BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

planeta

Segunda-feira , 27 de Abril de 2009

 

Leal Carvalho
Pela cura do Planeta


"Pela luz do firmamento
    Entre as forças de oração
        Chame a luz da consciência
            Reine a paz entre as nações

Juntos somos muitos
    Na corrente de oração
        Juntos somos tantos
            Praticando a devoção

Quem nos alimenta
    É a nossa oração
        Quem nos sustenta
            É a nossa devoção

Pela cura do Planeta
        Deus convoca em oração."
 


Escrito por Henrique Oliveira às 23h00

T

Quarta-feira , 22 de Abril de 2009

"x.bèc"


Escrito por Tiaga Menas às 23h13

trinca

Domingo , 19 de Abril de 2009

 

Tenho trabalhado bastante, mês passado completei um ano no novo emprego e fico bastante feliz com os resultados desse primeiro ano, a empresa é nova, tem um potencial de crescimento imenso, estamos apenas engatinhando e sempre brinco com o meu chefe que "temos o mundo inteiro no nosso quintal"... Para quem tem filhos, ou sobrinhos (o que é mais provável entre meus leitores), essa é uma alusão à música tema dos "Backyardigans", aqueles bichinhos coloridos que desbravam o mundo e fazem imenso sucesso com a criançada. Mas esse parágrafo foi só para justificar, mais uma vez, a irregularidade das minhas postagens. E, se sobra pouco tempo para postar, não sobra tempo para ler os blogs amigos aqui do Mix, e os meus favoritos listados no meu blog. Apenas hoje consegui colocar em dia alguns deles, mas ainda há muita coisa que quero ler.

 

Me chamou a atenção a última postagem do meu "blog brother" Fabrício Viana, onde ele fala de estar namorando a três... Nós não somos íntimos, não frequentamos a casa um do outro, mas trocamos ideias bacanas quando nos encontramos e tenho enorme admiração (já declarada pessoalmente) pelo seu trabalho, sinto-me bem representado (enquanto gay...) quando o vejo dando entrevistas falando sobre homossexualidade e relacionamentos logo cedo na Ana Maria Braga, e admiro-o também, e principalmente, pela coragem com que se expõe e pela maneira aberta de falar sobre assuntos que para muitos pode soar delicado demais. Poderia aqui falar sobre o seu livro, "O armário" mas a obra pode parecer pequena pra um cara da minha idade, menor ainda se comparada com o talento que tem esse cara, que é ainda um jovem de 30 anos com um mundo a desbravar. Esse cara vai longe.

 

Não vou me prender às minhas impressões sobre o seu relato. Conheço também o Alex e digo que por trás (ou pela frente, sem invadir a intimidade de ninguém) da figura do Fabrício há uma enorme e vital contribuição desse seu companheiro. Quem leu o livro, acompanha o blog ou os conhece há de concordar comigo. Quisera eu ter tido a sorte de conhecer alguém assim pra mim... Se bem que conheci tempos atrás, mas na época me faltou foi maturidade para assumir um relacionamento e crescer juntos como eles estão crescendo.

 

Vou contar, isso sim, uma experiência que tive com esse lance de namoro a três.

 

No final de 1997 eu conheci o Augusto (nome fictício) e foi amor à primeira vista, tanto que 20 dias depois de nos conhecermos ele foi morar comigo. Eu queria casar, ele dizia que também, morava do outro lado da cidade e trabalhava praticamente na rua em que eu morava. Juntamos a fome com a vontade de comer e quando nos demos por conta estávamos almoçando um domingo na casa dos meus pais, outro na casa dos pais dele. Com a minha família a coisa era escancarada, com a dele não, mas a mãe não entendia bem como é que um cara que tinha um bom emprego e um carrão precisava alugar um quarto para um amigo...

 

A gente se dava bem social e culturalmente falando, tinhamos um humor parecido e o sexo era até que bem legal, apesar das dificuldades que ele tinha com o uso de preservativos, acessório até então inédito em sua vida sexual. Eu não abria mão desse cuidado e isso de certa forma foi algo que dificultou, mas sei que foi melhor não ter deixado de usar, três anos depois quando a relação acabou eu me senti melhor pois sua sorologia continuava negativa. Penetração, nos dois sentidos, só emborrachada - mas para sexo oral a gente nunca cogitou usar, embora evitássemos o contato com esperma.

