BLOGS: Tiago Quintana (Heterônimo+)

kombi

Segunda-feira , 28 de Setembro de 2009

 

Fazia uns 15 anos que eu não dirigia uma kombi. Até mais, nem me lembro ao certo quando foi a última vez mas fazia muito tempo. E eis que no sábado, por conta da necessidade de transportar cavaletes e telas enormes para decorar uma festa, tive acrescida essa divertida experiência ao meu currículo.

 

Eu até conseguiria transportar isso tudo em outro carro, contanto que com o porta-malas aberto e pedaços dos cavaletes saindo pelas janelas -  o que seria inadmissível pelos parâmetros de segurança do meu pai - mas na montagem do evento vi uma kombi dando sopa e achei por bem pedi-la emprestada para facilitar a Vida e agilizar o processo todo.

 

Facilitar e agilizar? Ao menos era essa a minha intenção.

 

O dono do veículo bem que me avisou que ela, a kombi, era temperamental, mas que me emprestaria sem problemas, apenas não poderia me acompanhar e me questionando se eu tinha experiência com esse tipo de veículo. E é claro que eu respondi que sim.

 

Por um instante achei que era melhor desistir. Mas vamos seguir em frente, retroceder e pagar de gatinho fresco jamais.  O negócio era encarar a komboza, afinal seriam poucas quadras aqui no bairro mesmo e não haveria de ocorrer problema algum.

 

Triste engano... A primeira dificuldade foi colocar a chave no contato e fazer o carro ligar.  Alerta do proprietário da joia:  "O miolo tem molejo,  gira a chave um pouco mais pra cima, um pouco mais pra baixo, assim que acender o vermelho da bateria, nessa hora você puxa a chave pra cima que dá a partida; é fácil, extremamente fácil, você vai conseguir."

 

E eu consegui. Próxima dificuldade: engatar a ré com o carro ligado, soltar o freio-de-mão para sair quase sem visão por um portão estreito. Moleza... Não fosse o trânsito na rua, que teve que ser parado para que eu exercesse a minha absoluta destreza no comando da super-máquina...

 

E lá fui eu confiante, com a minha mãe no banco do passageiro até a escola de pintura. Ela nunca havia sequer entrado numa kombi, estranhou muito mas manteve a elegância. Linda.

 

Dirigir uma kombi é simples, em especial por conta daquele volante enorme que para manter o carro em linha reta deve ser movimentado de um lado pro outro sem pausas. Quando o dono falou que a chave tinha jogo esqueceu de falar também da direção... Incrível isso, minha mãe só me perguntava se estava tudo bem, se não era melhor voltar e devolver o carro. Jamais.

 

A primeira parada foi na escola de pintura para carregar os cavaletes.

 

Moleza. Só que para sair de lá teria que ligar o carro novamente. E a chave decidiu não ajudar.

 

Imagine essa cena acontecendo no calor das 13hs de um sábado, eu morrendo de fome. Eu transpirava, tentava ligar aquela maravilha e nada. Até que a chave começou a ficar mole e derreteu na minha mão. Sim, a chave derreteu, por sorte não estava no contato.

 

Nada que um bom chaveiro não resolvesse. Pelo bendito celular pedi ajuda ao meu pai, que estava junto ao dono da criança rebelde, e foram me resgatar, sobretudo retirar minha mãe daquele ambiente insalubre. Vinte minutos depois, chave novinha, não havia mais trauma para ligar o carro. Agora era só parar em casa para buscar as telas enormes. E assim foi.

 

Kombi carregada, nenhum problema para ligá-la, já começava até a gostar dela. Segui por uma quadra,  feliz e confiante, e eis que o alarme disparou... Cadê o controle do alarme que estava no molho de chaves?

 

O controle havia ficado no molho de chaves. Com o dono... Caralho... Pensei então comigo que teria mais uma ou duas quadras até que o carro desligasse de vez, mas ele parou antes, numa esquina bem em frente à padaria mais chique do bairro. Não precisou mais que um minuto para o trânsito ficar complicado e as pessoas passarem buzinando e me olhando feio. Isso sem contar aquela desagradável e estridente gravação dizendo que "esse veículo está sendo roubado". Logo eu, tão lindo roubando uma kombi.

 

Mas a minha proposta era não perder o humor.

 

Um homem com cara de bobo passa olhando e me pergunta se eu iria deixar o carro parado ali na esquina... Respondi que eu não poderia empurrá-lo sozinho, mas que se ele me ajudasse eu o tiraria dali, ele respondeu que não podia me ajudar.

