BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

legados

Terça-feira , 26 de Maio de 2009

 

 

Domingo tem de novo e o verbo é encarar. Encarar meus medos todos, de frente. Encarar minhas Ilusões e escolher viver com elas e não nelas. A gente costuma dizer que mesmo quando é ruim é bom, dizemos mais, que quanto pior, melhor. Tomamos aquela bebida de gosto amargo que por vezes desce como mel, rasgando a garganta e arrepiando a alma. Estaremos mais uma vez consagrando no Bar do Irineu. O Mestre Irineu. Raimundo Irineu Serra.

 

E ele me ensina enquanto miro. Miro ou alucino. Miro. E nas minhas mirações o Mestre um dia me disse que não temesse, que não temesse com vigor e que fosse sempre forte, que dominasse a minha mente e meus momentos de dificuldades, que seriam muitos esses momentos pois eu escolhi assim, resgate cármico, mas sobretudo pois eu seria um dos últimos a deixar essa morada. Que o meu existir seria assim, de despedidas e perdas no aprendizado.

 

Me disse que eu já era muito forte, que possivelmente nem imaginasse ainda o quanto, e que jamais esmorecesse, mas que não tivesse essa certeza nunca, apenas intuisse assim - pois a dúvida seria sempre uma grande aliada, a certeza nem tanto. Alguns muitos sempre precisariam de mim por perto. Eu confesso que fiquei com um medo imenso, olhava pros meus amigos todos e eles iam ficando velhinhos, velhinhos... Até uma hora em que sorriam pra mim e desapareciam como bolha de sabão. Pluf!

 

Me lembrava do meu pai, da minha mãe e da minha irmã. E para cada um deles a cena se repetia, até que veio um momento de dor muito profunda e olhei para uma moça que vinha em minha direção. Muito se parecia com a minha mãe e devia ter uns quarenta anos, e eu só pensava como é que podia ser a minha mãe se naquele instante eu tinha mais de 70 anos. 70 anos? Caramba, que miração foi essa?

 

Aí eu olhei pra Carina. Naquela época ela nem tinha ficado noiva ainda, nem tinha comprado apartamento no nome do noivo, nem feito aquele aborto que a destruiu, nem ele pilantra saído de sua vida levando o pouco que fizerm juntos. Ela era uma menina cheia de sonhos românticos, agora tão triste e sem brilho. E eu busquei o seu sorriso enquanto seu cabelo foi ficando branco e mais curto, bem mais curto, muito liso e ralinho, ela sorriu resignada e a outra moça segurou as minhas mãos. De alguma forma me dizia que fosse em paz. Naquele instante eu suspirei profundo e me desliguei daquele momento, da moça e da Carina que me observava. Chorei baixinho debaixo do cobertor enquanto alguma mão me acalmava.

 

A moça já não tinha mais os pais ou os avós e nem aquela tia que um dia a abandonou, naquele instante só restava eu. Não teve filhos, viveu alguns romances e nunca ninguém soube ao certo do que é que gostava, mas no fundo gostava mesmo era de homens, embora os achasse tão complicados. Era uma coisa fálica, de encaixe, como ela me mesmo confessara quando mais jovem e fogosa. Mas achava as mulheres boas companheiras e mais atenciosas sexualmente, se definia como um moranguinho. Ela apertou as minhas mãos enquanto acariciava minha testa, senti seu toque se distanciando e me lembro de ouvir uns suspiros, um choro agudo e seu toque pesando sobre meu peito. Por alguns instantes ficamos verdes.

 

 

Chorou triste por mais algumas minutos, sozinha enquanto me fitava resignada. Deixei que me sentisse gelado, pois a partir de então assim seria. Não me veria mais, apenas me intuiria - pois um dia eu lhe jurei nunca faltar. Depois chorou por décadas, silenciosamente, cada dia mais solitária, eu compassivo sempre por perto. Era por fim apenas seu, aquele nosso legado. De tantos outros nossos queridos, mas que só eu e ela compreendemos desde tão cedo. E eu me lembrei, lá naquela miração, do seu choro na maternidade e de tantos momentos em que ela se mostrou forte perante todos, desde pequenina. Por tempos foi assim e ela aprendeu tudo muito mais rápido que eu. Essa lenda é nossa. Legado se cumpre.