 

Menos de um ano de convivência tivemos que conversar sobre o que surge naturalmente numa relação entre dois homens: o desejo de tocar outros corpos, ter aventuras sexuais. Sugeri algo na linha do "don´t ask, don´t tell" mas ele não aceitou, alegando que numa aventura dessas eu poderia me apaixonar por um cara e deixá-lo. Ele dizia que, do lado dele, não havia risco algum - mais tarde vim a saber que muito antes dessa conversa ele já dava suas escapulidas, mas como nunca fui ciumento possessivo não ficava buscando evidências de traição, e mesmo quando aparecia alguma eu optava por não encanar e acreditava em qualquer história, por mais insólita que pudesse parecer. Escolhi acreditar na verdade que ele me apresentava como verdade.

 

Partimos então pras aventuras sexuais a dois... Íamos em saunas, contratávamos um garoto que nos agradasse e nos divertíamos, remunerávamos o garoto e missão cumprida. Vez ou outra o "autorama" ou algum outro parque, observava que ele sempre provocava esses momentos e isso passou a não ser mais sadio. O sexo, apenas os dois, passou a ser evitado, junte-se o fato de que nossos horários eram diferentes, eu acordava as seis da manhã e ele trabalhava até as dez da noite, aos finais-de-semana era quando nos curtíamos e isso quando estávamos fora da cidade, no sítio ou na praia, pois era estar em São Paulo pro lazer passar a ser naqueles mesmos lugares de sempre. E como eu ganhava bem mais que ele, eu quem bancava a conta toda...

 

Um dia conhecemos um menino que morava no nosso prédio, e que há tempos vinha se insinuando. Cabe registrar que morávamos em um bairro não central, totalmente residencial, e que éramos alvo de comentários da vizinhança, em especial dos garotos curiosos sobre o que faziam aqueles dois galãs cheirosos que nunca apareciam com mulher ao lado e nunca se desgrudavam. Tanto o garoto se insinouou que eles flertaram, um dia acabou tocando a campainha de casa tarde da noite, eu já estava dormindo e o Augusto pediu que voltasse no dia seguinte, as dez e meia da noite.

 

O rapaz era hétero, naquela classificação que Kinsey definira como "heterossexual com eventual prática homo", que as bilús de plantão chamariam de "bichinha enrustida", e que eu defino como "um garoto curioso, com a testosterona a milhão e que sacou que poderia tirar algum proveito financeiro das duas mariconas...". Dou risada desse termo, mas o fato é que passei a bancar uns trocados pro cigarro, pizza e cerveja a vontade, total liberdade de abrir a geladeira, mimos e mais mimos, viagens à praia e montanha e assim seguimos por mais de um ano. Felizes.

 

Em 2000 fomos de férias pra Califórnia, evidente que apenas nós dois - embora o Gabriel quisesse ir também. Pelas dificuldades de se obter um visto de entrada, e financeira também, ele ficou nos esperando. Ao todo ficamos dois meses por lá, nessa época minha irmã estudava em São Francisco, e por lá mesmo as crises se tornaram insustentáveis, tanto que fui casado e voltei separado, ele ficou por lá mesmo até hoje.

 

Quando retornei ao Brasil descobri coisas que muito me incomodaram, desde pequenos furtos (atribuídos sempre, como de praxe, às empregadas que ele sempre se antecipava em dispensar, sob pretexto de que era melhor eu não me estressar com elas) até desfalques em compras super-faturadas que por mais que eu achasse estranhas sempre havia uma justificativa na qual eu, Poliana, acreditava. E as inúmeras traições que ocorriam, dentro de meu apartamento, enquanto eu viajava... Tudo bem que nas minhas viagens eu também dava as minhas escapulidas, mas eu não cobrava e nem prometia nada.

O fato é que esses fatores todos, juntos e escancarados em tom nada cordial, fizeram com que sequer a amizade fosse preservada.