 

- Sem problema meu querido! Agradeço imensamente pelo seu alerta, pelo seu apoio e lhe desejo uma feliz tarde de sábado, aliás, tudo de bom para o senhor e para a sua família.

 

Logo um grupo de rapazes se prontificou a empurrá-la para que ao menos a esquina ficasse livre. E na mesma hora chegou o dono do carro dos sonhos com o controle do alarme. Aventura encerrada!

 

O mais importante disso tudo? Em nenhum instante perdi a paciência ou o bom humor.

 

Isso é o que chamamos de auto-controle das emoções.

 

Finalmente.


Escrito por Tiago Quintana às 22h11

posso

Quinta-feira , 24 de Setembro de 2009

 

" Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências. "

Osho

 

Aquele bebê ucraniano tem olhos azuis. Os tais olhos azuis como um profundo mar azul que um dia você sonhou. Olhos azuis num dia azul, daqueles dias tão azuis que quando a gente está na praia e olha pro horizonte não sabe onde acaba o mar e onde começa o céu, os tais olhos que um dia você sonhou em ter ao seu lado. E agora parece que o tal ministro caiu na real que de velho você não tem nada e pode ser uma boa você levar o garoto. O garoto e mais uma trupe, fica tudo mais simples e você paga as contas. E eles nunca te chamaram de bicha, só disseram que você nem era casado. Mas você é casado. É isso?


Tá tudo indo bem, há um planeta atento ao seu desejo repentino, militantes e militontos no mundo todo gritam que sim, que você pode!  Eu disse desejo repentino pois até então se sabia que você gostava muito de criancinhas, imaginávamos porém que contanto que passassem algumas poucas horas contigo sob os flashes atentos de quem te segue. Assim é mais fácil e muitos gostam de crianças. Mas ter um alguém que dependa da gente 24hs por dia, durante uma vida toda é outro papo. Por essa razão é que eu adoro ser apenas tio. Tão mais prático, tão mais tranquilo - chorou, chama a mãe e devolve...


Nesse desenvolver do enredo não tarda muito e você vai ter o seu bebê. Era isso mesmo que você queria? Ou foi um impulso daqueles que dá quando a gente vê uma calça linda numa vitrine, cobiça pura, carência total, compra, paga caro e nunca usa? ou pior ainda: amor repentino e eterno por um cachorrinho numa feira de filhotes, que a gente compra e depois se arrepende e o deixa na esquina assim que ele ousar rasgar o nosso sofá... Me parece real teu sentimento, se me permite analisar... Me parece muito real o seu olhar de cumplicidade e de amor com o tal pivete. Amor à primeira vista, encontro de almas... Eu disse "pivete" mas não foi te zoando não, é que se ele não for contigo ou não morrer de fome esse será o seu destino. Talvez não, afinal ele não está na África e sim na Europa; Europa?


Boa sorte nos próximos passos e até o êxito, se assim tiver que ser. E no futuro, se isso tudo der em nada - ou porque a burocracia não deixou, ou porque você caiu na real que era apenas mais um capricho, mais uma das suas excentricidades, um mimo inédito - quando as manhãs frias chegarem, e mesmo se você estiver velho de verdade e muito longe dele, inconformado ou arrependido, segurando lágrimas se lembre desses olhos azuis; se lembre deles te olhando  profundamente e  segurando uma dor, uma dor que você nunca conheceu.


O seu bebê tem olhos azuis e ele talvez esteja sozinho novamente. Possivelmente seja essa a sina dele que tanto te encantou a essa altura da sua Vida de estrela. Mesmo que você nunca tenha essa compreensão.


Escrito por Tiago Quintana às 21h37

sina

Terça-feira , 22 de Setembro de 2009


Escrito por Tiago Quintana às 12h12

eterna

Segunda-feira , 21 de Setembro de 2009

 

Há cerca de um ano eu escrevi nesse blog dois textos onde falava sobre a morte de um amigo, na ocasião atribuída a uma depressão por fatores diversos e que culminou com o desapego à Vida. Os textos são Póstuma e Brilho, com divagações longas que valem uma releitura. Durante algum tempo a ideia de que meu amigo teria morrido sozinho e deprimido, depois de 10 anos de  amizade com convívio diário e de muita qualidade e apesar de estarmos rompidos, me atormentou e tem me trazido questionamentos bastante profundos.

 

Relendo hoje esses textos vi que muita gente que me acompanhava desde aquela época continua se manifestando por aqui.

 

Na sexta-feira passada fui convidado para um jantar no apartamento de um amigo daquele núcleo, com outros queridos que também conviveram com ele. Sessão nostalgia total, o mais novo entre nós esteve na inauguração da Corintho em 1986 e apesar de não sermos amigos desde aquela época, pois começamos a montar esse núcleo de amigos em 1993, as histórias eram comuns.