Escrito por Henrique Oliveira às 21h12

cotton

Segunda-feira , 25 de Maio de 2009


Escrito por Henrique Oliveira às 21h21

senso

Quinta-feira , 21 de Maio de 2009

 

Tempos atrás minha mãe ficava muito brava comigo por eu ser gay, ela ficava tão aborrecida e indignada comigo que nenhum pensamento, ou julgamento, que viesse à sua mente passava por algum filtro, ela falava o que pensava sem se preocupar com as minhas reações e se eu não estivesse satisfeito que desse área. Foi mais ou menos assim, depois de muitas brigas, que saí de casa e fui morar sozinho.

 

Acho que herdei dela essa coisa visceral de chegar junto e falar o que penso ser correto, sem muita enrolação, na lata mesmo, gostou gostou não gostou foda-se. A diferença é que no meu convívio social e profissional percebi que tem horas que é melhor mesmo fazer papel de parede e nem falar o que pensa. "Bom senso" é um valor íntimo, pessoal e um tanto quanto relativo, o que para mim soa sensato para você é uma tremenda incoerência.

 

Aliás, quer incoerência maior que recomendar a alguém que "tenha bom senso"?

 

Afinal, o que é ter bom senso mesmo?

 


Escrito por Henrique Oliveira às 21h21

capotei

Segunda-feira , 18 de Maio de 2009

 

Eu não sou muito de ingerir bebida alcoólica. Não que eu não goste. Gosto sim. Já gostei muito. Já abusei quando jovem, anos 80 na Corintho eu adorava encher a cara com o que aparecesse e ficar facinho, era uma forma de relaxar da semana tensa. Hoje as semanas nem são tão suaves ainda, diria até mais tensas e com mais responsabilidade, mas relaxo de outras formas - meditação, por exemplo.

 

Evito álcool, mas de vez em quando tomo uma latinha de cerveja, duas se estiver muito quente o dia e hiper gelada a cerveja. A terceira já não desce, não adianta, eu nem tento pois vai esquentar e sobrar no copo, peço um suco de tamarindo ou de graviola, uma água tônica. Vinho eu ainda bebo, não aqueles vinhos que pintam a boca de vermelho e que vendem em garrafa plástica, bebo uma taça de vinho bacana pra comemorar, duas pra provar daquele outro rótulo que um amigo trouxe dizendo que é encorpado, três dependendo da companhia e dos próximos movimentos, quatro se amanhã for sábado de folga, cinco se não estiver dirigindo, seis se for dormir por aqui mesmo e você não se importar de eu vomitar no tapete.

 

Tequila, um horror, bebia também um monte de vezes, com limão na boca, sal na mão, limão no sal, boca na boca, boca no sal, roupa no chão. Ficava doido rapidinho e quando me dava por conta estava dando vexame na casa de amigo chique. Dudu, meu gêmeo-astral que o diga, quase derrubei um quadro que valia pencas de dinheiro... Saí da casa dele quase de manhã, de carona com outro lindo, estava tão maluco que cismei que queria beijar um guarda de trânsito...

 

Caipirinha de saquê, maldade, tomava várias e nem me ligava, ia ficando levinho, levinho com vontade de só abraçar, dormir em paz e acordar na manhã seguinte feliz, sem dor-de-cabeça e sorridente. Mas parei, acho saquê um tanto quanto traiçoeiro... Cachaça artesanal só bebo se for meio-a-meio com mel, sob chuva torrencial, num boteco em Visconde de Mauá, apaixonado como se fosse aquela a primeira vez, com direito a sexo na moita que não vai passar ninguém mesmo por alí com aquela tempestade... 