 

Eu entendo também o seu lado, era um cara muito reprimido que experimentou uma dose de liberdade além da que estava preparado para vivenciar e que se deslumbrou com o mundo que eu lhe apresentava.  Crescemos com isso, com certeza, mas hoje não nos falamos - o fato de morarmos em hemisférios diferentes ajudou a aumentar essa distância. Mas, e o Gabriel?

 

No retorno, já sozinho, emplaquei uma relação maluca com o Gabriel. Os quatorze anos de diferença não foram problema e ele abriu pro pai que tinha uma relação comigo. Tentei que ele voltasse a estudar, sem êxito, ele queria era curtir e mais nada, não desejava tornar-se um homem trabalhador. Isso durou mais uns quatro anos, até que larguei tudo e fui passar uma temporada de seis meses na Europa. Quando voltei ao Brasil aluguei meu apartamento, que me trazia recordações muito fortes de todo aquele processo, e fui morar com alguns amigos, depois voltei a morar com os meus pais e nunca mais ví o Gabriel. Isso já tem quase cinco anos.

 

O que sei sobre eles? Hoje, nada... As últimas informações eram que Augusto estava morando em Nova Iorque com um cubano gostosão que conheceu em Los Angeles. Já o Gabriel, que tinha histórico com drogas, mergulhou fundo no crack e viveu uma relação conturbada com um enfermeiro que o bancava, foi visto ano passado por um amigo meu na região da Vieira fazendo michê em cabines por cinco, dez reais, além de pequenos furtos para bancar o vício - totalmente desfigurado, em nada lembrava aquele jovem que nos encantou e nos proporcionou momentos mágicos.

Mas tenho saudade deles, dos dias ensolarados na praia, de dormirmos os três juntos, do quanto divertido e engrandecedor foi esse ano em que vivemos essa experiência.

 

E o que digo agora? A Vida é muito curta pra gente ficar julgando os outros e reprimindo os próprios desejos.

 

E é por isso que felicito o meu blog-brother por estar vivendo essa experiência com seus dois amores, pois quem não vive feliz tem medo do amanhã e dos julgamentos alheios e ele já mostrou ser um homem destemido e de fibra. E juntos formam um uma bela trinca!


Escrito por Henrique Oliveira às 11h00

ilusões

Quinta-feira , 16 de Abril de 2009

 

Solidão, amiga do peito; eis-nos aqui nesse momento de realidade íntima, verdadeira e absoluta, minha companheira sublime, mais uma vez. A gente com a gente mesmo e não há mais nada a temer, não resta mais nada, nem as dores e angústias, nem as alegrias efêmeras e fugazes, que tanto nos atormentaram em épocas passadas... É olhar-nos no espelho sorrindo, com respeito e com a consciência de que somos só nós (ainda que muitos e em múltiplas faces), e mais ninguém e é isso o que deve nos bastar. Sem lamúrias. É agarrarmo-nos com ternura.

E com afeto.

 

Me dê tudo que eu tenha por direito, nem mais e nem menos, e eu te prometo seguir como que encantado ao lado seu; Não me engane, não me poupe, e também não me permita criar novas e ultrapassadas ilusões. Não quero nem o alento e nem a tormenta, nem a paixão e nem a desilusão; quero a paz no espírito, por isso me dê a compaixão comigo mesmo, pois é disso que eu preciso agora. Foi isso o que eu busquei e não devo reclamar de mais nada.

 

Me diga, me ensina a nos bastar.

 

 Ao dormir não sinto medo.  Esse tempo do medo é passado, sinto cansaço, isso sim. Um cansaço tamanho que não me deixa enxergar além disso, pensei hoje tantas ilusões mas aprendi que são ilusões e não me apego a elas, elas somem sem que eu saiba de onde vieram. Me adormeça rápido, e mesmo que eu acordar assustado ou carente durante a noite, nos baste. Não há mesmo quem abraçar, em que nos aconchegarmos, somos só nós. Se eu não nos bastar me traga o choro, pois o choro acalma a alma. Confiarei em você, a menos que seja um choro de desespero, mas eu não conheço mais esse tipo de sensação. Desesperar, não mais. Aprendemos muita coisa juntos.