 

Dos presentes a maioria engordou uma média de 1kg por ano, exceto eu e mais um, também os únicos ainda com cabelo, e eu o único que não cedeu à tentação das tinturas. Começamos a lembrar daqueles dias distantes, enquanto assistíamos clipes do Depeche Mode, Grace Jones, George Michael, Whitney Houston e, é claro, Madonna - todos ainda muito novinhos.

 

Em algum momento falamos sobre a Edna, o laço que nos uniu. Eis que um dos presentes, o único que não a conhecera pessoalmente, perguntou quando e como ele havia falecido. E a resposta me deu um susto.

 

- É aquele que eu te contei que foi assassinado há quase dois anos.

 

Silêncio total.

 

Meu primeiro pensamento foi pedir que se esclarecesse aquilo que acabara de ouvir. Mas escolhi mudar de assunto.

 

- Que Deus o tenha, deve estar fazendo festa lá no céu com os anjos-bofes, todos na fila por um atendimento. Um brinde a essa nossa amiga!

 

E brindamos. A noite era tão especial que não cabia tristeza.

 

Quando voltávamos para casa segui em caminhada até o centro da cidade com o Neco, o tal amigo cozinheiro a que me referi num dos textos. E foi quando achei oportuno esclarecer a dúvida.

 

- Neco, aquela hora no jantar, quando falamos da Edna... Afinal como foi que ela morreu? De depressão ou assassinada?

 

 

- É querido... Ela foi assassinada. Só soubemos disso há menos de um mês, achei que a senhora iria ficar arrasada e nem quis comentar nada contigo. Um ex-namorado dela esteve na loja do Caco e contou a história, disse que o que ocorreu é que quando a mãe dela morreu começou uma brigaiada pela casa, um dos irmãos comprou a parte dos outros, deu a casa pro filho morar com a esposa e mandou a Edna pra uma casa de dois cômodos, que ele tinha naquele bairro horroroso, mas lá no final bem na porta da favela, a casa caindo aos pedaços, já quase na beira da rodovia. Deu uns móveis velhos e disse que lá ela poderia fazer o que bem quisesse sem envergonhar a família. O sobrinho ofereceu para ele continuar por lá, na casa que era da mãe, mas ele achou melhor ir morar sozinho mesmo, tinha o lance dos bofes, da taba...

 

A partir desse ponto pouco se sabe. A Edna se isolou e se afastou dos amigos. Não tinha telefone em casa, não atendia o celular, não retornava o contato dos amigos - e a Vida das pessoas é bastante atribulada para ficarem insistindo em encontrar quem não quer ser encontrado. O que se sabe é que sua casinha foi invadida, não se sabe se por ladrões seduzidos por ela ou se por ladrões simplesmente. A gente nunca sabe qual a origem da violência.

 

O Neco começou a me contar a história e teve uma crise de choro. Eu fiquei sem saber o que fazer e tentei acalmá-lo. Eles eram amigos desde 1984 e o Neco ainda hoje sente profundamente por cada amigo que morreu de AIDS naquela época, e ainda por outros que simplesmente sumiram. Na hora eu me segurei, mas depois uma tristeza ainda maior me pegou. E eu fico imaginando dois quadros:

 

Primeiro: Ela foi pega de surpresa. Tocaia total, ela já estava sendo visada pelos traficantes e milícias da favela por ser gay. Hoje é enxergada pelo governo e pelas ONG´s tão somente como um dos homossexuais que é assassinado a cada dois dias no Brasil. Ela tinha uma estrutura física pequena, mas ainda assim deve ter lutado bravamente com seus agressores pela sua Vida - o bem maior.

 

Segundo: Ela escolheu ser assassinada. Estava cansada da Vida, das muitas humilhações que sofreu durante 45 anos, em especial por parte da própria família. Sabia dos riscos que corria e nada mais fazia sentido, não havia razão para prolongar uma Vida de insatisfação. Não havia mais a sua mãe, única coisa que ainda importava e ela entregou os pontos. A morte como alívio.

 

Tudo isso me soa ainda muito estranho. Não me parece real.

 


Escrito por Tiago Quintana às 14h14

blue

Sexta-feira , 18 de Setembro de 2009

 

Boa sorte lá com o presidente da Ucrânia.

 

Não é porque um ministro deles disse que você é velho e não é casado que você vai desistir. Afinal o que é ser velho? O que é ser velho em um país cuja expectativa de Vida é de 37 anos? Aos 62 você já teve quase duas vidas do que se consegue por aí, onde ainda morre-se de fome. Eu não estou falando da Ucrânia, lá a coisa está ficando feia sim, mas ainda não está uma catástrofe como no sudeste da Ásia ou em quase toda a África.

