenida lá embaixo, perto da Marginal Pinheiros onde pego ônibus pra casa, sim vou pra casa e não pra pegação nenhuma no lado escuro da Vida.

 

Digo um "até a próxima, prazer te conhecer meu irmão, valeu", dou um beijo de costas no lado esquerdo do rosto da Laurinha, digo um eu te amo, desço do carro, espero uns minutinhos, embarco no jardim qualquer coisa que também me serve e de cara rola um flerte babado-forte no ônibus. Fulminante. Caramba, mal entrei e já me fisgaram. Desço uns quatro ponto depois do que deveria, tudo bem se não rolar nada volto andando que adoro caminhar por esse bairro, aproveito e passo na padaria se bem que nesse horário já deve estar fechada, sem muitas palavras acabo indo pra um apartamento bacana trocar ideias e secreções.

 

Prazer em conhecer Henrique, prazer em conhecer Tiago, prazer em conhecer, alguém, prazer em conhecer alguém, não importa quem o que importa é o prazer, com ou sem a insegurança implicita em conhecer alguém. Nem precisei ir pro lado escuro da Vida, aqui é mais seguro, a tarde que começou com chuva lá na praça, seguiu num café com pé molhado e teve um final de noite bem bacana. Não podia ter sido diferente, começou legal e fluiu nessa vibração. Mantras de prazer e bons pensamentos. Não sei se nada pintou direito, ou se foi direito até demais deu vontade de quero mais mas não vou falar nada, fico na minha.

 

Fico na minha o caralho, solto um "De qualque forma valeu cara, me desculpa o chulé, adoro caminhar com esse tênis, mas quando molha fede mesmo, é velhinho o coitado. Um dia isso tudo vira um livro. Ou não, como diria o seu xará...  Falamos dele hoje a tarde, aliás você precisa conhecer a Laurinha, ela quem me tirou de casa hoje, mesmo com chuva. Me dá teu telefone, vamos marcar de novo ora dessas?".

 

Um dia, dessa tarde chuvosa noite quente, haverá apenas mais um número na agenda do celular e uma pergunta: quem é mesmo esse cara?

Ou não.


Escrito por Tiago às 11h00

rio

Quinta-feira , 05 de Fevereiro de 2009

 


Escrito por Tiago às 22h31


 m O O n 

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