 

Há um sol, existe vida. Foda-se o sol.  Foda-se nada, sem o sol não haveria vida, congelaríamos em alguns instantes. E que mal haveria em congelarmos todos? Mas que bobagem pensar no sol nessa noite que parece fria. Meus pés se sentem frios mas eu não quero calçar meias, sinto sono e cansaço mas não me deito agora, pois é deitar, dormir rapidinho e acordar às duas horas da madrugada, numa madrugada que estará fria e eu não gosto nada de acordar nesse horário e ficar virando na cama.

 

Me trate com jeito, solidão querida, solidão do caralho. Nos trate com jeito que nos trato com jeito. Seja suave e doce comigo que retribuirei à Vida no mesmo tom.

 

Eu tenho saída, tudo tem saída. Mas quando eu acordo de madrugada não vejo as placas de sinalização e sinto medo. Sinto medo nada, eu sou forte além da conta, o que sinto é que você, minha amiga do peito, anda muito dependente de mim e eu de você. Me acostumei e me apeguei a você  e tenho que trabalhar em mim essa coisa do desapego. Eu queria mesmo era me livrar de você. Pra sempre, quando muito deixar você dobradinha num canto qualquer do maleiro lá no meu armário, afinal nunca se sabe o dia de amanhã e temos boas recordações juntos. Podia te deixar bem ao lado daquele meu violão que está sem a corda Ré, todo desafinado, afinal ele combina mais com você que eu. Sabia?

Eu quero calor e o mundo é frio, eu quero aconchego e afeto, quero ternura e flores no café-da-manhã, quero um edredon cheiroso com estampas orientais para dividir com alguém, quero alguém que me chame de meu querido e que diga que a Vida é mais linda comigo por perto.

 

Minha vaidade não enxerga o paraíso, será que existe alguma forma de mudar isso?

 

Eu preciso de alguém pra fugir, pra bem longe sem traçar rota prévia, alguém pra fugir a esmo, andar peregrino de mãos dadas, mochila nas costas, a Vida simples como ela deve ser.

 

Sem avisar ninguém, quero sair por aí sem dar satisfação alguma, sem me preocupar com nada além do desejo imediato, sem planos, sem expectativas, simplesmente Ser o que me der na telha.

Não vou olhar pra trás por mais que eu queira, pois sei que o que ficou no passado não volta mais.

A saudade está morta e meu violão desafinado, minhas cordas vocais roucas e meus pés calejados, que de tanto caminhar fizeram bolhas.

E já não me importa  o que pensem ou o que digam, sou eu comigo e contigo.

Está longe demais, dou o primeiro passo pois é o que me cabe nesse instante.

Longe demais de tudo, talvez.

Eu estou longe demais, não sei.

Tão perto de mim.

Tão longe de tudo.

 

(divagaçõs sobre poema-canção de Guto Goffi - Barão Vermelho)

 


Escrito por Henrique às 21h36

fofo

Domingo , 12 de Abril de 2009


Escrito por Henrique às 00h00

páscoa

Quinta-feira , 09 de Abril de 2009

 

Eu sou um cara "religioso", mas não no sentido clássico. Na minha história de Vida tive formação católica, por conta dos meus pais, mas já andei por várias tribos e vi em todas as religiões ou doutrinas aspectos que achava lindos e outros que me espantavam. Hoje, aos 42 anos, prefiro não me rotular e busco compreender quem se apegou a um Deus industrializado made in China e segue dogmas, um Deus tão genérico quanto o meu. Podem chamá-lo de Buda, de Krishna, não importa... Compreendo até, e principalmente, os ateus - afinal ninguém acredita mais na existência de Deus que eles, pois ninguém tenta combater a crença de outros naquilo que realmente acredita não existir (a menos que seja louco além da conta...). Certo? E todos os que conheci até hoje tinham algum histórico de Vida que, em algum momento peculiar, os fez questionar religiosidade e virar o lado da moeda. Conheci ex-seminarista que, ateu, se estressava ao ouvir um "graças a Deus" na fila do caixa no banco.