 

Como eles não se deram por conta disso ainda, bastarão uns 10 anos nessa cegueira-letárgica e eles viverão o que a África está vivendo hoje. E lá é Europa ainda, embora não pareça; e esse povo talvez não entenda nada sobre valores humanos, coisas que mesmo na sua ilhota não andam muito em alta.

 

E o que é ser casado? Não creio que adiante argumentar que você é casado pois seu casamento, ainda que aos olhos atentos e inexpressivos da rainha (que talvez nem tenha concordado com aquele circo todo), não vale nada para eles lá no leste, como também não vale nada aqui no lado de baixo do planeta. Eles e nós, assim  como boa parte do mundo, estamos bastante atrasados quando se fala sobre essas coisas de homem se casando com homem, mulher se casando com mulher...

 

Mas vai fundo, sua vitória será a vitória de muitos outros que não têm a sorte de serem amigos da nobreza. De qualquer forma foi bacana saber que você compreendeu que o seu companheiro não é apenas um coadjuvante da sua história e validou o desejo dele de paternidade.

 

Companheiro não, marido. Afinal vocês são casados. Sorry.

 

Quem sabe? Se não der certo dessa vez, não desistam. Vocês podem tentar na Suazilândia, um iPod (ou menos) e tá fechado.

 

Qualquer dúvida fala com o Brüno que ele te dá as coordenadas. Apenas te lembrando, o Brüno é aquela bicha nonsense que te sugeriu se sentar nas costas de um mexicano para tocar piano.

 

A propósito o México fica na América do Norte, quase no dito primeiro mundo. Bem distante da Ucrânia e do Zâmbia ou Suazilândia.

 

Outra coisa: Não vá para a Suazilândia acreditando que vai encontrar olhos azuis... Lá não tem.


Escrito por Tiago Quintana às 10h30

luce

Segunda-feira , 14 de Setembro de 2009

.L u Z s u r d e z .

Há tanto daquela luz que cega e ensurdece


.L u Z à c i d e z .

quanto da luz que rasgácido o caminhar cego


.L u z - s e d ê .

e ainda algo da LUZ que ilumina do coração.


Escrito por Tiago Quintana às 14h14

metido

Sexta-feira , 11 de Setembro de 2009

Foi este blogue agraciado com o prémio

Comprometidos y Más 2009

pelo blogue "Saudaids".



Este prémio foi concebido para assinalar blogues comprometidos culturalmente, politicamente, socialmente..., por isso devo nomear cinco blogues que na minha perspectiva reúnam os requisitos nele assinalados.




Olha só que bacana, atualizando a leitura dos meus blogs de referência soube que fui agraciado por um amigo  "blogayro"  com o prêmio "Comprometidos y más, 2009".

 

Estou aqui dando risada pois referir-me ao Paulo Giacomini como blogueiro é uma brincadeira entre amigos, como já citei ele é uma pessoa de referência no vasto universo da soropositividade e um cara com tantos feitos que é difícil defini-lo. Mais do que referir-me a esse  querido como um militante, terno e eterno, porém termo deturpado na última década, posso usar a definição apelido carinhoso de incansável e lúcido ativista, ativista da Vida e bem-estar social, um  exemplo de cara que não  se conforma e não se cansa de querer saber sempre mais. Vale a pena dar uma olhada no seu blog, de importantes e marcantes postagens irregulares. Um muito bom blog.

 

 

E receber dele essa reverência, nesse momento da minha Vida, num post entitulado "Um prêmio cheio de carinho e afeto", é ainda mais gratificante. Me lembro de uma edição do Big Brother em que um modesto mas consistente participante, ao se saber reverenciado por Pedro Bial por sua inteligência e estúcia, declarou mais ou menos isso: "É como se eu fosse um cometa que ao passar ao lado do sol o visse acenando pra mim." 

 

Pois é dessa natureza de orgulho que me sinto pelo carinho e afeto desse rapaz.

 

 


 

 

Se devo nomear cinco blogues que, da minha ótica, estejam comprometidos de alguma forma, os meus escolhidos são:

 


Quem você pensa que é?