 

Uísque não bebo, nem com energético e nem com nada, dou uma bicadinha só pra ficar com o gosto ruim na boca, tenho pavor de imaginar um porre de uísque daqueles que dão coma alcoólico. Já vi gente bacaníssima fazer horrores por conta do tal do malte, eu mesmo uma única vez que caí na besteira agredi um amigo só por ele ser gordo. Feio eu ter feito isso. Mas fiz, me arrependi, me retratei e ele compreendeu. Nunca mais.

 

Vodka já bebo sabendo que no dia seguinte vou acordar com uma ressaca daquelas. Não agarro ninguém, não beijo ninguém, não fico nem agressivo e nem nada, apenas desato a falar, falar, falar, falar, que chega uma hora que alguém precisa me desligar. Aí vomito, mas não no tapete, consigo chegar até a privada, limpá-la antes de vomitar e depois também. No dia seguinte acordo péssimo prometendo nunca mais beber nada. Mas de tempos em tempos acho que todo mundo devia tomar um porre. E o meu porre foi sábado... E foi premeditado.

 

Domingo acordei enjoadaço, parecia que tinha sido atropelado por um carrinho de supermercado cheio de latas de cerveja. A cabeça zunia, o estômago parecia que queria tomar um pouco de sol, o fígado foi o que mais sofreu, mas tirando esses efeitos todos digo que foi uma delícia esse porre. Tinha quase cinco anos que não dava uma dessas, e digo uma coisa: de vez em quando é bom sair um pouco dos trilhos, justo eu tão metido a ser certinho. Digo quanto a ser certinho, mas uma coisa aprendi: a não apontar o dedo para quem tem coragem de fzer o que eu não tenho coragem de fazer... E, no convívio entre amigos, é depois de um evento dessa natureza que a gente sabe quem realmente compreende o seu Ser e quem te quer um bonequinho feito na China repetindo o discurso chato do politicamente correto...


Escrito por Henrique Oliveira às 21h21

capturado

Quinta-feira , 14 de Maio de 2009

"Sou só uma rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão e de dedos habituados à longitude do tímido globo de uma laranja. Caminho como tu, investigando as estrelas sem fim e em minha rede, durante a noite, acordo nu.
A única coisa capturada é um peixe dentro do vento."

 

Pablo Neruda

 


Escrito por Henrique Oliveira às 22h44

asas

Quarta-feira , 13 de Maio de 2009

M i n h a s   a s s   s ã o   d e   l u z .


Escrito por Henrique Oliveira às 21h29

onda

Sábado , 09 de Maio de 2009

 

Acordei feliz e com vontade de fazer um monte de coisa, mas vou me entregar a apenas contemplar o estado imaginário da felicidade e passar o dia todo sem fazer nada.

 

Preguiçona mesmo.

Melhor assim, meu escritório hoje é na praia.

 

Escritório na praia nada, é no parque mesmo que aqui em Sampa não tem praia. Vou ao Villa Lobos com a Laurinha, lá é chique e não paga pra entrar...

 

Chique nada, que lá não tem árvore... Só tem umas moitinhas mesmo mas é porque o parque ainda é novo, tem que ter paciência que daqui uns cinquenta anos vai ficar bacana que nem o Ibirapuera...

 

Vamos estender uma canga do Corinthians no gramado e tirar um cochilão no solzinho de fim de tarde.

Bacana né?

Bacana nada, bacana é morar praia e pegar onda.


Escrito por Henrique Oliveira às 11h11

percebeu?

Quinta-feira , 07 de Maio de 2009

 

Eles não sabem mesmo o que dizem; dizem que eu tenho uma dificuldade enorme em digerir as coisas que ouço, mas ficam mesmo é tentando me convencer que são coerentes enquanto tentam digerir suas falsas realidades. Eles sabem disso.. Tanto sabem, e isso é verdade, que o que era para ser uma análise a dois, acaba virando um monólogo e eu fico olhando com cara de "ué, onde está a sua coerência", faço papel de parede e meu silêncio nesses momentos pesa mais que qualquer argumento manjado, eles sabem disso... De que adianta criar um discurso politicamente correto, ensaiado, se os seus gestos contradizem o que bradam rouca e insistentemente? Melhor mesmo me calar, seus versos se esvaziam sem que eu gaste um verbo sequer.