 

Tenho particular admiração pela figura do Cristo, pela sua história contada ao longo dos tempos. Não vou me prender à linha histórica que dividiu o tempo em antes e depois dando lenha à fogueira das vaidades e ambições desmedidas, pois nem tenho bagagem cultural suficiente para isso ou interesse algum nessa análise. O cerne desse blablablá é que tenho fé, tanto em mim e na Vida quanto nessa figura barbuda e cabeluda. Figura representada sempre de improváveis pele clara e olhos azuis e que aos olhos de muitos mais se parece com os remanescentes hippies, uma coisa Woodstock, espalhados aos milhares mundo adentro.

 

E também não me prendo ao que ditam aqueles que se acham donos da verdade, vai aqui o meu gongo estridente aos padres, pastores, rabinos, pais-de-santo, gurus e companhia limitada que se colocam à parte da história colocando seus interesses e preconceitos na contramão das necessidades da humanidade. Não há pecado algum em ser uma bicha tresloucada, em se divertir com o corpo usando (ou não) camisinha.  Não se trata de uma declaração preconceituosa minha, muito pelo contrário, conheci pessoas que agregavam em seus trabalhinhos de formiga e que tinham bom caráter, e em comum com um toque de desprendimento de se admirar. E também popstars da fé que vendem suas medalhinhas, feitas pela empresa da mãe, outros que cobram fortunas pelas esperanças que vendem, narcisistas que exigem devoção exclusiva - fé cega - aos seus dogmas, quando estavam olhando antes de mais nada pro próprio ego (umbigo) e conta bancária, e me perdoem por dizer que são a maioria. O Papa atual esta aí para quem tiver dúvida, disse que somos a destruição da humanidade com nossa sodomia.

 

Gosto muito da provocação de um amigo que questiona o seguinte: "Se o Cristo descesse à terra hoje e perguntasse o que foi feito em seu nome nesses 2009 anos, será que alguém teria coragem de levá-lo ao Vaticano?".

Com certeza se envergonhariam, se é que sabem o que é isso.

Não, eles não sabem.

 

Tem uma frase do Marcelo D2 em que ele diz que: "a mão que mata e reza, reza ou mata em vão".

Quando aqueles que dizem acreditar em Deus, o fazem com ímpeto voraz tentando convencer que o Deus deles é mais indicado pra você que o seu Deus, numa argumentação irada e transformam esse aspecto pessoal em guerra, há aqui um grande equívoco.

 

Gosto também de rezar o pai-nosso, aquele que está no céu e dentro de todos nós, mas rezo pela versão do Santo Daime, que ao invés de dizer "venha a nós o vosso reino", que dá a ideia de redenção e juízo final, diz "vamos nós ao vosso reino", que remete ao encontro com a verdade e paz interior, não de redenção mas de arrebatamento. Muito mais simples de compreender, buscadores que somos.

 

* * * * *

 

Há pouco mais de um ano vivi um momento particular com esse Cara, foi naquele episódio do assalto e da agressão que quase me matou, num "desdobramento", quando lá do alto, acima da copa das árvores, minha alma e consciência viam meu corpo caído no chão sendo chutado e ferozmente agredido por três criaturas do mal, três marginais sem noção do dano que poderiam causar. Naquele episódio, num momento só nosso, Ele me deu um instante para responder se eu queria ou não ficar aqui, e era como se me carregasse em seus braços, já no elevador de subida pra Vida eterna. Mas meu "apego" àqueles que amo e o amor à Vida foram mais forte que as minhas dores e carências. Foi um flash, rápido demais, e eu me lembro de ter ouvido um grito meu ao longe, em desespero, pedindo que parassem senão iriam me matar:

 "Pelo amor de Deus, parem, vocês vão me matar".

 

Naquele instante eu e Ele decidimos que eu ficaria. Os infelizes pararam de me espancar e estou aqui agora. Milagre? Não sei o que é isso, deturpada que ficou essa palavra. Soa melhor "Fé na Vida e no Cara", o filho do Homem. A mesma fé na Vida e Nele que me faz sobreviver ao hiv há quase 20 anos, a mesma fé na Vida que me salvou de dois graves acidentes de carro há mais de 20 anos (em menos de dois meses).