Homem, Homossexual e Pai


Mulher, Heterossexual e Mãe de Gay


Ser, tão Paulistano

 

Mirar e Ver

 


Escrito por Tiago Quintana às 12h12

chuva

Quarta-feira , 09 de Setembro de 2009

 

Não coloquei o pé pra fora de casa hoje. Não parou de chover nenhum minuto. Uma boa parte do meu bairro está alagada, os acessos todos prejudicados e por sorte moro na parte alta, se morasse nos prédios novos e chiques na área alagada correria o risco de ser atropelado dentro da garagem por um caixote  de madeira ou uma melancia, ou ainda de pisar nos milhares de pregos enferrujados e contrair tétano. Melhor fazer o que fiz, ficar quieto arrumando armários, lendo e estudando e desencanar do monte de coisa programada para fazer na rua e que vão ficar para hoje cedo ou quinta. Agora vou dormir, até as 10hs no mínimo.


Escrito por Tiago Quintana às 00h55

tifanir

Segunda-feira , 07 de Setembro de 2009

(Alguém sabe o paradeiro da Tifanir? Do meu estimado Fábio Jeremias? Que tal fazermos um abaixo-assassinado pra ela voltar, como nos sugeriram a Mona e o Dick?  Quem sabe  despachar um ebó em Amaralina, onde ela faz ponto? Uma novena para a Nossa Senhora do Ahcheropica? Uma parada temporão na Avenida Paulista? Uma busca e apreensão na Cracolândia? Um jantar romântico em Viena? Uma ação humanitária na África? Um "Fora Sarney" ? Mas agora, falando sério,  acho estranho pois não só  ela não tem comentado como nem tem acessado o blog, verifiquei que os seus endereços IP não registram atividade há mais de um mês. Acho que o TK85 dela pifou, deve estar sem aqué pra lanhouse, ou está fazendo charme louca de vontade de espernear de novo, ou quem sabe esteja "plesa" de novo, ou o tal deputado amante mandou matar.  Aliás vou comentar depois sobre um filme nacional, uma cena horrenda. Ou melhor, "sena" horrenda como escreve a Sasha, educada em escola amexicana, ou seria "senna"  de fachada apenas? Amor, estranho amô. O fato é que estou sentindo a sua falta e tenho até sonhado com ela... Volta, Tiffany...)


 

Oi Maricona Kiridjinha Uó,


Estou morando num resort belicíssimo de frente pro mar, uma fotchinha minha só para a senhoritcha ficar bege de inveja.

Me desculpe por não ter feito as unhas, mas o meu esmalte colorama congelou na valise...


Beijos, deixa eu ir lá fazer um cafuné no meu marido...


Ass. Tiffany

(travesti, amasiada com um esquimó e vendedora de gelinho)

 


Escrito por Tiago Quintana às 20h16

Zâmbia Cristal

Sexta-feira , 04 de Setembro de 2009

 

Parece nome de drag queen, mas não é.... Nos últimos dias aproveitei que disponho do bem mais precioso que um Ser pode possuir, o Tempo, para fazer algo que gosto muito: ir ao cinema - havia mais de um ano que não encarava a telona e estava sentindo falta desse prazer.  Coincidiu de estar rolando o "V Cinema Mostra AIDS", uma iniciativa do Grupo PelaVidda com apoios diversos, onde são apresentadas produções de diversos cantos do planeta  mostrando realidades da AIDS que desconhecemos. Sessões a preços simbólicos e ao todo devo ter visto umas 15 produções, mas não sei ao certo pois simultâneo rolava uma mostra de cinema argentino no CCBB e também marquei presença por lá. Quase uma overdose...

 

Muita coisa me chamou a atenção e quero ver se relato aqui as minhas impressões. Em especial destaco dois títulos:

 

Pequenos Pais (Their Brothers´ Keepers: Orphaned by Aids)
Canadá, 2005
, 55 min.
Direção: Catherine Mullins

Filmado durante sete meses, em Chazanga Compound, um bairro de favelas no Lusaka, Zâmbia, este documentário canadense segue as lutas cotidianas de famílias encabeçadas por crianças cujos pais morreram de aids. Por isso, longe de uma infância normal e determinadas a sobreviver, elas assumem o comando de suas famílias.
Ao enfrentar a falta de comida, água, escola e assistência em saúde essas crianças experimentam o drama e a esperança que se misturam na luta por trabalho para comprar a refeição para seus irmãos mais novos. Se a ajuda local e mesmo o socorro humanitário estrangeiro não são suficientes na dura realidade vivida por eles, a fotografia e trilha sonora do filme contrastam com vidas surreais dessas crianças heróicas.

 

Cristal (METH)
Estados Unidos, 2007, 79 min.
Direção: Todd Ahlberg

A partir das histórias e reflexões de uma dúzia de homens gays que vivem nos Estados Unidos e têm entre 21 e 50 anos, o documentário revela o fascínio e os riscos do cristal de metanfetamina – uma variante da anfetamina, usado especialmente para estimular o sexo – droga que ganhou popularidade entre gays americanos. O uso é tão prejudicial e perigoso que o diretor fez o seguinte alerta depois de realizar o documentário: “Confiamos que ele fará com que as pessoas passem a pensar no cristal metanfetamina como algo que não se queira experimentar. As histórias dessas pessoas mostram o porquê dessa afirmação".