 

Eles não veem o que olham bem à sua frente, eu os encaro sem medo e meu olhar penetrante fere profundamente suas incoerências. Eu dou risada sem mover um músculo sequer da face, nem os ombros preciso balançar para dizer que toda aquela imbecilidade que projetam em mim nada mais é que o que é: imbecilidades de quem se defende do óbvio. Basta mover os olhos uns poucos milímetros, eles sentem meu olhar desafiador pelo cheiro... Tem horas que a verdade está tão escancarada que é melhor mesmo não enxergá-la, não é? E eu entro no jogo deles, me faço coadjuvante pois é assim que eles querem - a arena é deles, afinal! - mas sabem que a plateia que compraram ou estão alugando quer mesmo é se aplaudir ao meu piscar de olhos. A eles caberá apenas as dores de se sentirem tão pequenos perto daqueles que julgam inferiores. E pagarem a conta de sua falta de auto-estima... Pobres seres.

 

Eles também não ouvem; apenas escutam pois as palavras não criam lógica em seus corações magoados, como disseram num momento que se admitiram frágeis, mas que hoje negam com veemência... Hoje dizem que era apenas cansaço, mas é de fato uma insatisfação perene que não tem nada que abrande, ela corrói suas bases emocionais e nada lhes parece consistente, nada lhes soa agradável e eles nunca têm certeza de que as coisas que possuem são reais, ou que vão durar tempo suficiente, de que os que estão ali pendurados em seus sacos falando falam o que realmente sentem, pensam sempre que o que estão ouvindo é o discurso ensaiado dos bajuladores, eles têm muito medo deles. Eles não são burros, apenas preferem se auto-enganar e fazem isso com total maestria... São doutores, embora neguem. A capacidade humana do auto-engano é algo que não se pode saber a real dimensão que pode tomar, e não se compara a mais nada em termos de intensidade.

 

Eles se fazem gentis e generosos enquanto pensam comprar o carinho de quem só está alí por estar. Não seria verdade que "ninguém compra o que não está à venda"?

 

Uma vez alguém, (que era um louco, segundo eles), me disse que todas aquelas flores, todas aquelas rendas e babados, as luzes daqueles abajures todos e todas as intervenções cirúrgicas para melhor seus rostos envelhecendo, visavam suprir uma carência sem fim, que quanto mais buscassem compreender seus processos superficialmente mais se afundariam nela. E é por isso que se escondem em citações clássicas, por vezes cafonas, de autores mais infelizes que eles todos juntos... Na época eu disse que não, argumentei a favor deles, mas década depois compreendo que o que ele dizia, o tal louco, é que era real. Aquele outro, mesmo louco, via muito além do jardim de belas flores... Mas eles disseram que ele era louco e portanto não merecia crédito, e eu achei que aquilo tudo fazia mesmo sentido.

 

Hoje eles me olham torto, quando me olham.

 

Um deles, o mais infeliz de todos, não me encara e nem me estende a mão, sequer me responde ao boa noite. Deve sentir-se mesmo um tanto quanto desconfortável com toda a situação que criou, suas máscaras caíram enquanto se escondia de si mesmo e jogava em mim a culpa por eu ser lindo e inteligente, coisa que ele, no fundo, não acredita ser - ele se considera um blefe!  Eu compreendo que para eles, para ele em especial, me encarar no fundo dos olhos é mesmo tarefa hercúlea e ele é frágil, manco e delicado, viveu a vida inteira se enredando em suas mentiras e infelicidade infinita tão evidentes para quem tem a ousadia de simplesmente Ser - e é aqui que eu o agrido profunda e definitivamente.