 

A mesma fé na Vida que me faz renascer à cada dia.

Isso pra mim é que é religiosidade, íntima e pessoal.


Escrito por Tiago às 23h05

abraço

Domingo , 05 de Abril de 2009

 

Abraçar é verbo, transitivo direto ou indireto, intransitivo, sei lá. Licenças verbais e gramaticais à parte, abraçar é abraçar, é terapia que ajuda a nos manter saudáveis, mentalmente e espiritualmente falando. Abraçar é uma delícia e quanto mais forte o abraço, quanto mais longo, quanto mais vezes, melhor.

 

Essa foto foi tirada pela amiga querida, a Carlota, roubei do seu álbum e fiquei encantado com a sua sensibilidade em registrar um momento impar. Ela é assim, não desgruda da câmera e sai por aí, sorridente e feliz fazendo essas artes que surpreendem.

 

O cara de frente, de olhos fechados e quase em êxtase, sou eu - em momento de puro carinho e ternura. O de costas é o Fê, um amigo querido que conheci há quase quinze anos e que vi se transformar de garoto em homem, um maluco que quando preciso me chama na regulagem e me ajuda a dar o tom pra seguir firme na batalha. Muitas histórias vividas e muitas outras por viver.

 

E viva o abraço apertado!

 

(e eu dedico esse momento a cada um de vocês que me "abraça" carinhosamente nesse blog, me incentivando nas minhas divagações.)


Escrito por Tiago às 15h30

sacanastê

Quarta-feira , 01 de Abril de 2009

 

Sacanastê é uma palavra que só existe entre os meus amigos queridos e quer dizer: "o espírito-de-porco que habita o meu Ser saúda o espírito-de-porco que habita o seu Ser". É palavra derivada do já manjado "namastê", tão em alta no Caminho das Índias e que para quem ainda não sabe quer dizer que "o ser-de-luz que habita o meu ser, o meu Deus interior, saúda o seu Deus interior". Namastê é, sobretudo, um sinal de respeito, mas é formal demais para quem respeita tanto o outro que chega a compreendê-lo. Nessa compreensão, colocamo-nos em pé de igualdade, ombro-a-ombro, não somos nem mais e nem menos que os demais, somos partes de um todo e vamos seguindo juntos sem frescura, sem carão, sem bichice.

 

Sacanastê é também, diria "acima de tudo", um sinal de respeito; mas de respeito com liberdade para tirar sarro do outro, sem aqueles formalismos engravatadinhos no politicamente correto do por favor, muito grato, por gentileza, perfeitamente, compreendo meu senhor; com a jocosidade e leveza que devem permear as relações entre aqueles que se querem bem e sem ter que dar grandes explicações.

 

Não precisamos nos levar tão a sérios. Eu, quando estou entre amigos, espero sempre alguma sacanagem, minha com eles ou deles comigo, alguma brincadeira para fazer dar risada, alguma pentelhação para fazer pensar sem tornar o processo do pensar algo pesado... Estar sempre pronto para dar risada de uma brincadeira é um bom sinal de que estamos ao lado das pessoas certas...

 

Respeito entre amigos, sem liberdade, pode se tornar uma coisa chata.

 

* * * * *

 

Acabei de chegar da casa do frango, a Jéssica, meu amigão personal que me ajuda a manter o corpão em ordem. Passei por lá rapidinho, direto do trabalho, precisávamos ter uma conversa mais ou menos séria e depois trocar impressãos sobre amenidades. Sabe aquele amigo querido com quem você mal consegue alguns minutos pra colocar o papo em dia? Pois bem, papo-cabeça encerrado partimos pras banalidades, divagar sobre os circos humanos que tanto gostamos de analisar. Falamos sobre os medos dos que nos cercam, sobre os nossos medos, entramos numa sincronicidade tão grande que parecia texto ensaiado, após ter sido escrito a quatro mãos. Sacanastê puro, conosco e com a humanidade. A conclusão é que é mais fácil levar a vida na malícia, controlando a dosezinha de maldade que se faz necessária.


Escrito por Tiago às 21h12


 m O O n 

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