 

 


 

 

Zâmbia é um país africano, localizado na região central do continente, bem ao sul do Deserto do Saara. É um país lindo, com boa parte de seu território composto por terras férteis e uma capacidade de produção agrícola quase nada explorada. É também um país miserável onde estima-se que, assim como nos seus vizinhos Botswana, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbábue, algo em torno de 18% a 26% da população entre 15 a 49 anos de idade esteja infectada pelo virus HIV.

 

Eses números são bem maiores, certamente. A exemplo do Brasil as pessoas continuam se expondo, muitas vezes sem terem acesso a informação de formas de evitar o contágio - pois apenas falar sobre camisinha não basta - e  em geral só se descobrem soropositivas quando manifestam AIDS em estágio avançado,  e o país está sendo dizimado pela epidemia.

 

Não apenas o Zâmbia, na realidade o continente africano está sendo dizimado aos olhos de um planeta insensível a essa  questão. A expectativa média de Vida nessa região é de insuficientes 37 anos.

 

Apenas para se ter uma ideia melhor do tamanho desse problema, a taxa de infecção por HIV no Brasil é estimada em 0,7% da população nessa faixa etária. Mas há uma diferença crucial entre a realidade deles e a nossa: enquanto aqui no Brasil, em especial nos grandes centros, quase toda a população soropositiva tem acesso à terapia antiretroviral - tratamento totalmente gratuito, bancado pelo estado - lá eles sequer têm acesso à água tratada, esgoto e alimentação. Há alguns trabalhos desenvolvidos por ONG´s de países ricos que tenta minimizar o problema. Mas é como a fábula do beija-flor que enche o bico de água para auxiliar no combate ao incêndio na floresta.


 

Cristal é uma droga que vem sendo usado compulsivamente por gays norte-americanos. O efeito da droga é devastador e ela vem ganhando usuários também aqui no Brasil. O documentário mostra as histórias de amor e saudade da droga. Digo amor pois há aqueles que sabem que estão sendo prejudicados mas ainda assim mantém-se firmes no consumo, muitas vezes diário, e também aqueles que de alguma forma controlam sua dependência, mas cujos olhos brilham ao referirem-se a ela. É triste e perturbador.

 

Por conta do uso excessivo e descontrolado, aliado à sérios problemas de auto-estima, seus usuários entregam-se a verdadeiras orgias onde consome-se a droga e faz-se sexo com quantos mais melhor. Há uma urgência insana no viver e morrer. Iniciam aspirando-a como se fosse cocaína. O próximo e muito breve passo é queimá-la e inalá-la na forma de vapor. Daí para injetá-la nas veias é questão de oportunidade. A combinação é explosiva e fatal.

 

A resistência cai absurdamente abrindo espaço para as doenças sexualmente transmissíveis; evidente que nessas orgias loucas ninguém se questiona se  preservativos são necessários e se há risco de transmissão do HIV. Há relatos deprimentes, como os de um jovem de 20 e poucos anos que diariamente buscava vários parceiros anônimos para sexo, chegando a frequentar saunas 4 vezes por semana. Outro relato contundente, que serve de base para o documentário, é o de um rapaz de 33 anos, lindo de dar vontade de levar para casa, que já foi viciado em tudo o que teve oportunidade de conhecer, que já foi  preso por tráfico de drogas, que conta com o apoio emocionado da mãe (a única a participar do filme) e que se declara mais frágil que as suas dependências. Em algum momento do documentário o Cristal é comparado ao Crack, problema que aqui no Brasil sabemos bem o estrago que vem fazendo.

 

Ao final do documentário todos se declaram soropositivos. Questão de escolha? Ou apenas insanidade?


Escrito por Tiago Quintana às 11h55

zona de confronto

Terça-feira , 01 de Setembro de 2009

 

Recentemente o portal MixBrasil teve um problema com os servidores de hospedagem no UOL e uma parte do acervo foi perdido, vocês devem se lembrar dessa falha dois meses atrás. Essa é a história oficial e eu acredito nela, é possível sim embora ache improvável. Mas há outra versão, oficiosa; segundo um amigo o que houve na realidade foi que um funcionário, que detinha as senhas todas, foi dispensado e simplesmente deletou todo o conteúdo - o que, se for verdade, é algo deplorável - e estaria sendo processado pela empresa. Fez isso sabendo da deficiência dos backups, que seriam de sua responsabilidade. Não acho provável, mas é possível sim.