 

E digo, por fim, que não há nada de errado em engolir os sapos... Foda mesmo é ficar com ele entalado na garganta, tão intensamente que não se consegue mais falar sobre o que realmente os aflige.


Escrito por Henrique Oliveira às 22h23

blogar

Terça-feira , 05 de Maio de 2009

 

 

Vizinho novo no pedaço... Ele não é lindo?

Vou tocar lá e pedir uma xícara de açúcar...

Será que levo alguma chance?

 

* * * * * * *

 

Com as mudanças na grade de blogs a minha querida Mel perdeu espaço de divulgação que tinha por aqui. Uma pena, mas compreensível por ela ter ficado mais de dois meses sem nenhuma postagem. Quem acompanha desde o início deve se lembrar que fui eu quem a apresentou virtualmente ao André Fischer, nós estreamos aqui na mesmsa semana, em junho de 2006. Me lembro da minha conversa com o André, lá na redação do Mix, quando ele me disse que o Mix estava muito ligado na mente das pessoas com a coisa da pornografia, de ser um site erótico com pouco conteúdo e que ele queria mudar isso. Foi quando abriu o espaço dos blogs para anônimos que curtem escrever, diferentemente do pessoal da redação que escreve pelo ofício e suponho que na mesma época a ideia da Revista Junior começou a tomar forma.

 

A Mel continua sendo uma querida e espero que não pare de blogar já que tem um público que admira, sobretudo jovens em conflito com família. Lembrem-se que ela é mãe de um lindo jovem gay, que se assumiu aos treze anos, muito antes de se iniciar sexualmente (aliás eu nem sei se já se iniciou...). Nós nos conhecemos pelo Orkut, numa comunidade chamada "Confissões Sexuais" e nos tornamos íntimos, ela me contou do filho, na época com dezesseis anos, e eu a encaminhei ao André. Quase três anos blogando com elegância, mas manter um blog não é tarefa fácil, tem que gostar de escrever, dedicar um tempo que muitas vezes não temos e criar uma interação que nem sempre é harmoniosa.

 

O mesmo aconteceu recentemente com o Vasco&Junior, referência na mídia como o primeiro casal de homossexuais a adotar uma menina, a Teodora. O blog deles era bacana também, mas um tanto quanto irregular, num post recente eles falavam sobre falta de tempo. Isso sem contar um tal de Júnior que blogou umas duas vezes, apareceu e desapareceu sem que muitos se dessem conta, acho que foi chamariz pra revista, isso sim. E outros tantos que seguiram seus rumos profissionais e abandonaram seus blogs por aqui, Paco, Nina, Ferd, Dri, Paulo, Kelly, Diego, Welton, Vinagre, Paulo, além da coluna Pensata (uma sugestão minha ao Marcelo Cia...) por onde passaram pessoas bacanas do naipe do Julian Rodrigues e Carlos Tufvesson, que eu admiro bastante. É assim mesmo.

 

Com isso o meu blog fica em segundo lugar sozinho em tempo de resistência, só perdendo pro do André, que é antigo à beça (o blog - o André é ainda um menino dois anos mais vilho que eu..). Fabrício Viana e Marcelo Cia chegaram algum tempo depois e mantêm a regularidade nas postagens, seus blogs, assim como os demais, não seguem uma linha específica ou segmentada, falamos sobre o que vier à mente... Irving, Fábio e Hélio chegaram há pouco tempo e não são tão regulares, Fábio e Irving não me tocam, leio por ler quando tenho tempo, mas do Hélio gostei desde o início, falamos a mesma língua e por coincidência fazemos aniversário no mesmo dia, mas ele deve ter metade da minha idade... E finalmente desistiram do blog da redação, como diz aquele ditado "cão que tem dois donos morre de fome...".

