BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

regenerar

Terça-feira , 24 de Março de 2009

 

Era Carnaval e aquele menino de olhos verdes que parecia o Hugh Grant chegou em mim, tipo colando, que eu não resisti. Não resisti mas o beijo foi oco, foi oco e com gosto de um alcoólico qualquer e eu comecei a ficar impaciente pois era carnaval e no carnaval, micareta e parada gay, gente tem que beijar muito na boca, beijar muitos príncipes e muitos sapos. Pois sim, a gente meio que se despistou mas estávamos entre amigos, um conhece o outro que conhece aquele um lá. E eis que a gente se trombou a noite toda até um momento em que ele, bêbado, declarou com convicção que eu era o homem da sua Vida. Mas eu nem acreditei.

 

Na semana seguinte a gente se viu, ou foi na outra semana, ele sóbrio e a gente começou a namorar. Namorar não sei, a gente foi se conhecendo e tentando se entender e era bacana aquilo tudo. Eu estava carente, ele também, eu só queria estar alí, sempre ao lado dele, mas o beijo era oco, mesmo com gosto de beijo apenas, e o sexo não estava decolando. Forte probabilidade de virar irmãozinho e isso a gente não queria, nem pensar. Ele fez meu mapa astral, éramos deliciosamente complementares, bom demais para ser verdade. Dizia também de alguns ciclos de Prosperidade, da Compreensão da Vida e do meu papel no mundo, minha missão, dharma e essas coisas todas que eu sempre adorei conversar sobre. Estarmos juntos, numa tarde ensolarada, na rede na varanda, num improviso culinário, numa noite fria num cinema ou numa cama quentinha era ótimo, mas a intimidade, não apenas a sexual, era estranha. A gente não deu conta, declinou e se promoveu a amigo.

 

Um dia ele lendo o meu mapa astral, que mostra uma estrela de seis pontas "quase perfeita", me disse que eu tinha uma capacidade absurda de regeneração. Comparou dizendo que, se, de zero a dez, a minha era onze com louvor e bilhetinho da professora pra mostrar pra mãe e deixá-la orgulhosa. E que era nessa capacidade que eu deveria me amparar, sempre, pois trazia o orgulho pueril, aquela coisa de estufar o peito, sair chupando o nariz e enxugando as lágrimas enquanto um novo sorriso se forma no rosto de menino bom e nem tão frágil quanto aparenta. "Você é forte pra caralho" - palavras dele sobre o meu mapa...

 

Muito tempo se passou e a gente continua amigo. Nos falamos duas ou três vezes ao ano, quando nos falamos em geral nos vemos, conversamos sobre esquiar em algum canto do mundo e sobre a versão nova do msn, comemos uma comida que a assistente dele faz, geralmente osso-buco que ele adora e eu curto também, é carne mesmo e eu preciso comer carne vez ou outra. Mesmo a de frango, eu tinha parado de comer pois aumenta a ansiedade, assim me disse um médico boliviano, medicina indígena, mas agora vou em uma que tem meio cara e jeito de indiana, mas usa medicina tradicional chinesa e que manda comer carne de frango, pois já fomos envenenados desde crianças com aquele monte de hormônio, e agora o corpo sente falta, dá abstinência até. Sigo meu caminho com dicas que me ajudam a ser cada dia mais xarope.

 

Falando em xarope, melhor, voltando ao assunto da regeneração, o que digo é que confirmo e até aquele dia nunca tinha atentado pro real significado do verbo regenerar, com todas as suas implicações. Ficou mais fácil e compreendi um monte sobre a minhas histórias vividas, e também as devir, tanto que desde então o moleque jocoso que habita meu Ser, sacanastê, provoca o mano, a mona ou a mina espirito de porco que habita o seu Ser. Namastê, Namaskar... Quer saber? Se você me quer eu te quero, se você não me quer, foda-se. Mais ou menos assim.

 

Eu fiz o gancho com esse meu flerte namorado amigo amigão do coração astrólogo cartomante tarólogo, doutor de dons tão divinos, pra falar da minha capacidade de regeneração. Viajei na maionese, pra manter o estilo. Que estilo? Foda-se, de novo. Eu sou o que eu sou e graças a Deus eu sou o que sou. Coloca uma Gloria Gaynor sussurando forte bem alto, dubla olhando pro espelho do bar e seja o que quiser Ser. Se eu regenero sentimentos, regenero pessoas. Regenero-as em minha mente, até quem não quer se regenerar e se esconde atrás do namorado e não me estende a mão, por simples medo do admirar ser tanto, e mais ainda pela minha intenção de me sentir confortável com tudo e com todos o tempo todo.