 

Quando atuava com tecnologia eu me lembro de ter atendido empresas nessa situação. Se for verdade o tal "profissional" dificilmente se reposicionará no mercado, atitudes dessa natureza podem destruir uma carreira em ascensão. O que sei é que nesse período alguns textos da versão anterior dos blogs, de junho de 2006 até março de 2007, acabaram aparecendo (mas sumiram novamente) e vou republicá-los aos poucos.

 

Num deles, que republico na sequência, eu relatava uma experiência que tive aqui no meu bairro com um cidadão casado que conheci na rua, desde a paquera até o primeiro e único encontro, e dos sentimentos confusos de alguém que fez uma opção sexual conflitante com a sua orientação sexual.

 

A escolha por esse texto não foi por acaso, voltei a malhar no bairro e hoje treinamos na mesma academia, não apenas nós mas também a sua esposa - duas vezes por semana fazemos yôga juntos - e a troca discreta de olhares é inevitável. A tal da memória da pele...

 

___________

 

"Eu me sinto feliz com a vida que levo, algumas vezes tenho fantasias com outros caras, desde moleque que eu gosto de brincadeiras sexuais com homens, mas eu não sou gay, sou casado com uma mulher linda, dificilmente rola de conhecer um cara, é muito dificil, você sabe, quando acontece eu invento uma desculpa e chego em casa mais tarde, minha esposa nunca desconfiou de nada, você entende a minha situação, a gente vai ficar junto hoje, estou com um puta tesão por você, olha só aqui como estou excitado, estou vindo direto do trabalho e matei a aula de inglês para poder estar contigo, que bom que você atendeu minha ligação e lembrou de mim rápido, eu estava tão nervoso que quase não consegui falar e se você não lembrasse eu ia desligar, fora que nem sabia se você tinha dado o número certo e se eu tinha decorado, não posso nem registrar teu número na minha agenda, já imaginou se ela pega meu celular e me pergunta "quem é Tiago?..."

   

Desde que eu te conheci estava ansioso em te encontrar de novo, foi uma pena que naquela noite quando a gente se conheceu eu voltava da farmácia, lembra que te falei que meu filho estava com febre, era uma virose comum naquela época do ano mas ele já está bem, lógico, faz uns dois meses isso, nossa dois meses, foi mesmo, era semana do aniversário da minha filha, eu estava a pé e sem tempo ou local para ao menos uma brincadeira, fora que estava na rua de casa quase em frente ao prédio onde moro, mas meu filho teve outra virose pior que aquela, febre alta, teve que ir pro pronto socorro e tomou até antibiótico, sabe que naquela noite eu transei com minha esposa pensando em você, para ser honesto nem foi tão bom e eu nem gozei, acho que estava preocupado pois meu filho estava com febre, se bem que nem era febre muito alta, ele é que é muito dengoso, eu só ficava imaginando estar com você, é louco cara que eu fiz ela gozar e falei que já tinha gozado também, ela nem desconfiou pois em geral eu ejaculo muito pouco e deixei para me masturbar durante o banho na manhã seguinte, lógico que pensando em você...

 

Cara, você é muito lindo e de alguma forma me senti muito atraído mesmo, gozei muito, muito mesmo só de pensar em você, gozei no banho e depois saí correndo pois acabei me atrasando, fora que ela bateu na porta e perguntou por que razão eu tinha trancado a porta, eu nunca tranco, é sério mesmo e agora estou aqui ao teu lado, imaginando mil fantasias, mil coisas que eu quero fazer mas só temos cinquenta minutos, eu não posso entrar em um motel ou um drive-in, tenho vergonha, já imaginou se encontro alguém conhecido, um parente, um colega de trabalho, a gerente do banco, sei lá, a gente nunca sabe, você por acaso conhece algum lugar onde a gente possa ir, tem uma rua com pouco movimento lá perto da estação de trem, do outro lado lá perto da marginal onde quase nunca passa ninguém, nem polícia, mas pode ser que aconteça alguma coisa, eu tenho muito medo de assalto pois minha mulher nem pode imaginar que eu tenho essas fantasias...