 

Agora, com a chegada do Andy, fôlego renovado no pedaço. Coincidência ou não o volume de visitantes no meu blog aumentou, apenas hoje, em 30%  e a maioria dos acessos novos chegou à minha página a partir da página dele. O que digo é que minha primeira impressão é a de ser um jovem corajoso e lindo, andei dando uma geral no seu site e fiquei bem empolgado com o que vi... Além de inteligente e articulado, o que quebra aquela imagem de que ator pornô tem que ter pinto grande e nenhum outro conteúdo. Quem sabe nas minhas férias eu vá a Londres visitá-lo... Resta esperar que ele mantenha a regularidade nas postagens, assim todos saem ganhando: ele (e eu) na divulgação, o Mix no faturamento e na imagem e vocês, leitores, no conteúdo.


Escrito por Henrique Oliveira às 21h30

virada

Sábado , 02 de Maio de 2009

Hoje tem virada aqui em São Paulo, sabadão já é dia de acordar tarde, comer uma feijoadona nervosa, tirar um cochilão gostoso a tarde e levantar agora, dar uma geral nos emails, fazer a barba, tomar um banho e sair lindo e cheiroso pra rua. Marquei de me encontrar com a Laurinha (minha "esposa") as 22hs, e depois com "a Loira" (meu melhor "amiga") as 23hs, assistir ao show do Wando e Reginaldo Rossi lá pelas bandas do Arouche e depois me jogar com a Loira e o Cacá no Station - que eu, por mais espiritualizado que seja, não tenho nada contra os prazeres da carne...

 

 

A Laurinha é uma amiga querida, a gente se conheceu por conta do Orkut e foi amor à primeira vista. Quando nos veem juntos as pessoas pensam que somos um casal, a gente até brinca com isso e deixa o povo pensar mesmo. Outro dia numa loja da Oscar Freire (coisas de Laurinha, porque eu estou mais para a 12 de outubro mesmo e até 25 de março) ela foi comprar uma calça que custava quase um apartamento e a gente se divertiu com os comentários da vendedora nos provadores: "Nossa, como seu marido é paciente, em geral eles não gostam de acompanhar a esposa nas compras, ele até dá opinião, te incentiva... E ele é bonitão, você tirou a sorte grande...". A gente se faz companhia em casamentos, batizados, aniversários e velórios - é sempre uma grata satisfação e digo que, se eu fosse hétero, casava com ela... Será que é porque ela foge àqueles estereótipos de mulher submissa, perfume doce e manteiga derretida, que eu detesto?

 

A Loira é o meu melhor amigo... "Amiga", cai melhor... Eu gosto de tirar onda com ele, a gente se chama de "linda" o tempo todo, de "bibiu", e é um afeto só. A loira é loiro de verdade, olhos claros, italiano lindo que conheci na minha festa de 21 anos, 21 anos atrás. Foi amor à primeira vista também, nessa data eu tinha quatro namorados que juntando os quatro não dava um que prestasse... Digo isso por bagunça, pois eram quatro meninos muito bacanas, eu é quem era da pá-virada e administrava os quatro, que também eram bem enrolados e não queriam compromisso mais sério. O ponto é que num instante da noite eu juntei os quatro, escancarei geral, eu já tinha bebido uns Martinis com cereja além da conta, uns San Remies também... Três deles deram risada, dois até se engraçaram e ficaram de romance a noite toda, mas um deles, o mais sensível e apaixonado, que nem imaginava essas minhas farras durante a semana, enquanto ele trabalhava, estudava e sonhava comigo no sábado, tomou um porre e se jogou na piscina, ficou bem triste e não foi nada bacana da minha parte agir daquele jeito, ele pegou um resfriado lascado e nunca mais falou comigo. E nessa muvuca toda eu conheci a Loira, a gente namorou uns dias, mas não virou romance e sim uma amizade linda que dura até hoje. A gente também se faz companhia em casamentos, batizados, aniversários e velórios - é sempre uma grata satisfação tê-lo por perto e digo que, se eu fosse sério como gostaria "de verdade" de ser, de verdade que me casava com ele e adotava um poodle champagne... Será que é porque ele foge àqueles estereótipos de gay inifiel, inseguro e pegajoso?