 

Eu posso falar aqui sobre minhas virtudes, ser real e verdadeiro, assumir-me publicamente na leitura impiedosa do ser; posso criar mecanismos e tentar convencer (a mim mesmo, primeiramente) que em tudo isso aqui há uma lógica verdadeira, que há justiça em meu cotidiano, que todos os Seres agem pelo bem dos meus Seres, que sou legal pra caralho porque as pessoas que passam quatro ou doze horas por dia ao meu lado dizem que eu sou educado e solícito, assim me disciplinei para ser, que tenho saúde e que se lá na frente a coisa encrencar, melhor não esquentar; logo vem outro ciclo de prosperidade, de saúde, de amor, de tesão pela Vida. Ultimamente tem sido mais fácil manter o sorriso, mesmo que aos olhos de muitos eu sequer tenha razão pra isso.

 

Posso também ser realista e deixar esse papo de ideais de lado, nada nasce pronto e tudo se transforma, a gente muda o que quiser e por mais que digam que é mais fácil adquirir dez virtudes que eliminar um vício, quem é que tem que eliminar um vício? Aliás, "aláises", o que é isso mesmo? O que me ensinaram é que enquanto não mudarmos os ingredientes, o roteiro ou o enredo, o resultado final será sempre o mesmo. Isso é certo. E acho que está na hora de mais uma vez regenerar o meu conceito do que são vícios e virtudes, não me deixar poluir por quem ainda acha chique julgar, aceitar que esse lance de ciclos também está mexendo comigo, que quanto mais escrevo mais confuso fico e nem sei de vou publicar, de tão pessoal que ficou. Mas vou publicar só amanhã, depois que ao menos revisar, ninguém merece muitos erros, só uns poucos que eu também já estou na minha terceira ou quarta revisão ortográfica. É phoda ou não é?


Escrito por Tiago às 00h00

avental

Sábado , 21 de Março de 2009

Amanhã eu vou cozinhar pros meus queridos amigos. Não sei ao certo o que, ainda, mas vou fazer bonito, com muito amor e carinho. Vou cozinhar uns grãos, refogar uns legumes, assar alguma coisa bem gostosa, castanhas, farelos, temperos diversos, eu e meus vidrinhos com maravilhas que eu mesmo invento. Vou celebrar a Vida ao lado de pessoas que, assim como eu, estampam em seus rostos sorrisos amistosos, não são alegres e nem tristes, mas acreditam de verdade quando ouvem alguém contar que as estrelas emitem sons; tanto que até param pra prestar atenção.

 

E eu bem que mereço isso pra mim amanhã. Venho de dias insanos, no sentido do excesso de trabalho que não me deixa tempo pra muita coisa mais, venho de dias intensos e monótonos, daqueles que se é capaz de prever as próximas horas, as próximas pilhas de tarefas a executar, venho de pegadas anônimas onde não se espera nem mesmo um "valeu cara", venho de noites quentes e mal dormidas com preguiça de se levantar as seis da manhã da minha cama, nem king e nem enorme, pois não cabe no quarto, com a não companhia, nem de um lado e nem de outro, nem conchinha e nem oroboro, nem meia-nove e nem peixinho-da-hering, a falta de alguém pra chamar de coração logo cedo.

 

Amanhã então eu vou me acabar em carinho e afeto... Com amigos, ao menos, é o que tenho e há que agradecer, de joelhos no milho lá no cantinho da sala, ao lado de Lord Ganesha. Assim a gente pratica beijos e abraços com ternura. Não dizem que é dando que se recebe? Pois não, pois sim, muito pelo contrário; é dando que se aprende a dar mais, se doar ao próximo pela plenitude do SER, sem esperar algo além de um sorriso.


Escrito por Tiago às 19h06

umbigos

o+o+o+o+o+o+o+

Eu que nem sabia o que era um heterônimo,

bem pouco adiante dos nossos umbigos todos,

busco agora te compreender no que é alterego.

+o+o+o+o+o+o+o

 


Escrito por Heterônimo às 19h03

o+o+o+o+o+o+o+


Escrito por Henrique às 19h01

+o+o+o+o+o+o+o


Escrito por Tiago às 19h00

areia

Sábado , 14 de Março de 2009

Nesse ano ainda não caminhei pela praia.


Escrito por Tiago às 11h50

guincho

Quarta-feira , 11 de Março de 2009

 


Escrito por Tiago às 22h50

paixão

Sexta-feira , 06 de Março de 2009

 

Penso na compaixão, naquela que te faz sentir, no coração, que resolveu um conflito; mas que o outro diz não resolver, não se sentir confortável e te boicotar, socialmente. Pelo simples fato de não querer mais te olhar nos olhos. Enfim. Penso que se a compaixão não for mútua, se de um lado ainda existir paixão inconfessável por você e por todos os seus - e ódio, silencioso, íntimo e mortal, não há o que lastimar. É seguir a Vida em frente, sorrindo ao lado dos que me querem, sem as máscaras nas presenças lindas dos amigos, nem tão importantes ou queridos, que apenas dão audiência às suas carências e loucuras. Seguir no pós-compaixão.