 

Cara, você deve ser muito gostoso e eu quero mesmo é te chupar muito, não se assuste de eu estar sendo assim tão direto, é que eu gosto muito de fazer isso e nunca consigo, fico só imaginando, aí vai ficando um tesão acumulado, nem alugar filme pornográfico eu posso, minha mulher não gosta, imagine então que eu nunca assisti um filme só com homens, aliás já assisti sim um pedaço na internet, mas ela entrou no escritório e quase me deu um flagrante, tive que desligar a máquina, foi um susto tremendo, eu vou te pedir uma coisa, não me liga no meu celular, eu sei que você tem o número que ficou registrado quando te liguei, desculpa não ter te ligado antes, vou confiar na tua discrição, pensei até em te ligar de orelhão mas estava sem cartão, por favor não me liga, eu tenho família, você sabe como é a minha situação, ninguém pode nem imaginar que eu saio com homem de vez em quando, mas é muito de vez em quando mesmo, acho que faz mais de um ano que não saio, eu saía com um colega de trabalho, ele é casado também e a gente se conhece há muito tempo, geralmente a gente saía na hora do almoço, mas de uma hora pra outra ele descurtiu e eu nem sei o que aconteceu, ele parou de me olhar e o pior é que minha esposa conhece a dele, eu tenho medo dele ter contado pra mulher dele e dela contar pra minha, acho que ele conheceu outro cara, sei lá, tem um estagiário que sempre anda com ele e que tem jeitinho de gay, sei lá...

 

Eu posso parar o carro aqui embaixo dessa árvore, reclina teu banco e abre o ziper, melhor, já abaixa a calça pois nós não temos muito tempo, me fala se você já está excitado, já vai ficando excitado, assim a gente ganha tempo, desculpe não ter tomado banho antes, eu vim direto do trabalho, ainda tenho que passar no mercado e comprar leite longa vida que está em promoção, meus filhos são lindos, uma garota de nove e um garoto de sete anos que já sabe ler e escrever, eu até hoje nunca dei pra um cara, nem tenho essa curiosidade, se bem que estou super atraído por você e um dia podemos marcar com calma e de repente eu consigo, sim acho que com você eu consigo, se bem que seu pau é maior que o meu, quem sabe em janeiro ou julho quando as crianças estiverem de férias, se eles viajarem e eu ficar sozinho em casa, então eu te ligo e a gente marca, mas vou te pedir para ir devagar e se eu não conseguir você não vai forçar a barra, acho que eu tenho algum bloqueio, cara você não tem nenhuma doença não, você me entende, eu não posso expor minha mulher, eu tenho filhos que eu amo, meus pais nem podem imaginar que eu estou aqui com você..."

 

 

Enfim nos beijamos com empolgação e menos de dez minutos depois ele estava saciado e ainda mais ansioso. Ejaculou umas gotas num lenço de papel, jogou pela janela do carro junto com todo o encanto daquele encontro por tanto tempo esperado. Eu preferi não gozar...

 

Me deixou na esquina de casa, atônito, sem falar nenhuma outra palavra.
- Valeu cara, eu te ligo de novo... Não me liga, por favor...

 

As férias de julho já acabaram e nunca mais nossos horários coincidiram... Quando ele me ligava dizendo que ia matar aula eu estava sempre longe de casa, ou quando estava em casa coincidia de estar com uma virose daquelas ou ainda de saída para alguma outra atividade.

 

Nos cruzamos algumas vezes depois disso na farmácia, no supermercado... Ele sempre com as crianças e a esposa, geralmente em manhãs ensolaradas de sábado quando eu saia da minha aula de yôga, na academia em frente ao seu prédio... Parece até que deixava para sair no horário que sabia que a aula acabava... Ou seria apenas coincidência?

 

Quando isso aconteceu pela primeira vez foi estranho, nos cumprimentamos, provavelmente ele disse pra esposa que um dia conversou comigo na fila do caixa da padaria e que sequer sabia meu nome, que conversamos sobre doces e política e que ele estava pensando em se matricular naquela academia. 

 

Algumas encontros casuais depois e hoje ela também me cumprimenta, outro dia me perguntou se o instrutor de yôga era bom mesmo, quanto que eu pagava de mensalidade e disse que sua vizinha do outro bloco elogiou muito a equipe e que ela está precisando mesmo de alguma atividade física.

 

E ele? Me encara com um olhar maroto de desejo, mas é bastante discreto... Olhos nos olhos, a gente sabe que um dia vai se pegar de novo. E vou ter que ir com muita calma...

 

Deletei seu número, por precaução.
Mas minha memória já havia gravado.

 

Seus filhos realmente são lindos e sua esposa me pareceu feliz. Daquelas mulheres que seguem firme, educando seus filhos sem fazer muito questionamento... Iguais a ela, existem muitas. Creio que ela realmente não imagine o que fizemos naqueles poucos minutos dentro do carro de vidros escurecidos.

 

Ainda faltam algumas semanas para as férias de janeiro.
Será que ela vai pra praia ou pro sítio?


Escrito por Tiago Quintana às 12h28


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