Escrito por Tiago Quintana às 17h15

peregrino

Sexta-feira , 01 de Maio de 2009

2002 foi um ano de decisões difíceis, porém acertadas, o ano de virar a própria mesa, resetar geral e começar tudo de novo. Na época eu tinha 36 anos e comemorava 10 anos de convivência "hamoniosa" com o hiv, antiretrovirais e os tantos "defeitos" colaterais. Digo "defeitos" pois tive uma lipodistrofia facial severa, corrigida pelas mãos talentosas da Dra. Suzana Barreto, e uns 10mls de metalacril, entre outros efeitos indesejáveis. Aliás, olhando pro passado, me surpreendo por estar tão bem física e mentalmente hoje, pois foram muitos os dias difíceis naquele passado nem tão distante assim.

 

 

Teve uma ocasião em que escrevi aqui no blog um post sobre isso, quem acompanha há mais tempo deve se lembrar do texto onde eu contava do fim de um romance de 12 anos, quando confirmei minha suspeita de que meu companheiro estava se entregando ao vício do crack, e da escolha que fiz de me desligar de uma empresa onde trabalhei por mais de 15 anos, quando ocupava uma posição "confortavelmente desconfortável". Fiquei de voltar outra hora pra contar mais, mas acabou não rolando. Beleza, blog é assim mesmo.

 

Eu sou capricorniano e uma vez lí um texto que dizia que "capricornianos são como alpinistas, não medem esforços para atingirem os seus objetivos, nesse caso o topo de uma montanha, e uma vez atingido esse objetivo retornam à base e se preparam para um novo desafio". "Só o cume interessa", diriam alguns, e mesmo a sonoridade me agrada... "Só o cú me interessa...". Não só o cú me interessa, mas beleza...

 

Naquela empresa eu havia chegado ao máximo posto possível, o de gerente comercial. Isso depois de uma árdua batalha, de muita política e muita engolição de sapo. Cuidava de uma equipe de 6 profissionais e 55 revendedores espalhados pela América Latina, com a modesta meta de faturamento na ordem de meio milhão de dólares mensal, mas sabia que os próximos cargos não eram acessíveis, por razões diversas. Pois então juntei o estresse saco-cheio ao limite com tudo e todos, entrei num plano de demissão voluntária, negociei minha permanência por um período de transição de seis meses e, findo esse prazo, caí na vida. Literalmente - com uma recisão trabalhista bacana, fundo de garantia, 40%, férias acumuladas e uma grana que me permitiria ficar alguns anos sem trabalhar.

 

No dia 18 de abril de 2003 cheguei a Espanha, era início da primavera. Desembarquei em Madri e por lá fiquei uma semana, num hostalzinho fuleiro a uma dezena de quadras de Chueca, o tal bairro gay revitalizado numa área anteriormente degradada e que eu particularmente achei uma bosta. Madri, nada de especial, não me encantou. Sou muito mais São Paulo. Mais tarde viria a me encantar por Barcelona, e mais ainda por Bilbao, que para muitos se restringe ao Guggenheim... Incomparáveis, únicas... Mas enfim...

 

No dia 01 de maio iniciei aquela que seria a experiência dessa Vida, e que bom que tive desapego e desprendimento para largar aquele porto-seguro financeiro e seguir os desejos da minha Alma. Depois daquela semana em Madri e de mais uma numa cidadezinha galega chamada Verín, coladinha em Portugal, pegamos um trem, um ônibus, um táxi e mais um ônibus e fomos para os Pirineus, bem na fronteira com a França. A cidade era Roncesvalles e começava alí, como disse, a experiência da minha Vida - 44 dias numa caminhada de quase 1.000 kms com uma mochila nas costas, uma calça, uma bermuda, três camisetas, três cuecas, uma malha, um casaco à prova de chuva e muito amor à Vida, uma paz com a minha auto-estima como poucas vezes senti (e conto que quando entro em crise é nas lembranças daqueles dias que vou me reabastecer...).

 


Escrito por Henrique Oliveira às 18h20


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