 

Ponderar que a minha compaixão não foi então suficiente. Que faltou algo que eu não encontrei. E seguir assim mesmo, na in-compaixão, que se não existe, seja então sem-paixão. Tudo bem, na paz, resolvido no meu coração. E acho que de verdade, dessa vez; a primeira de fato. Sei lá, divagações pós um dia cansativo.

 

Vim do trabalho de carona do trabalho com meu amigão, até próximo ao cemitério, depois caminhada de quinze minutos por ruas arborizadas cheias de caçambas e um monte de prédio novo. Esse bairro que já foi tranquilo, hoje é chique e tumultuado, um inferninho lindo, bairro da onda, perdendo aquela cara de vizinho e com cada dia com mais bares e farmácias, lojinhas e salões pras bonitas que se mudaram pro lado de cá do rio se enfeitarem. E dá-lhe cocô de cachorrão nas calçadas. E os velhinhos que não dão conta dessa movimento todo estão alugando suas casas por valores bacanas e indo morar na praia. Certos eles que lá no litoral vivem vida de marajás com o alugam aqui. Enfim...

 

Conversávamos sobre conflitos. Os nossos, mas não os nossos pois os nossos a gente resolve, os nossos com os outros, em especial aqueles que se perpetuam. E a gente vem, de novo pela enésima vez, com aquele papo de compaixão, de compreender o outro, de se colocar no lugar do outro e concluir que no lugar dele teria feito, possivelmente, as mesmas coisas do mesmo jeito que ele fez. E é bem bacana mesmo esse papo de compaixão como tempero para aliviar conflitos.

 

Mas e quando a gente se coloca no lugar do outro e compreende que no outro tem um monte de coisa ue não resolve pois não quer resolver, a começar exemplificando pela teimosia. Eu não quero e pronto? Eu não faço, eu não ouço, eu não olho, eu não aceito e ponto final, viro as costas e deixo você falando sozinho? Egocentrísmo sem parcimônia? Então foda-se, eu é que não gasto meu verbo argumentando, menos ainda contestando? Ouço, olho e aceito? A Tua verdade que eu vou ter que compreender, meu Deus! Corretamente correto, compreendeu o outro plenamente, mente mesmo. É quando a compaixão nos prega peças, acaba sendo melhor esconder em algum canto aquela mágoa que ainda ficou e se afastar fisicamente, dar tréguas.

 

E, dentro dessa ideia de dar tréguas, que se tornam muitas vezes longas além do razoável, as paixões esfriam por completo. As paixões que geraram conflitos esfriam. Não há mais aquele contato de olhos que fala tudo, não há mais aqueles silêncios divididos que aterram ânimos passionais. E esfriam tanto que deixam de importar, a compaixão é tamanha que já não importa mais nada, nem a paixão e menos ainda o conflito; e que a pessoa seja feliz lá, do jeito dela, com os mimos que escolher. Ficou. Ficou na conta. Fechou, naturalmente. Pendura aí, um dia a gente se acerta, eu te dou um beijo na testa e te pago um sorvete de casquinha. Fica o dito por não dito, fica o pensado e não dito por dito e arrependido, fica o arrependimento lá atrás, lá bem longe perto de onde a paixão começou a ficar gelada. Se eu me resolvi no processo todo, mesmo que sinta saudade das tardes de risadas, se eu compreendo os seus processos, mesmo que você não deseja mais compreender os meus, tá bom assim. 

 

 Então não há mais paixão, muito menos ódio mortal daquela bicha! Vontade de trucidar, de matar aquela horrorosa abusada que ainda tirou sarro com a sua cara. Não há mais a vontade de nada. Passou, estava descompensada, foi justamente na época que o doutor aquele lá te proibiu de usar adoçante, três gotinhas, no café. Tá perdoada, esquece. AGora já está bom.

Mas não há "mais-compaixão".

Nesse instante é sem paixão.

Ou com, Caetano que sou.

Ou seria sem paciência?


Escrito por Tiago às 21h48

o|o

Sábado , 28 de Fevereiro de 2009

 

Non son môeus. Nein os sóeus.


Escrito por Tiago às 23h45


 m O O n 

Conscientize-se!

free counters

XML/RSS Feed

IBSN: Internet Blog Serial Number 012-12-0-2012